Gravadora: Transgressive/Mom & Pop
Data de Lançamento: 16 de outubro de 2015

Alan Palomo estava voltando do último show da turnê de Era Extraña (2011), de seu projeto Neon Indian. Bêbado, bateu a porta do apartamento, que divide com colegas, às 7:30 da matina. Quando entrou, a surpresa: o laptop, que registrava as demos do que deveria ser seu próximo disco, simplesmente havia sumido.

“Fiquei feliz [depois] porque apenas caminhei, praticamente inatingido”, contou Palomo à SPIN. “Apenas perdi, sabe, algumas horas de música”.

Isso foi em 2011, e explica parcialmente a demora para a chegada de VEGA INTL. Night School. Nesse período, a chillwave, o gênero que sua música foi associada por dar um novo sentido à predominância dos synths oitentistas, desenvolveu-se até quase se dissolver. (O nome mais benquisto dessa seara foi Toro Y Moi, que aumentou sua popularidade após uma sequência de três discos – com destaque para Anything in Return, de 2013).

É mais Washed Out que Toro Y Moi, mas se os paralelismos são realmente vindouros, é mais oportuno dizer que o projeto de Alan Palomo se identifica melhor com a viagem sônica do Dâm-Funk

Nesse ínterim, Palomo decidiu voltar a estudar cinema. Chegou a escrever um roteiro de sci-fi de terror e vai aparecer num filme de Terrence Malick, até que a luz emergencial do Neon Indian piscou novamente.

Focado na EDM e na música de clubes, surgiu o terceiro álbum, VEGA INTL. Night School.

Voltemos, então, aos anos 1980. O terceiro disco de Neon Indian retoma à década mais prolífica da música dançante, mas não sem acréscimos. VEJA INTL. é mais ofuscadamente psicodélico, com lampejos noisy, interjeições funky e sintetizadores que alinham a maximização dos volumes com a mesma energia que mantém os padrões rítmicos.

Com 14 músicas e mais de 50 minutos de duração, o Neon Indian vale-se de um aspecto criativo que fugiria sem culpa alguma do rótulo chillwave. É mais Washed Out que Toro Y Moi, mas se os paralelismos são realmente vindouros, é mais oportuno dizer que o projeto de Palomo se identifica melhor com a viagem sônica do Dâm-Funk – especialmente o recente Invite the Light.

O álbum tem seus acenos com as pistas, mas reforça mais a excentricidade do músico que uma cartilha baladeira. Os slaps envolventes cativam de primeira em “Annie” e “Techno Clique”, mas a embolada dos sintetizadores em “Street Level” e “Bozo” aproximam o Neon Indian ao P-funk e cosmic-funk, subgêneros que têm despertado mais interesse em produtores ambiciosos que galgam novos caminhos no funk.

Palomo ainda está longe de ser considerado um expert neste ramo, tão intrínseco à música negra. Não se pode esquecer que rótulos como indie e eletrônica estão condensados na cena em que o Neon Indian se envolve. O que favorece VEJA INTL, porém, é o arremedo dessas batidas: em “The Glitzy Hive”, ele parece arremessar os elementos como se fossem esferas ao ar, capturando as que consegue sem descartar as que se espalham.

A sequência “Slumford” e “Slumford Re-lease” dinamiza o que pode ser considerado ‘som estroboscópico’. Começa lenta, fica ágil, borbulhante, se torna pop e derrete-se num clima retrô.

“C’est La Vie (Say the Casualties)” enaltece todos os exageros daquelas trilhas oitentistas, enquanto “61 Cygni Ave” mostra que o que denominamos chillwave também pode agregar dub e dancehall.

Ao unir a conjuntura sonora dos dois álbuns anteriores do Neon Indian e seu interesse pela música de clube, Palomo fez uma interessante associação: “não vale mais a pena dividir os cabelos”. E, da dança, surgiu seu disco mais subversivo.

Outros lançamentos relevantes:

Deerhunter: Fading Frontier (4AD)
Majical Cloudz: Are You Alone? (Matador)
Son Little: Son Little (Anti)
!!!: As If (Warp)
Nauí: Atormentado (Independente)
Beach House: Thank Your Lucky Stars (Sub Pop)