Titus Andronicus: Ian Graetzer (baixo e guitarra), Amy Klein (guitarra e violino), Patrick Stickles (vocal, guitarra e harmônica), Eric Harm (bateria e vocal) e David Robbins (teclado e guitarra)

Talvez um dos grupos mais intrigantes na cena do rock desde o lançamento do debut The Airing of Grievances, em 2008, Titus Andronicus faz valer a pungência que carrega com o nome de uma das peças mais sangrentas de Shakespeare. É que na peça teatral, Titus era um soldado da Roma Antiga que se recusa a tornar-se imperador e se vê envolto em um ciclo interminável de mortes hediondas, estupros e assassinatos.

E a banda de New Jersey revive esse espírito vigoroso em seus riffs ágeis e a voz grave de Patrick Stickles. O último álbum do grupo, The Monitor, causou furor no cenário musical pelo conceito praticamente estapafúrdio. Segundo o Pitchfork, o álbum “invoca a batalha que fez Abraham Lincoln clamar: ‘Nesse momento, sou o homem mais miserável vivo’” após a Guerra Civil norte-americana que assolou a economia.

Musicalmente, a derrota parece ser o melhor tom para definir as vertigens musicais de canções como “A Pot In Which To Piss” e “A More Perfect Union”. No trabalho do grupo, há referências mistas como o devaneio conceitual de Jeff Mangum com o Neutral Milk Hotel e até mesmo algumas experimentações de looping do My Bloody Valentine. Também tem o punk dos Replacements e influência clara dos sons mais pesados e diretos de Bruce Springsteen.

A junção de conceito, sem que os elementos vitais do rock sejam perdidos, é o que garante ao Titus Andronicus uma posição confortável no rol de bandas interessantes nesta década. Aqui, faço minhas as palavras de um jornalista do Guardian: “As canções [do Titus Andronicus] são feitas para serem aprendidas e cantadas da forma mais alta, bagunceira e bêbada possível”.

Ouça abaixo os vídeos das canções “A More Perfect Union” e o recente clipe de “No Future Part III: Escape From No Future”: