Gravadora: Hanz On Music/Tommy Boy Entertainment
Data de Lançamento: 21 de agosto de 2015

The Meth Lab é daqueles discos que correm o risco de serem previamente classificados antes de sua audição. Não, ele não representa renovação no contexto do hip hop como um todo; significa, por outro lado, o desenvolvimento de uma linguagem muito cara a Method Man: as simbologias.

Filmes de samurai e séries de ação são elementares em sua obra. As referências perpassam as rimas como se incorporar tais simbologias fosse algo banal – ou uma espécie de ‘ideal de conversas de bar’, onde, num mundo perfeito, todos entenderiam as associações que criamos com personagens da cultura pop. (E esses personagens nem precisam ser cult: em “Let’s Do It”, da trilha sonora de How High (2001), Method Man foi de Pânico a Jurassic Park em suas rimas.)

The Meth Lab mostra Method Man surfando em outros grooves. O fato de se desprender ao onipresente RZA (que produziu a maioria de seus discos) não afetou em nada a dinâmica de seus vocais semigraves.

Quase uma década desde 4:21… The Day After (2006), Method Man mostra certa deferência ao seriado Breaking Bad. “Não que tenha inspirado o disco”, contou o rapper ao Village Voice. “Também não é uma coincidência, é apenas um ‘yeah, por que não ter referências a ele?’ Seria um desserviço se não tivesse”.

A correlação justa que podemos fazer entre Method Man e o personagem Walter White tem a ver com refinamento. Walter aprimora a droga em busca de uma persona que supere as dificuldades da vida real – vida que, por outro lado, o rapper, aos 44 anos, parece conhecer muito bem. ‘Sou forte no capô/Tô numa boa posição/Quando ando eles saudam/Quando falo todos ouvem’, diz em “Straight Gutta”, partindo de uma reputação construída há mais de 20 anos, da estreia bombástica do Wu-Tang Clan aos ambiciosos projetos solo – que incluem papeis como ator na TV em The Wire, How High, CSI entre outros.

“Straight Gutta” retoma uma parceria muito bem-sucedida com Redman, com quem gravou discos conjuntos como Blackout! (1999) e Blackout! 2 (2009). Outro camarada conhecido que colabora é Masta Killa (também do Wu-Tang): em “Intelligent Meth”, o reconhecido produtor 4th Disciple insere a produção sobre pianos clássicos com snippets monstruosos para que a dupla arrebente, remetendo ao poderoso Wu-Tang Forever (1997).

Produzido por Hanz On, The Meth Lab mostra Method Man surfando em outros grooves. O fato de se desprender ao onipresente RZA (que produziu a maioria de seus discos) não afetou em nada a dinâmica de seus vocais semigraves.

Se esse era um estigma a combater, o rapper levou isso a sério: neste álbum são extensas 19 canções, com direito a “Intro” e “Outro”. Sua versão deluxe conta com todas as bases instrumentais, todas notáveis de diferentes formas.

Outros lançamentos relevantes

The Foreign Exchange: Tales From the Land of Milk and Honey (Foreign Exchange Music)
Royal Headache: High (What’s Your Rupture?)
Battlecross: Rise to Power (Metal Blade)
The Telescopes: Hidden Fields (Tapete Records)
Barrence Whitfield & The Savages: Under the Savage Sky (Bloodshot)
Guy Fox: Night Owl (Independente)