
A bibliografia musical brasileira acaba de dar um grande passo. Acaba de ser lançado pela Editora Aeroplano o livro Devotos: 20 Anos, escrito pelo jornalista Hugo Montarroyos, que conta a história e as dificuldades da banda de punk rock mais conhecida – e por que não barulhenta – de Recife: os Devotos.
Formada por Cannibal (vocais e baixo), Neilton (guitarra) e Celo (bateria), desde 1988 eles viram na música a iniciativa perfeita para vociferar contra as injustiças sociais de Recife. Porém, diferente dos mangueboys Fred Zero Quatro e Chico Science, que deram uma projeção universal ao manguebit e expuseram o caos da capital pernambucana em canções que misturam gêneros locais (maracatu, coco) com ritmos globalizados (rock, hip hop), o grupo Devotos encabeçou uma nova frente.
Apesar de serem equivocadamente taxados de mangueboys, Cannibal e cia. rejeitam o rótulo e dizem, com todas as palavras, que estão “interessados em tocar hard core”.
Com toda a agressividade do punk rock, o Devotos buscou raízes no som de Ramones e The Clash, munidos de cifras que denunciavam o descaso contra as periferias da cidade. Os próprios integrantes vieram do bairro do Alto José do Pinho, que também revelou o Faces do Subúrbio, grupo que mistura rap e embolada.
Fãs das origens do hard core podem associar o Devotos (que antes era Devotos do Ódio) ao Bad Brains, banda pioneira do ritmo que teve origem em Washington. Os pernambucanos já lançaram seis álbuns e não negam a influência do grupo americano.
Mesmo com todas as dificuldades em gravar álbuns, tocar em casas pequenas e conquistar o grande público, o Devotos tem importante papel na cena musical pernambucana. Retrataram os problemas de Recife à sua maneira com toda a revolta punk. O livro Devotos: 20 Anos registra este grande acontecimento e evidencia a grande representatividade da cultura pernambucana na música brasileira em geral.
