
Mombojó – Amigo do Tempo




Na semana passada, o grupo Mombojó disponibilizou em seu site seu terceiro álbum de estúdio, Amigo do Tempo.
Após um jejum de quase 5 anos, a banda pernambucana retoma sua sonoridade característica com pequenos retoques psicodélicos.
Além das músicas contagiantes meio melancólicas, que lembram um pouco a fase áurea dos Los Hermanos, neste novo trabalho Felipe S. (vocal e guitarra), Chiquinho (teclado e samplers), Marcelo Machado (guitarras), Samuel (baixo) e Vicente Machado (bateria) ousam mais nos gêneros musicais explorados, flertando de maneira mais descompromissada com o rock, além da influência já registrada nos álbuns anteriores do ska, surf music e lounge.
Diferente da cena emergente de Pernambuco – que estourou, principalmente, com o movimento manguebit de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A – Mombojó busca referências mais líricas em seu trabalho. “Entre a União e a Saudade”, primeira faixa do álbum, traz a sonoridade típica que marcou os trabalhos anteriores NadadeNovo e Homem-Espuma.
Em seguida, segue “Antimonotonia”, uma espécie de surf music que acompanha um teclado pontuado com solos de guitarra de ska. Com uma voz mais grave, Felipe divaga sobre o corriqueiro cotidiano de um cidadão qualquer que pretende fugir da monotonia diária. É a faixa mais instigante do álbum: realmente incita o ouvinte a largar tudo de lado e pular como um maluco para curtir a linda sonoridade clássica sampleada com um solo irreverente de guitarra e teclado.
Além destas faixas, pode-se destacar:
• “Casa Caiada”: hit certeiro, já está na programação de algumas rádios mais alternativas. Seu ritmo suave é composto por uma construção poética que reflete passagens de um jovem urbano que demonstra pequenos conflitos existenciais ao andar na rua. “Casa caiada não sou mais quem fui / Sinto o perigo em qualquer lugar“.
• “Triste Demais”: com uma introdução que lembra bastante trilha de jogos de videogame antigos, a canção faz jus ao nome com uma pegada mais lenta e ao mesmo tempo mais envolvente, como se quisesse compartilhar com o ouvinte a infeliz sensação de querer resumir a vida “triste demais pra televisão”.
• “Amigo do Tempo”: a faixa-título traz uma letra interessante: “Almejo ser o amigo do tempo/dar cabimento para o ócio é que não dou“. Nada de surpreendente se for comparar com outras cifras do grupo, mas demonstra que o grupo não mudou suas diretrizes musicais para um pop mais contaminado. Apesar de não ser tão dançante como outras canções, é ideal para ser escutada em um ambiente mais calmo que seja propício à reflexão.
Numa primeira audição, o álbum Amigo do Tempo pode soar meio repetitivo e por vezes chato. Mas é só primeira impressão. Ao atentar para os detalhes, é fácil descobrir canções incríveis e empolgantes como “Papapa” e “Passarinho Colorido” ou mesmo mais psicodélicas como “Qualquer Conclusão”, sampleadas com sonoridades eletrônicas mais graves.
Quem já é fã de Mombojó de longa data vai gostar bastante do álbum, mesmo que ele não tenha um peso tão grande quanto o ‘debut’ NadadeNovo. Quem ainda não conhece, recomendo que faça o download no site da banda. Vale a pena ouvir!
