
Billy Cobham em foto de Thaís Viveiro
Um dos principais nomes do fusion-jazz, o virtuoso baterista Billy Cobham apresentou ontem no Sesc Pinheiros, em São Paulo, uma homenagem ao trompetista Miles Davis, dando ênfase à sua fase elétrica.
Além da estrela de Cobham brilhar um pouco mais, seu time impecável de músicos aproveitou bem as oportunidades que teve para surpreender – ou estranhar – os ouvintes.
Baterista centrou seu repertório nos álbuns Fruit From the Loom (2008) e Palindrome (2010)
Junior Gill foi um dos principais: tocador de steelpan, um instrumento percussivo cheio de efeitos eletrônicos oriundo de Trinidad e Tobago, ele simulou instrumentos de metais e eletrizou de forma impactante, que não tinha como o ouvinte ficar passivo sem fazer alguma careta, soltar um riso, se regozijar – ou até se incomodar.
Um dos grandes pontos altos da apresentação veio com a performance do tecladista Christophe Cravero que, partindo da escola de Herbie Hancock, variou muito bem com suas notas em staccato e uma habilidade vertiginosa e ágil. Em temas como “Obliquely Speaking” e “Two for Juan”, Cravero intercalou calmaria e agressividade em momentos de pouca quietude em diálogo com o guitarrista Jean Marie-Ecay.
Além deles, integrava a banda de Cobham o baixista Michael Mondesir e o percussionista brasileiro Marco Lobo, responsável pelos efeitos sobrenaturais que simulavam pássaros irrequietos, rituais tribalísticos e muitas outras esquisitices durante uma apresentação que deixaria Hermeto Pascoal orgulhoso.
O repertório do show variou entre as principais músicas do grupo de Billy Cobham, centrando nos seus discos mais recentes: Fruit From the Loom (2008) e Palindrome (2010).
A apresentação era parte de uma homenagem do Sesc ao trompetista Miles Davis, que ajudou Billy Cobham a direcionar seu foco musical a partir de 1969 no disco Bitches Brew, um dos principais álbuns do fusion jazz. Com Miles Davis, Cobham tocou até 1972, ano de lançamento do experimental On the Corner, que trazia uma proximidade do jazz com funk e elementos musicais do gueto.
Entretanto, Cobham decidiu homenagear o trompetista tocando temas do disco E.S.P., o primeiro álbum de Miles com o seu segundo grande quinteto (que tinha Herbie Hancock, Tony Williams, Wayne Shorter e Ron Carter), cujo grande mérito foi criar os primeiros elementos do fusion. Desse álbum, lançado em 1965, Billy tocou “Eighty-One”, “Iris” e “E.S.P.”.
Em cerca de 1h30 de apresentação, o público evocou emoções pulsantes e desenfreadas diante de um grupo seleto de virtuoses que mantém há muito tempo a chama do fusion acesa.
