Radiohead – The King of Limbs

Há dois tipos de problemas quando uma banda é ovacionada demais em seu tempo: ou espera-se que ela agrade os ouvidos de todos com algo realmente novo, que supere expectativas; ou simplesmente aceita-se passivamente todas as suas diretrizes sonoras sem refutar a qualidade (ou não) de seu trabalho.

Com o Radiohead acontece um pouco das duas coisas. Da mesma forma que Thom Yorke é adorado por muitos, ele faz pouco caso em querer agradar fãs e críticos com cada álbum lançado. Também, o Radiohead tem moral pra isso, já que tem em seu currículo nada menos que os melhores discos das décadas de 90 (OK Computer) e 2000 (Kid A), lançados sequencialmente ainda por cima.

O fator The King of Limbs, oitavo disco do grupo, foi um boom no cenário musical. Em menos de duas semanas causou um alarde tão grande, que provavelmente só ficará em segundo plano quando o mainstream a imprensa, ávida, mirar com voracidade para o lançamento de Angles, dos Strokes.

(Pessoalmente, eu não gosto do Radiohead – apesar de admirar o papel deles na música como um todo. Isso tem que ficar claro para quem lê essa crítica. Pode parar por aí se quiser… Não vou encher essas linhas explicando os motivos, mas não é bem isso que pesa na avaliação. Uma música ou um disco fica cravado na história quando rompe paradigmas com o seu tempo, ou simplesmente se encarrega de dar um sentido musical para aquele tempo. E o Radiohead fez isso, indubitavelmente.)

Quanto ao King of Limbs: a primeira faixa, “Bloom”, tem um caráter experimental fora do comum por unir batidas de drum’n bass com dubstep, dando novos ares para as ricas experimentações na música eletrônica colhidas com Kid A . Dá um gás para o restante do álbum, mas o ouvinte acaba perdendo o clima (ou começa a ficar com sono) com a dupla chatice inevitável de “Morning Mr. Magpie” (a não ser pela batida envolvente de Phil Selway, enche o saco ouvir Yorke disparando um ‘roubou, devolve’) e “Little By Little” (que prefiro nem comentar).

“Feral” é mais melancólica e abstrata. Yorke usa a habilidade leve de microfonia, que vem dando muito prestígio ao dubstep atual. Graças a isso, a canção pode levar o prêmio de mais chata do ano. Pode ser algo inovador, mas que não acrescenta, não vibra, não faz nada. Ficaria legal, quem sabe, em uma mixtape.

A música da dancinha de Yorke, “Lotus Flower”, tem arranjos magistrais, reconheça-se: a bateria de Selway, talvez o grande destaque deste disco, forma uma simbiose interessante com os vocais contidos de Yorke. E a letra, sobre paz, é mais que adequada para uma banda como o Radiohead.

“Codex” se perde em uma viagem desnecessária, “Give Up The Ghost” é tão parada que chega a dar sono com o violão em pausa (zzz…) e “Separator”, a última canção, supõe uma continuidade do álbum – “se você acha que acabou, então você está enganado”.

A única coisa que segura a audição de The King of Limbs é sua brevidade: tem apenas 8 canções e cerca de 37 minutos. Se os rumores sobre uma possível continuidade forem verídicos, este álbum passará de chato e insustentável para algo praticamente insuportável. Deus que me livre.

Melhores Faixas: “Bloom” e “Lotus Flower”.