Costumamos visitar as listas de melhores discos do ano de outras publicações. Nossa investida precoce em busca dessa seleção impede de conhecer e analisar rapidamente outros discos não conferidos ao longo do ano.
Não encaramos isso como defeito: afinal, quem consegue concluir tarefa tão árdua?
Nessas primeiras semanas de 2014, vamos revisitar alguns lançamentos do ano passado que, por motivos de falta de tempo, não figuraram nas listas de melhores (mas deveriam). A começar por Julia Holter.
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Os sons de uma cidade que se confunde. Não foi intenção de Julia Holter agrupar as muitas fuzarcas de uma metrópole. Ela nem conseguiria. O que prevaleceu foi o tato de captar a frustração perante o ruído – ruído que mais afeta pelas mensagens publicitárias que pelo barulho em si.
A ideia de Loud City Song nasceu entre as gravações de Ekstasis (2012). Ela chegou a captar o incômodo em “Horn Sorrounds Me” em Los Angeles, mas sentiu que aquele fragmento (cujo exterior impacta mais que o tímido interior da moça) não se encaixaria no trabalho passado.
Depois de assistir ao musical Gigi (originalmente de 1958), a inspiração bateu. E aí, ela despistou de qualquer associação a nomes como Zola Jesus e Joanna Newsom em busca de uma jornada a um espaço aberto.
As hesitações encontradas em “Maxim’s I” e “Hello Stranger” dão sentidos de perdição. A formação em música clássica de Holter inevitavelmente atinge uma interpretação orquestral, mas ainda assim fugidia. Ou seja, mesmo quando ela quer falar de algo ruim, o faz com inescapável beleza.
(Para tanto, vide “Maxim’s II”, considerada a 3ª melhor música internacional de 2013 pelo Na Mira: melodias sublimes, vocais puritanos e uma horda explosiva de jazz se contrastam em tempos pausados de forma muito bem elaborada.)
Olhar para a cidade após Loud City Song pode soar como uma estranha experiência. Não há resoluções, apenas indícios de que o caos pode ser mais complexo, insano e letárgico do que qualquer teoria.
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A seguir ouça Loud City Song, de Julia Holter, na íntegra:
