01 Refuse/Resist 02 Territory 03 Slave New World 04 Amen 05 Kaiowas 06 Propaganda 07 Biotech Is Godzilla 08 Nomad 09 We Who Are Not as Others 10 Manifest 11 The Hunt 12 Clenched Fist 13 Chaos B.C. 14 Kaiowas (Tribal Jam) 15 Territory (live) 16 Amen/Inner Self (live)

17 Polícia (bonus edição brasileira)

Gravadora: Roadrunner
Data de Lançamento: 2 de setembro de 1993

Era uma multidão de mais de 20 mil pessoas pulando freneticamente ao som de “Refuse/Resist”. Pequenas concentrações de bate-cabeças formavam muitos movimentos de socos, pontapés e empurrões motivados por riffs pesados e vocais urrados. Quem cantava ali era o lendário Max Cavalera, com a bateria idônea de um dos maiores naquele instrumento: o irmão Iggor Cavalera.

Não se tratava do Sepultura. A formação clássica, que incluía o guitarrista Andreas Kisser e Paulo Jr. no baixo, se desvaneceu por volta de 1996, quando os irmãos Cavalera tiveram uma briga feia que durou mais de uma década. Ali, era o Cavalera Conspiracy na primeira edição do SWU, e o que essa música representou para aquela vastidão resume bem a influência do período áureo do Sepultura.

Não é à toa que é a banda brasileira de maior reconhecimento internacional. E não é à toa que Chaos A.D. estabeleceu a ponte perfeita entre o thrash metal feito anteriormente pela banda com uma espécie de tradição tribal da música brasileira. Porque, por mais que o peso torne tais referências um tanto periféricas, o Sepultura instaurou um jeito de fazer metal que não encontraria paralelos – nem mesmo sua formação após a entrada de Derrick Green conseguiria dar continuidade ao que foi iniciado em Chaos A.D. e levado a outras direções no posterior Roots (1996).

Sendo assim, os 20 anos deste disco não é e nem deve ser apenas uma menção de nossas terras tropicais. Os cruzamentos com referências brasileiras e uma desaceleração proposital em relação aos também elogiados Beneath the Remains (1989) e Arise (1991) tornaram as mensagens políticas mais enfáticas. O clipe de “Territory” foi gravado numa área deserta, mas tinha como foco o conflito israelo-palestino. E o refrão viciante de “Propaganda” foi durante um bom tempo um guia para jovens daquele tempo não se deixarem alienar pelo status quo e pela mídia cáustica: ‘Não, não acredite no que você vê/Não, não acredite no que você lê/Não!’.

Se por um lado Arise foi crucial em estabelecer ‘hits’ aos metaleiros e, principalmente, neófitos no gênero, Chaos A.D. encontraria o ápice nesse quesito. Além das mencionadas “Refuse/Resist”, “Territory” e “Propaganda”, o Sepultura divulgou como single “Slave New World”, carregando mais uma de suas composições libertárias: ‘O sangue ferve dentro de mim/Não somos escravos, somos livres’.

Por mais que cante (ou urre) em inglês, o Sepultura é uma banda brasileira, e “Amen” faz todo o sentido quando se põe em xeque esse contexto. A faixa fala de ‘Deus’, mas não tem a pretensão de usar seu nome em vão. Nela, há o desespero de um rapaz de visões apocalípticas, com medo do que o real pode lhe oferecer. O que poderia ser motivo de injúria ou confronto direto com a religião no lápis de outros metaleiros, para o Sepultura tem mais a ver com o clamor por salvação: ‘A hora é essa/O sacrifício de deus’. Afinal, a banda é de um país tradicionalmente católico. (Há de se questionar se é uma resposta ou continuação de “Jesus Saves”, do Slayer.)

Apesar de ser uma das faixas menos expressivas do disco, a instrumental “Kaiowas” é uma notável transição da banda. É ouvir e comentar: aqueles caras escutam Hermeto Pascoal – e gostam daquilo. Mais abrasileirada e carnavalesca é “Chaos B.C.”, que jorra riffs em baterias de escola de samba. (Vale dizer que “Chaos B.C.” integra apenas a versão deluxe, que saiu posteriormente. Esta versão também traria mais um cover feito pelo Sepultura, além de “The Hunt”, do New Model Army: é o caso de “Polícia”, dos Titãs, que saiu apenas na edição de relançamento nacional.)

Mesmo as canções menos faladas como “Clenched Fist” e “We Who Are Not As Others” carregam um frescor de uma banda que estava afim de explorar novos territórios. E, se “Biotech is Godzilla” não tornou-se um hit instantâneo do Sepultura, uma única audição fará o serviço.

Caso você seja um dos muitos que resistem ao metal e à música pesada, Chaos A.D. é não a mais oportuna, mas a melhor opção para deixar levar-se pelo gênero (eu até citaria o Roots, mas muito provavelmente ele não faria o serviço completo de deixar o ouvinte interessado por mais discos de rock pesado, já que se encaixa em outra busca da banda).

Nem é preciso muitos minutos para puxar novos ouvintes. Se “Refuse/Resist”, que é a primeira faixa, não te instigar a fazer alguma coisa, bom, esqueça essas últimas linhas.

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A seguir ouça Chaos A.D., do Sepultura, na íntegra: