Além de ser a mente criativa do Animal Collective, Noah Lennox segue com prolífica carreira solo como Panda Bear

Panda Bear – Tomboy

Há muitos casos em que os próprios artistas são mais conhecidos que suas músicas, mesmo no cenário alternativo. Às vezes Noah Lennox se depara com esse paradigma, seja a frente do seu estranho grupo Animal Collective ou em seu projeto solo, Panda Bear.

Sempre que leio algo sobre o artista na internet, vejo um monte de gente elogiando o tal do Person Pitch, seminal trabalho de 2007. E quando vejo os motivos… me decepciono com argumentos que se esvaziam na complexidade de termos como ‘inovador’ ou ‘uma nova busca estética’.

Dos efeitos vocais à lá Brian Wilson às experimentações eletrônicas do Daft Punk, Panda Bear extrai múltiplos caminhos sonoros de forma natural em seu quarto álbum

De fato, Person Pitch é tudo isso, mas esquecem de citar as estranhas influências que permearam o já clássico terceiro trabalho solo de Lennox: os efeitos vocais de Brian Wilson, algumas experimentações eletrônicas que traçam um longínquo paralelo com Daft Punk e o aproveitamento de sonoridades ambientes tal qual Brian Eno. (Sem falar as diversas outras que fogem do conhecimento musical deste que vos escreve.)

Talvez alguns esqueçam de mencionar que qualquer trabalho tocado por Panda Bear é algo de difícil audição. Mesmo Merriweather Post Pavilion, que veio para romper um pouco desse afastamento com o grande público ao inserir trejeitos da indie music, dificilmente passa pelo teste de ser escutado por ininterruptos 30 minutos por alguém que não se identifica com ritmos experimentais.

Ok, o Panda Bear realmente não precisa disso. Já está no topo dos ‘new cyber musical cults’ por sua virtuosa capacidade de misturar distintas sonoridades sem que fuja de uma suposta unidade sonora.

Quando faixas como “Tomboy”, do novo disco, chegam a supor melancolia demais, eis que em seguida “Slow Motion” e “Surfer’s Hymn” trafegam pela segura via repetitiva de instrumentos de corda/pontuações percussivas/sonoridades subaquáticas/vocais oníricos. Essa simbiose resulta em algo inovador, por permitir que múltiplos caminhos sonoros sejam extraídos de forma natural. Trabalhar essas sonoridades tem sido o ponto-chave da carreira de Panda Bear, e o quarto disco, Tomboy, faz com que a inovação prevaleça à fórmula musical. Se isso pode cansar, só o tempo e as diretrizes do artista irão provar.

Tomboy é um álbum sepulcral e ao mesmo tempo imprevisível: jamais saberemos como se dará a ebulição de sentimentos e fatores emocionais no decorrer de sua audição. Mas não dói nem um pouco regozijar-se com pérolas experimentais como “Last Night at The Jetty” e “Friendship Bracellet”. Um álbum de dúvidas. Dúvidas que todos deveriam implantar em suas cabeças (ou ouvidos?).

Ouça Tomboy na íntegra:

Melhores Faixas: “Slow Motion”, “Surfer’s Hymn”, “Last Night at The Jetty” e “Friendship Bracellet”.