
01 Sunday Morning 02 I’m Waiting For the Man 03 Femme Fatale 04 Venus in Furs 05 Run Run Run 06 All Tomorrow’s Parties 07 Heroin 08 There She Goes Again 09 I’ll Be Your Mirror 10 The Black Angel’s Death Song
11 European Son
Gravadora: Verve
Data de Lançamento: 12 de março de 1967
Na minha lista, este é o maior disco de rock de todos os tempos. Por quê? – você me pergunta.
Ele é um disco imperfeito, do começo ao fim. Só fala de imperfeições.
Em “I’m Waiting For the Man”, ao mesmo tempo em que poderia falar de usuários que estariam à espera do traficante para comprar drogas, também retrata a vida de uma prostituta à espera de algum cliente em um beco obscuro.
“Venus in Furs” menciona o sadomasoquismo para curar o tédio: ‘bata, minha querida, e cure o seu coração’.
Já “Heroin” simula fortes batidas cardíacas elevadas às últimas instâncias.
As guitarras de Lou Reed, o poeta decadente e irremediavelmente resoluto da fedentina que paira no ar, formam um contraponto estético com as linhas de guitarra criadas por Sterling Morrison. Isso é perceptível na maioria das faixas deste que pode ser considerado, 45 anos após o seu lançamento, o primeiro disco de art-rock.
Além de Lou Reed, outra peça-chave aqui é o músico John Cale, responsável pela instrumentação fúnebre, cabisbaixa e quase profética de todo o disco. Nele, o multiinstrumentista toca piano, violino, viola, celesta e baixo.
A própria composição de The Velvet Underground & Nico é imperfeita. Andy Warhol ficou fascinado quando viu a banda se apresentar pela primeira vez em um evento multimídia de artes chamado Exploding Plastic Inevitable, por volta de 1965. Ele adorou a poesia arrastada e voraz de Lou Reed junto com toda aquela instrumentação estranha, e bancou tudo para que a banda conquistasse prestígio e conseguisse um contrato com a Verve Records.
No entanto, impôs que a modelo Nico fizesse parte do projeto. Naturalmente, Lou Reed ficou puto com toda a história, porque achava que ela incompetente para a arte musical. Apesar do conflito, ela contribui com seus vocais misteriosos em “All Tomorrow Parties”, uma balada psicodélica que serviria como introdução de um ritual obscuro. Ela também canta em “Femme Fatale” e na sutil “I’ll Be Your Mirror” que, de acordo com Sterling, foi extremamente difícil para a cantora, que até chegou a chorar nas gravações. Em um momento, disseram para ela gravar a última versão (‘se ficasse ruim, que se foda’, declarou o guitarrista). E aí, finalmente ela conseguiu acertar esta que é uma das mais belas canções do disco.
O niilismo catártico de elementos como o minimalismo de Cale, a poesia surrada de Lou, os vocais gélidos de Nico e as instrumentações pulsantes de Sterling e da percussionista Maureen Tucker naturalmente mudaram o rock de forma nunca antes vista.
No momento do lançamento, o ‘banana album’ vendeu muito pouco, pois, em tempos de beatlemania e da psicodelia das bandas de São Francisco, poucos conseguiriam entender o que realmente significava The Velvet Underground & Nico.
Da poesia à estética, tudo mudou. Sem este disco, o punk rock não teria nascido, David Bowie não teria como sustentar sua androginia (ou tampouco chegar a ela), o gênero se limitaria à cena psicodélica e dificilmente se renovaria, não haveria como lincar outras manifestações artísticas dentro da música e talvez até o rap (!) hoje seria afetado.
Acima de tudo, este é um álbum corajoso, já que não teve medo de assumir a decadência a que estava inserido, além de falar de drogas, prostituição, masoquismo, violência, niilismo e autoindulgência em um momento delicado dos anos 1960 onde a própria voz dos jovens começava a cansar-se de si própria.
O rock tornou-se um gênero de excelência muito por conta deste registro. Deu pra entender, agora?
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A seguir, ouça The Velvet Underground & Nico na íntegra:
Erratas: • Como bem mencionou o comentarista Gui Narkevickz, em nenhum momento a canção “I’m Waiting For the Man” fala de sexo explícito, como estava escrito anteriormente. • E não tem nada de ‘efeito letárgico’ na canção “Venus in Furs”, como antes. Ela fala de sadomasoquismo de forma crua e prazerosamente dolorosa.
• Maureen Tucker é uma percussionista, mulher, e não homem, como estava antes. Valeu pelos toques, Gui.
