Update: Confira a outra metade da lista, dos 10 melhores álbuns de 2010.
Sei que estou praticamente aos 45 minutos do segundo tempo, mas não ia deixar passar. Finalmente publico aqui o Top 20 dos melhores álbuns do ano. Por enquanto, da 20ª posição à 11ª (o restante sai entre hoje e amanhã, prometo!).
Ao contrário das diversas seleções que saíram por aí, não me prendi muito ao indie, rock e outras vertentes mais pop. Tanto é que alguns álbuns que gostei bastante acabaram ficando de fora (caso dos discos de Warpaint e Broken Bells, por exemplo). Lembrando que os gostos individuais estão presentes aqui, como qualquer outra seleção. Ouvi todos os discos listados com muita atenção e tentei extrair o máximo possível para descrevê-los de forma sucinta, simplificada de modo que, é claro, atraia o internauta.
Confira abaixo a primeira parte da lista dos melhores álbuns de 2010. Enjoy!

Sufjan Stevens
Gravadora: Asthmatic Kitty
Gênero: Eletrônico/Experimental
Sufjan Stevens vem colhendo ótimos frutos dando mais ênfase à produção de seus álbuns, principalmente após o lançamento do ótimo e aclamado Illinoise, de 2005. O músico não hesitou ao munir sonoridades industriais com elementos de orquestra, sem soar pretensioso demais ou imensamente vago. “Too Much” tem uma rapidez intensa, apesar de soar como uma reciclagem sonora e a longa faixa “Impossible Soul”, com seus 25 minutos, evidencia a versatilidade do outrora efusivo compositor, que agora prefere exercer sua habilidade por trás dos estúdios.
Melhores faixas: “Too Much”, “Age of Adz” e “Vesuvius”.

Tame Impala
Gravadora: Modular
Gênero: Indie Rock
Mistura de indie com eletrônico, repleto de psicodelia, a banda australiana Tame Impala bebe diretamente da fonte de músicas dos anos 60 e 70: de Beatles pós-65 (“Make Up Your Mind”) às bandas experimentais de avant-garde da década seguinte (“Runway, Houses, City, Clouds”). “Alter Ego” explora a sincronia bateria-sintetizadores de forma viajante, como se os anos mais promissores da música universal estivessem contidos em uma faixa só. Destaque também para “Solitude is Bliss”, que está bem próxima às canções indies mais pop com o vocal arrastado de Kevin Parker e o baixo de Dominic Simper.
Melhores faixas: “Alter-Ego”, “Solitude is Bliss”, “Expectations” e “Runway, Houses, City, Clouds”.

18. Sit Down, Man
Das Racist
Gravadora: Mad Decent/Greedhead/Mishka
Gênero: Hip Hop
Eminem tem muito o que aprender com o Das Racist. As sátiras desses caras são mais petulantes, mas bem menos apelativas. Sem falar que suas canções divertem mais do que constragem seus respectivos alvos. “Puerto Rican Couses” traz vozes estranhas e brinca com o refrão de “We Are Family”, que estourou nos anos 70 nas vozes do grupo Sister Sledge. Além do divertido álbum, a banda lançou singles paralelos, caso de “Combination Pizza Hut And Taco Bell” e o clipe de “Who’s That Broooown!”, considerado o segundo melhor videoclipe do ano pelo Na Mira do Groove. Sobrou até mesmo para o lendário Jim Morrison, relembrado no sampler da canção de mesmo nome, “People Are Strange”.
Melhores faixas: “hahahaha JK?”, “Sit Down, Man”, “Return to Innocence” e “Rooftop”.

Femi Kuti
Gravadora: Wrasse Records
Gênero: Afro-Beat
Após tocar com as bandas Africa’ 70 e Egypt’ 80, que deram suporte ao seu pai, Fela Kuti, finalmente Femi Kuti começa a adotar um tom mais politizado em seus temas. Considerado príncipe do ritmo, Femi sempre manteve um tom mais conciliador por acreditar em um possível diálogo com as autoridades atrozes de seu país, a Nigéria. Mas a paciência deve estar estourando. Canções como “Bad Government”, “Can’t Buy Me” e “Now You See” mostram a potência do príncipe em trazer à tona uma das principais características do afro-beat: o protesto social.
Melhores faixas: “Politics in Africa”, “Bad Government”, “Now You See” e “Obasanjo Don Play You Wayo”.

The Budos Band
Gravadora: Daptone
Gênero: Funk
Percussões africanas e instrumentos metálicos em chamas são a essência do The Budos Band, que gravou uma das melhores pérolas instrumentais do ano com o lançamento de The Budos Band III. O funk continua dançante e envolvente como nos álbuns anteriores da banda. E isso é ótimo, pois um ritmo que não se desgasta naturalmente não sente tanto aquela necessidade de inovação. Além de James Brown e Fela Kuti, os músicos também absorvem bastante da música latina, o que torna seu som ainda mais dançante. Vide a pegada de “Black Venom” e a linda balada “Nature’s Wrath” que você vai saber do que estou falando.
Melhores faixas: “Black Venom”, “Nature’s Wrath”, “Raja Haje” e “Unbroken, Unshaven”.
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15. I’m New Here
Gil Scott-Heron
Gravadora: XL
Gênero: Blues/Hip Hop
Chuck D (Public Enemy) e Adam Yauch (Beastie Boys) devem ter ficado feliz ao ver um dos principais ativistas negros voltar às paradas musicais 16 anos depois de gravar seu último álbum de inéditas, Spirits. Gil Scott-Heron consegue dar matiz às suas críticas sem parecer demagogo ou chato demais. A sonoridade está bem densa, é verdade, mas o que mais combinaria com seu estilo de fazer música? Afinal, não dá pra dissociar um dos precursores do hip hop às desavenças do mundo que o ronda.
Melhores faixas: “Me and The Devil”, “Your Soul and Mine” e “New York is Killing Me”.

The Black Keys
Gravadora: Nonesuch
Gênero: Blues/Rock
O compromisso do duo Dan Auerbach e Patrick Carney com o blues já vem desde 2001, mas agora eles muniram o ritmo com leves experimentações instrumentais, apostando no órgão e nos sintetizadores. Claro que a dinâmica guitarra/bateria permanece como a fórmula do The Black Keys, mas são esses pequenos detalhes que contribuem para a grandiosidade de Brothers. Quase todas as canções do álbum são boas ou ótimas: uma fábrica de hits que pode agradar muito bem os fãs do bom e velho rock’n roll.
Melhores faixas: “Next Girl”, “Tighten Up”, “Too Afraid to Love You”, “The Only One” e “I’m Not The One”.

Big Boi
Gravadora: Def Jam
Gênero: Hip Hop
Infelizmente Big Boi não desfruta de uma carreira tão bem-sucedida quanto um Jay-Z ou até mesmo 50Cent, dois dos mais endinheirados que geram milhões para a indústria com cada trabalho lançado. A outra metade do Outkast pode não ser mercadológica (o que acabou frustrando a Jive e fez com que o rapper migrasse para a Def Jam), mas é inventiva o bastante para atingir o panteão de um dos maiores difusores do ritmo no momento. As raízes se fazem presente em “Turns Me On” e os excessos de “Shutterbugg” mostram que o hip hop pode continuar moderno como sempre, contanto que se reinvente. E Big Boi continua prosseguindo sem dificuldades nessa trajetória da inovação, seja sozinho ou com o Outkast.
Melhores faixas: “Follow Us”, “Shutterbugg”, “Tangerine” e “Be Still”.

12. Swim
Caribou
Gravadora: Merge
Gênero: Eletrônico
Se algum dia você for fazer alguma balada no sistema solar ou qualquer outro lugar do espaço, coloque este álbum do Caribou como soundtrack da sua nave. Não tem nada de repetitivo ou desgastado que costumamos ver nessas casas noturnas do nosso planeta. Das flautas soturnas de “Leave House” ao techno-house de “Kaili”, a sensação é de estar experimentando inúmeros psicotrópicos ao mesmo tempo e perceber o efeito de cada uma através da mudança das faixas. Renovação é algo que anda caro na música eletrônica. DJs badalados que dizem fazer som de qualidade, deviam abaixar seus narizes e aprender com o Caribou como se faz som versátil de qualidade.
Melhores faixas: “Odessa”, “Kaili”, “Leave House” e “Hannibal”.

Flying Lotus
Gravadora: Warp
Gênero: Eletrônico/Experimental
O parentesco do produtor Steven Ellison (vulgo Flying Lotus) com Alice Coltrane explica as incursões do músico em terrenos jazzísticos. Afinal, titia Alice era ninguém menos que esposa de John Coltrane, além de ser uma notável pianista. Cosmogramma cai de cabeça no avant-garde e alguns elementos difundidos por Coltrane sem interferir na sua essência instrumental. A evidência do álbum é supor um possível casamento de dois ritmos que definitivamente não se bicam. Ou, pelo menos, não se bicavam até Flying Lotus botar a mão na massa e uni-los, com uma ajudinha básica da música erudita, dos slaps de baixo e dos sons ambientes.
Melhores faixas: “Zodiac Shit”, “Arkestry”, “Satelllliiiiiiite” e “And The Worlds Laughs With You…”.
Update: Confira a outra metade da lista, dos 10 melhores álbuns de 2010.
