
Influências de Esperanza Spalding vão de Milton Nascimento a Yo Yo Ma
Com apenas 26 anos, Esperanza Spalding fez história no mundo do jazz, pelo menos no mainstream: foi a primeira compositora do gênero a receber um Grammy de Melhor Nova Artista, entregue em 2011.
Três álbuns no currículo e um carisma inusitado que agrada cada vez mais ouvintes podem ter ajudado Esperanza a ganhar a premiação. Mas o grande atrativo mesmo é, além de seu estilo requintado black music à brasileira (ela é americana), o swing de sua sonoridade intensa, que em alguns momentos remontam às jam sessions dos virtuosos jazzistas dos anos 1940.
O pop também está presente, só que carregado de uma fina doçura que torna possível a ponte entre o popular sofisticado com requintes eruditos. Afinal, a maior influência da cantora e contrabaixista é ninguém menos que um dos maiores cellistas de todos os tempos, Yo Yo Ma. Quando assistia a série Mister Rogers’ Neighborhood, aos 4 anos, ficou fascinada com a trilha criada pelo violoncelista. “Definitivamente foi a coisa que me fez perceber a música como a ideia de uma perseguição criativa”, afirmou em seu site oficial.
Outra grande influência perceptível no trabalho da cantora nascida em Portland, Oregon (EUA), é o cool jazz, popularizado por Miles Davis nos anos 50. A relativa calma dos instrumentos da banda, mesmo quando os solos de seu contrabaixo exibem as notas mais belas, também tem algum paralelo com a incessante busca do silêncio protagonizado pelos nomes mais promissores desta nova década – tal qual James Blake.
O Brasil é outra de suas grandes paixões. Ela já chegou a convidar ninguém menos que Milton Nascimento para gravar “Ponta de Areia” e em seu último álbum, Chamber Music Society, fez sua versão, com um português impecável, para “Inútil Paisagem”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira.
Artista em ascensão, que tem um caminho brilhante pela frente, Esperanza Spalding deve ser ouvida naqueles momentos em que você busca um certo conforto sonoro. É um jazz calmo, tranquilo, sem estardalhaços. E a habilidade é evidente. Vale a pena.
Esperanza Spalding: “Inútil Paisagem”
