01 September 9th: Soterious Lakshmi 02 September 9th: Wayne Phases 03 September 25th: Somber Blanket 04 September 29th, 1936: Me Warn You 05 September 22nd: Love Is Its Own Eternity 06 September 18th: Lemons 07 September 17th: Loop Piece 08 September 24th: Interval Dig 09 September 16th: Mystic Klang

10 September 12th: Coping Song

Gravadora: Cuneiform

Não adianta procurar a Cláudia que ela não vai aparecer. O grupo The Claudia Quintet não tem ninguém com este nome.

Formado pelo exímio baterista John Hollenbeck no final dos anos 1990, o grupo tem um som jazzístico bem ácido.

Elementos do fusion e post-bop estão inseridos em um dinamismo ímpar: o vibrafone de Matt Moran ora ou outra corta o acordeom de Ted Reichman. Isso quando não percebemos o contrabaixo de Drew Gress respingando dos solos do sax tenor de Chris Speed, que também toca clarinete.

September é o sexto disco do quinteto nova-iorquino e sucede o elogiado Royal Toast (2010), que tinha a adição do pianista Gary Versace. September também traz colaboração de dois músicos: Red Wierenga no acordeom e Chris Tordini no baixo.

“O novo disco presta homenagem a um tempo do ano em que Hollenbeck procura o isolamento e o foco criativo de residências artísticas”, diz o release da gravadora Cuneiform.

O bandleader Hollenbeck complementa: “Setembro é um mês maravilhoso e, para mim, o equivalente a quinta-feira, meu dia favorito da semana onde celebrei numa canção no primeiro disco do Claudia Quintet”.

September é dividido em 10 temas que marcam distintos dias do mês nove do nosso calendário. Todas as canções tem uma espécie de dedicatória: “9th: Wayne Phases” celebra o saxofonista Wayne Shorter “principalmente aquelas [faixas] em que toca nos discos de Joni Mitchell e alguns de seus sons mais abstratos”. “No final, eu não queria que a música soasse em nada parecido com Wayne”, diz o bandleader. E isso ele consegue, tanto que o acordeom ganha mais espaço que o saxofone, instrumento de Wayne.

“29th, 1936: Me Warn You” usa trechos de um discurso do ex-presidente norte-americano Franklin Roosevelt. Mas a trilha foge de qualquer convenção sonora para esse tipo de proposta: com um clarinete esparso e acordeom fora de qualquer padrão rítmico, o Claudia Quintet mais escapa que encontra algo. É como se mexesse com elementos tradicionais diversos, preferindo trabalhar com fragmentos.

Quem gosta de estrutura rítmica vai entrar na dança de “18th: Lemons”. São 10 minutos de expectativas geradas e quebradas. Tal qual uma banda de rock, o Claudia Quintet parece delinear uma instrumentação quase espiritual. Quando você acha que haverá alguma explosão, a banda breca, dando espaço à microfonia e aos drones.

“20th: Soterius Lakshmi”, que abre o disco, faz referência a dois repórteres: Soterius Johnson e Lakshmi Singh. “Começou como uma peça rítmica e soou para mim como a rádio AM 1010 WINS ou outros temas novos”, diz Hollenbeck. A grande tônica é dada pelas notas soltas do vibrafone, enquanto o acompanhamento dos demais instrumentos forma uma cortina híbrida de andamento quebrado.

O The Claudia Quintet disponibilizou duas faixas de September para audição. Além da já mencionada “Soterius Lakshmi”, é possível se deleitar com “12th Coping Song”, uma peça melancólica que tenta restaurar o clima do 11 de setembro, que chocou o mundo. “Aquela experiência bateu em mim de tal forma que eu percebi que não poderia pensar, ver ou registrar uma data em setembro sem que essas memórias voltassem a mim”.

As duas faixas de September podem ser ouvidas no player a seguir: