Gravadora: Javotti Media
Data de Lançamento: 17 de novembro de 2017
Talib Kweli vem da mais prolífica escola de hip hop do mundo, o Brooklyn, mas não é lá um aluno afeito aos ensinamentos.
Os anos passam, e ele encontrou uma linguagem própria que alia o forte ativismo (vide suas contas no Twitter e Instagram) aos flows intensos e cortantes.
Como Talib, talvez, temos apenas Aesop Rock ou alguns poucos expoentes do que chamamos de rap alternativo. Ele não é tão mainstream quanto o antigo parceiro de Black Star, Yasiin Bey (Mos Def).
Por mais que também tenha trabalhado com os hoje famosíssimos Pharrell e Kanye West, Talib faz tudo em seu próprio timing.

Em seu 8º disco, Radio Silence, Talib sustenta o perfil de outsider porque, bom, as atuais preferências dentro do rap estão cada vez mais distanciadas do protesto, da união de movimentos como Black Lives Matter. ‘Não temos anda a perder‘, chama o coro, em “All of Us”. E quem não tiver junto, que se f***.
Talib gosta de rimar sob melodias contínuas, sejam pianos em um eterno continuum ou percussões fervorosas, como se deixassem suas rimas ainda mais ácidas. Em “Travelling Light”, Anderson .Paak forma interessante contraste com o estilo rueiro de Talib. A faixa, inclusive, já tem clipe, com participações de Q-Tip (A Tribe Called Quest) e o diretor de cinema Spike Lee.
No caminho de Talib, as participações
A aproximação com o soul ganha contornos ainda mais emotivos em “The One I Love”, tema em que Talib sai da caixinha com o apoio de BJ The Chicago Kid.
Na já mencionada “All of Us”, o sumido Jay Electronica se encaixa na conexão do rap com o gospel – papel desempenhado lindamente pela voz de Yummy Bingham.
Só de ver a participação de Waka Flocka Flame, em “Chips”, espera-se uma adaptação para o trap. O começo da faixa engana: na verdade ela entra numa transfiguração da estética reverberante do rap atual com o peso do rap dos anos 1990. E temos aí uma das mais impactantes faixas de Talib nos últimos anos.
Atenção também para a faixa-título: com participações de Amber Coffman (ex-Dirty Projectors) e o rapper Myka 9, ela vai do interlúdio com violinos e ganha contornos de um rap repleto de dramaticidade, tornando-se uma crônica das ruas, pendendo ‘entre a ciência e a religião‘.
Ouça Radio Silence na íntegra abaixo:
