Gravadora: Reprise
Data de Lançamento: 20 de junho de 2014
Falar de Mastodon é encarar o heavy-metal mais com emoção que intelecto. E o passar dos anos tem sido justo com eles: no 6º disco, já atingiram a 6ª posição na lista dos mais vendidos da Billboard, nos Estados Unidos.
Estamos diante de um novo Metallica ou Iron Maiden?
Ainda que arrepie muitos metaleiros por aí, o grupo da Georgia (EUA) ainda não ostenta todo esse reconhecimento no Brasil. A justificativa mais aproximada? O grande público de cá não assimila tão bem as modulações vocais que se tornaram característica do grupo.
O meio-termo entre progressivo e sludge-metal é algo que ainda se encara como novidade por aqui.
Ok, em tempos de internet novidade não haveria de durar uma década para ser entendida, mas o fato é: não se vislumbra, em um futuro recente, grande aumento de público do Mastodon a termos de um Manowar ou Dream Theater. Por aqui, ainda não.
Pesa nessa clausura o fato de que o Mastodon carrega parte de sua complexidade musical nas letras de suas composições. Ainda que os CifraClub e Vagalume tenham sua importância neste aspecto, por enquanto permanece certa distância entre o neófito (brasileiro) do metal e o Mastodon.
Isso é uma pena. Porque o sexto álbum, Once More ‘Round the Sun, parece ter sido criado com o propósito de trazer os desconhecidos ao seu som.
Não que seja usado como comparativo com discos anteriores, mas parece que o guitarrista Brent Hinds se superou nos seus riffs. Catalisa bem os urros em “Tread Lightly” e “High Road” e devolve com eficiência bárbara sua porrada sonora. A vontade é de gritar antes de qualquer outro integrante da banda…
Quem já deu murros ao vento ao som do anterior The Hunter (um dos melhores discos de 2011) não encontrará muitas novidades neste novo registro.
É um passo ainda mais seguro da banda, que fortaleceu sua posição no gênero após trabalhar em discos conceituais, como Leviathan (2004) e Crack the Skye (2009).
Cada faixa de Once More ‘Round the Sun vende bem como se fossem singles separados. Seja na construção stoner de “Asleep in the Deep” ou no riff virtuoso bem sujeira de “Aunt Lisa”, o Mastodon parece justapor todos os territórios que naturalmente explora em faixas de 4, 5 minutos. É como se cada take fosse uma epopeia, pronta para tilintar os ouvidos.
Discutir sobre qual seria a melhor ou pior faixa de Once More… é algo pessoal demais. Todas elas reúnem elementos poderosos de um grupo que soube, sem muitos esforços, esticar as possibilidades do metal.
É bom pra agradar chatos e simpáticos.
Se o tempo continuar a favor, motivos não faltarão para vermos mais e mais camisetas do Mastodon circulando pelas galerias de rock Brasil adentro.
