Gravadora: Sony Legacy
Data de Lançamento: 27 de abril de 2018
Avaliação: 6/10

O recente retorno de Van Morrison ao jazz, em Versatile (2017), foi tão bem-sucedido que atingiu o topo das paradas Billboard – mais pelo apelo de seu nome, claro, que pela inventividade.

Para o segundo projeto nessa linha, ele dividiu os holofotes com o organista Joey DeFrancesco, que faz mais do que dividir os créditos com o cantor irlandês.

Seus solos rasgados no órgão Hammond B3 são tão ou mais impactantes que a fluência do canto de Morrison, especialmente na ágil “The Way Young Lovers Do”, tema composto pelo próprio Van Morrison, mas que se destaca por oferecer a melhor cozinha sonora de todo o álbum. Que solo de DeFrancesco no órgão…

Van Morrison entre songbooks e composições próprias

You’re Driving Me Crazy não traz somente composições de Van Morrison, da mesma forma que não prende DeFrancesco ao órgão. O instrumentista toca trompete em “Travellin’ Light”, de John Mercer, James Mundy e James Young, famosa na voz de Billie Holiday.

O tratamento de songbook não é exclusividade dessa canção. Em “Miss Otis Regrets”, Morrison respeita o tratamento cuidadoso de Cole Porter e faz um claro exercício de autocontrole na faixa-título, de autoria de Walter Donaldson.

Assim como Bob Dylan, o retorno ao jazz anos 1950 por parte de Van Morrison não esconde a nostalgia que caminha com a idade. Ambos já foram considerados cantores irregulares de diferentes formas – e foram beneficiados por distintos backgrounds estéticos.

Seria, então, essa entrega ao jazz em seu viés mais tradicional uma espécie de caretice não assumida?

Enquanto discutimos isso, a música do outrora bardo torto se endireita rumo ao som de fundo da cafeteria gourmet mais próxima de você.

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