01 Dance Enquanto é Tempo 02 É Preciso Amar 03 Rodésia 04 Márcio, Leonardo e Telmo 05 Sentimental 06 Nobody Can Live Forever 07 Me Enganei 08 Manhã de Sol Florida, Cheia de Coisas Maravilhosas 09 Brother, Father, Sister and Mother 10 Batata Frita, o Ladrão de Bicicleta

11 The Dance is Over

Tim Maia (1976)

Ano: 1976
Gravadora: Polydor

Estou sofrendo/Mas não largo o osso’, canta o Síndico em “Sentimental”, canção que diz muito sobre este álbum. A instrumentação, feita na Seroma, continua afiada. O tal baixo ‘funky machine’ de Antônio Pedro marca bastante presença, mas o fato é que o tijucano sofria por não conseguir emplacar mais nenhum hit poderoso. “Dance Enquanto é Tempo” tem um gingado mas, comparado com as pancadas que ele já havia feito antes (“Não Quero Dinheiro”, “Canário do Reino”), está um pouco aquém. Ele fala de se soltar, e esperamos algo furioso que, com a sequência de “É Preciso Amar”, nos arremessa lá pra baixo. Já com 33 anos, nada mais natural do que citar os novos parentes em “Marcio, Leonardo e Telmo” e nos mostrar que os gloriosos tempos de outrora passaram em “The Dance is Over”. Como as músicas em inglês de Tim geralmente passam batido, muitos podem ter cometido o erro de não prestar atenção em “Nobody Can Live Forever”. Puro soul music, com a voz do Síndico impondo aquela autoridade que lhe é usual de surpreender um certo Al Green. “Manhã de Sol Florida, Cheia de Coisas Maravilhosas” é uma balada de emocionar os casais mais experientes devido à sua orquestração. Mas Tim Maia, que não perde o balanço, deu um jeito de inserir um slap ou outro dentro da canção, para que ela não perdesse a sua identidade.

Ouça: “Nobody Can Live Forever”

01 Pense Menos 02 Sem Você 03 Verão Carioca 04 Feito para Dançar 05 É Necessário 06 Leva o Meu Blue 07 Venha Dormir em Casa 08 Música para Betinha 09 Não Esquente a Cabeça 10 Ride Twist and Roll 11 Flores Belas

12 Let It All Hang Out

Tim Maia (1977)

Ano: 1977
Gravadora: Som Livre

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Mais um disco do Síndico desprovido de hits. Se no trabalho anterior havia uma tentativa de abraçar novamente seu antigo público, com este disco vemos que ele já está cansado de tais esforços. “Venha Dormir em Casa” tem um tempero timmaiano no quesito estética, instrumentação e sentimentalismo. Mas os ouvidos espertos vão notar que falta alguma coisa. Talvez um urro a mais. Uma entrega maior. Não dá pra dizer bem, mas não se pode negar que a música é boa. O bom deste álbum é que não fica aquele ar de ‘não consigo fazer nada decolar, vou entregar qualquer coisa’. Longe disso. “Pense Menos”, que abre o disco, é positivista e carrega aquele clima disco-soul que o músico já havia abraçado há um bom tempo – e seria levado ao extremo no álbum que sucede esta obra. Destaque para “Não Esquente a Cabeça”, mais uma de suas composições simplesmente geniosas: ‘Não se aborreça/Não esquente a cabeça/o negócio é saber filosofar/Vamos não se iluda/Vê se ajuda quem te ajuda/(…)Não está errado/Se solteiro ou se casado/O negócio é viver em paz’. Neste álbum, Tim manda um rock’n roll com vigor em “Ride Twist and Roll”, de fazer pular nas pistas. Para continuar lá, “Feito Para Dançar”: uma funk-session com muitos wha-whas e efeitos nos teclados, pra ninguém botar defeito. Mesmo quando não emplaca hits, Tim Maia mostra que tem uma habilidade nata de nos fazer mexer o esqueleto.

Ouça: “Não Esquente a Cabeça”

01 A Fim de Voltar 02 Acenda o Farol 03 Sossego 04 Vitória Régia Estou Contigo e Não Abro 05 All I Want 06 Murmúrio 07 Pais e Filhos 08 Se Me Lembro Faz Doer 09 Juras

10 Jhony

Tim Maia Disco Club

Ano: 1978
Gravadora: WEA

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Os anos que sucederam sua fase Racional não foram tão iluminados quanto os da primeira metade dos anos 1970. Bom, a luz que faltava realmente voltou a brilhar neste radiante Disco Club. Tim Maia voltou às paradas, reconquistou seu público e angariou muitos e muitos outros. Motivos não faltavam. “A Fim de Voltar” tem tudo a ver com o momento que o Síndico estava passando. ‘Não tem jeito de ficar/Ficar satisfeito/Numa legal/Se você não me ajudar agora!’ Como se fosse a última arma do músico para voltar ao topo. Mas, calma, ele não chega a apelar. Disco Club é o resultado final de uma transição musical que já estava acontecendo desde o último volume de sua fase Racional. Os arranjos metálicos da disco music já davam os ares da graça em canções anteriores. Mas aqui é onde ela realmente abraça tudo. E a coisa só melhora quando se tem nos créditos a participação da Banda Black Rio, o parceiro Hyldon e o guitarrista Pepeu Gomes. Pode colocar o globo de prata, as luzes, fumaça e botar pra dançar! ‘Se alguém ligou/Acenda o farol/Acenda o farol’ – de “Acenda o Farol”. “Sossego”, que resgata aquela estética funky da pesada, é de elaborar passinhos: ‘Ora bolas/Não me amole/Com esse papo/De emprego/Está vendo?/Não tô nessa/O que eu quero: sossego’. Cara, se você nunca dançou esse clássico nas pistas (seja nas festas familiares mais comprometedoras a bailes de música negra), tenho que te dizer que há uma reticência grande na sua linha do tempo da diversão. É no Disco Club também que está uma das composições mais lindas de Tim Maia. ‘Juro não ser mais/Um bobão/Hoje resolvi mudar/Vou cantar, vou cantar’. Sabe de qual estou falando, né? Da dor de corno não resolvida de “Se Me Lembro Faz Doer” que, apesar de ter sido castigada por alguns grupos pagodeiros anos depois, continua emocionando como nunca. Que retorno, Tim!

Ouça: “Sossego”

01 Boogie Esperto 02 Eu Só Quero Ver 03 Vou com Gás 04 Pra Você Voltar 05 Geisa 06 Vou Correndo te Buscar 07 Lábios de Mel 08 Reencontro 09 Foi para o seu Bem 10 Canção para Cristina 11 Pára com Isso

12 Garça Dourada

Reencontro

Ano: 1979
Gravadora: EMI-Odeon

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“Boogie Esperto” abre o disco dando a impressão de ser uma espécie de continuação da fase que veio com o álbum anterior. Os naipes de metais fortes com a bateria acelerada oferecem o arsenal perfeito para se equiparar a um James Brown (claro que muito disso deve ser creditado à excelente Banda Black Rio, que mais uma vez acompanha Tim Maia). Essa estética faz uma ponte com seu estilo romântico, coisa que o Síndico já emenda em “Eu Só Quero Ver”, com arranjos do jovem Lincoln Olivetti, que também toca teclados – e tornou-se um de seus maiores parceiros musicais. Em “Canção Para Cristina”, Tim Maia diz voltar a ter vontade de amar – um sentimento comum a um homem que está chegando aos 40. “Vou Com Gás” funciona como uma sequência de “Sossego” – a instrumentação é bem parecida. Talvez pelo grande sucesso do single, Tim Maia aproveitou a levada, uma pequena homenagem ao estado de Minas Gerais. O álbum funciona bem mas, equiparado à explosão de Tim Maia Disco Club, é apenas uma molécula. Esqueça qualquer comparação, e você vai se entregar à bela “Pra Você Voltar” e ao boogie poderoso de “Para Com Isso” (obrigatória em festas revival) como se estivesse em um baile dos anos 1980.

Ouça: “Reencontro”

01 Você e Eu, Eu e Você (Juntinhos) 02 Não Vá 03 Tudo Vai Mudar 04 Nissei Linda, Linda Nissei 05 Nossa História de Amor 06 Nosso Adeus 07 Não Fique Triste 08 Está Difícil de Esquecer 09 Meu Samba

10 Doeu mais que Doer

Tim Maia (1980)

Ano: 1980
Gravadora: Polydor

Este é o último álbum da fase ‘disco’ que começou com o antológico Tim Maia Disco Club – e também o último com a Banda Black Rio. Apesar de muitos gostarem dessa faceta do Síndico, ele causava uma briga danada em cada gravadora que pisava o pé, já que elas exigiam sucessos. De volta à Polydor, algumas canções de pista novamente dão os ares, como é o caso da ótima “Não Vá” e o baile envolvente de “Você e Eu, Eu e Você (Juntinhos)”. Mas, não dava pra forçar: Tim não estava mais naquela empolgação de dois anos atrás. Por mais que gostasse da agitação funky, também imperava a vontade de mostrar quem era o verdadeiro cara por trás daquele figurão bizarro que faltava a shows e gostava de um whisky. Isso ele consegue fazer com êxito em “Tudo Vai Mudar”, inserindo o ritmo contagiante do bongô numa orquestração R&B. O velho parceiro Cassiano volta a contribuir com Tim em “Não Fique Triste”. Tim Maia, que costuma dar a versão definitiva das canções em que põe a voz, também rouba a cena em “Nosso Adeus”, composição de Beto Cajueiro e Paulo Zdanowski. E, pela primeira vez, declara seu amor ao samba em “Meu Samba”: ‘Meu samba/Tem seu lugar/De real valor/De valente condutor/Balanço bom’.

Ouça: “Não Vá”

01 Nuvens 02 Outra Mulher 03 Ar Puro 04 O Trem – 1ª Parte 05 A Festa 06 Apesar dos Poucos Anos 07 Deixar as Coisas Tristes para Depois 08 Ninguém Gosta de se Sentir Só 09 Hadock Lobo Esquina com Matoso 10 O Trem – 2ª Parte 11 Casinha de Sapê

12 Sol Brilhante

Nuvens

Ano: 1982
Gravadora: Seroma

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Ficar indo de uma gravadora pra outra, brigando para conseguir o que quer, não era pra Tim Maia. Ele queria ditar seus próprios rumos artísticos sem a interferência de empresário nenhum. Foi então que ele decidiu retomar com a Seroma para gravar o álbum Nuvens. Ele foi lançado dois anos depois do último porque o Síndico criou sua própria estratégia de divulgação: lançou um single, que tinha como lado B “Do Leme ao Pontal” (que nem ele esperaria que fosse estourar tanto), para angariar uma boa verba e distribuir o disco de forma mais ampla. No entanto, por mais que se esforçasse, a Seroma não tinha essa influência toda das grandes gravadoras – e com Tim Maia se recusando a jabás e ‘festinhas de lançamento’, então! Desta forma, foram comercializadas poucas unidades deste que é um dos maiores discos do mestre. Ele está livre para explorar os campos musicais que lhe dão na telha: começa com a levadinha bossa da faixa-título (escrita por Cassiano e Deny King), vai para o xamego bom (clara influência do samba) de “Outra Mulher”, até chegar no soul ‘na medida’ de “Ar Puro”, onde Tim Maia mostra pleno vigor para nos dizer que devemos ‘cuidar do ar’. Em “A Festa”, ele deu seu próprio jeito para simular um ambiente alegre: pediu pra galera do estúdio bater palmas e dar risadas. O baixo de Rubens Sabino agita como se fosse um som de fundo. Quando entram os solos de metais, tudo se apimenta. Em Nuvens, o Síndico registrou algumas de suas canções mais tristes: “Deixar as Coisas Tristes Pra Depois”, composição de Pedro Carlos Fernandes; e “Ninguém Gosta de Se Sentir Só”, de sua autoria, onde traça o seu perfil como nenhum outro conseguiria: ‘Tenho um gênio forte/Sou um pouco abusado/E com fama de doidão’. Sem esquecer de sua linda versão para “Casinha de Sapê”, de autoria de Hyldon. É de fazer chorar de tão linda! Certos músicos acabam se perdendo quando vão por vias independentes. Mas um mestre como Tim Maia sempre soube o que quis e onde chegar. Precisava da liberdade. Pode não ter conquistado sucesso comercial com Nuvens, mas deixou cravada uma das mais belas obras de toda a música brasileira.

Ouça: “Casinha de Sapê”

01 O Descobridor dos Sete Mares 02 Terapêutica do Grito 03 Pecado Capital 04 Mal de Amor 05 3 em 1 06 Neves e Parques 07 Rio, mon Amour 08 Me Dê Motivo 09 Olá (Emoções)

10 Essa Dor me Apanha

O Descobridor dos Sete Mares

Ano: 1983
Gravadora: PolyGram

A faixa-título deste disco é irresistível. Com uma pegada que lembra bastante “Acende o Farol”, o Síndico puxa o groove ovacionando algumas das mais belas praias que temos em nosso Brasilzão: ‘Pois bem cheguei/Quero ficar bem à vontade/Na verdade eu sou assim/Descobridor dos sete mares/Na verdade eu quero’, e entra um naipe nervosíssimo de metais. É, parceiro, parece que o Tim Maia explosivo do Disco Club está de volta. Bem, pelo menos era o que a PolyGram queria, para alavancar as vendas. Quem assina a composição de “O Descobridor dos Sete Mares” é a dupla Michel e Gilson Mendonça, que a partir de então colaboram com várias faixas para o Síndico (deste álbum eles também assinam a ‘loucura legal’ de “Pecado Capital” e a reflexiva “Neves e Parques”). Talvez pela pressa da gravadora em lançar o disco, há poucas canções de autoria de Tim Maia. Com exceção da brincalhona “Terapêutica do Grito” e da quase-empírica “Essa Dor Me Apanha” (com belo acompanhamento de flauta do próprio Tim), todas as demais composições são de outros autores. Destaques para “Rion Mon Amour”, do eterno colaborador Cassiano; e a sofreguidão impassível de “Me Dê Motivo”, música de Michael Sullivan e Paulo Massadas que ficou im-pe-cá-vel na voz do Síndico.

Ouça: “O Descobridor dos Sete Mares”