A junção do pronome ‘eu’ com o nome próprio Matheus obedece a uma lógica que vai além da produção isolada. Eumatheus é filosoficamente complexo, e ele não fez nenhuma questão de ocultar isso nesta entrevista exclusiva ao Na Mira.
Aos 28 anos, ele acabou de lançar o álbum Transmissões, nada menos que o 23º disco de uma carreira digital que começou em 2010, com [Nick Name] Theu.
Situado na cidade de Jacobina, no extremo norte da bela Chapada Diamantina (Bahia), Eumatheus encapsula deep-house e psicodelia, revelando interesse por mutações sônicas assim como muita gente se vicia por smartphones. “Venho pesquisando a forma como todas as obras antigas, em ogivas, definem na musica, na matéria e no corpo os pontos de todas as vibrações, até então armazenadas de formas diferentes”, revelou o músico.
Filosofia, medicina holística, linguagens computadorizadas e muitos, muitos questionamentos permeiam um papo pinéu, viajante e tão maluco quanto imaginar a substância da metafísica.
Dê o play em Transmissões e confira a entrevista com Eumatheus:
Primeiro de tudo: como você iniciou o projeto Eumatheus?
A iniciação aconteceu no pós-humano. Tal descrição parte das influências possíveis em pigmentações, além das sete notas estabelecidas, mecanismos de tons na escala das cores e vibrações, em uma variação sem limites.
Ou seja, surge sempre, após experimentos, uma explanação da totalidade dos seres em desenvolvimento – definição que abarca todos os ramos de uma estrutura, cujo conteúdo se desenvolve e não sofre interferências na assimilação, segundo a perspectiva do sol em constantes irradiações sobre terra.
Algo de carro a automóvel, de móvel a tabernáculo, etc coisa e tal, multiplicando as proposições, as sentenças, as músicas. E, enfim, iniciando (de novo).
Eis, enfim, a onda do disco: a proposta criptografada da possibilidade de viagens espaciais e pesquisas de estações, construídas por todo o espaço, infinitas civiligações de estruturas não identificadas e pós-humanas
As sonoridades vêm de programas de computador, ou você insere teclados e sintetizadores em suas composições?
Após a iniciação, as aglutinadas formas de vibrações se dão por teclados de computador, simuladores que interagem com os sintetizadores, além de uma escaleta e um violino, para estratégias de zonas energéticas de indução ao ambiente.
Ou seja, em esboços de transmissões, perguntar se você insere em minhas composições, ou se minhas composições são irradiações sem controle, equivale a perguntar se você é responsável pelos seus atos? V e C? Grave e Agudo? 4 e 3? Ego e id? Humano e demasiado humano? Vontade e representação? Mente e cérebro? Inumeráveis substâncias entre a luz e trevas?
Se a substância tiver 4 representações e 3 humanos, e a melodia for inspirada em ego e transmitida em vermelho, há demasiado humano? Aparelhos cognitivos para criptografar e descriptografar os sinais? Tripulações plasmáticas, capazes de abarcar outros planetas, movimentar leis de atração e repulsão dos estágios, em uso restrito? Eis um esboço do que são os sintetizadores sobre as baterias que, enfim, são navegações de mergulhadores.
Transmissões me parece um disco que vê a correria diária como poesia sonora, ou estou errado? Qual é a grande onda deste disco?
Este disco é o 23º sinal aos meus 28 anos. Dez musicas, X, como perspectiva do que seria 00:00 ou 248, cuja frequência 48+48, às 16:20, se dá em 96% do ponto exato em que o tempo parou, e todos correram atrás da parada – cujos 4% de 48, após 16 dias, ouviram, enfim, o Teste de Rorschach [teste psicológico a partir de imagens pictóricas], dando início aos efeitos de transmissões a conteúdos não acessíveis.
Ou seja, o erro não existe, quando há na musica um borrão de tinta sobre a tela de um museu. Eis a transposição de uma exposição! [Linguagens eletrônicas como] W3ME ou 88 de NSLO são tentativas de descrição das regências, que equaliza e identifica os sinais das substâncias. Mas, a onda ultrapassa o campo atmosférico, e a penetração de moléculas sintéticas de um aparelho alto-falante, no organismo, se dá sem bloqueios, sem visualizações e medidas. E o sinal viaja para os mais remotos tripulantes de um universo em cuja questão sempre fiz o movimento de esvaziar.
Se todas as estrelas fossem palavras, saberia o seu destino ao ver estrelas, galáxias, signos? O que significa tudo isso? Tudo é isso? 1550? 03L? VCV? O que são suas transmissões? Aonde começou? A onda termina? Eis, enfim, a onda do disco: a proposta criptografada da possibilidade de viagens espaciais e pesquisas de estações, construídas por todo o espaço, infinitas civiligações de estruturas não identificadas e pós-humanas.
Quais são suas grandes inspirações musicais?
Pra começar, os verdadeiros grooves vêm de Andrew Bird, como em “A Nervous Tic Motion”, e Dosh (“Capture the Flag”), cujas linhas ultrapassam todos os cenários que já conheci em relação às proporções em que se manifesta.
A partir daí, entro pra literatura: Fulcanelli, H.P Blavatsky, Gurdjieff, P.D Ouspensky, Richard Gerber em Medicina Vibracional, Lacan, Freud e principalmente meu amigo João de Fernandes Teixeira, que acabou de lançar o novo livro O Cérebro e o Robô, entre muitos outros.
Tenho interesse em medicina holística, em análises de irisdiagnose, onde venho pesquisando a forma como todas as obras antigas, em ogivas, definem na musica, na matéria e no corpo os pontos de todas as vibrações, até então armazenadas de formas diferentes.
E pra finalizar, mais uma referência: Man Gillian, em “You Were Alive”.
