Sonantes, em sentido horário: Pupilo, Rica Amabis, CéU, Dengue e Gui Amabis

Gravadora: Oi Música

É uma verdadeira pena que o disco homônimo do Sonantes só tenha sido lançado no Brasil três anos depois de já ter conquistado a crítica na Europa e nos Estados Unidos. Não que ele tenha aterrissado de onde partiu com um tom de ultrapassado – longe disso. Isso só mostra o desinteresse de nossas gravadoras de distribuir música boa.

Enfim… voltando ao Sonantes: é um projeto de CéU, Gui e Rica Amabis (Instituto), Dengue e Pupillo (ambos do Nação Zumbi) bem despretensioso, que tinha como objetivo inicial fazer música de amigos mesmo, para ver no que daria. Só que, o que ninguém poderia fazer ideia, é como iria sair algo tão bom.

Tudo bem que, hoje em dia, já não se contesta a importância de nenhum dos músicos envolvidos. Seja em trabalhos solos ou coletivos, CéU, Instituto e Nação Zumbi já se configuram como algumas das muitas figurinhas centrais da nova música popular brasileira.

Morando em apartamentos vizinhos na capital paulistana, os integrantes formularam uma espécie de remake criativo que lembra os primeiros passos que a Bossa Nova deu lá nos anos 50, no Rio de Janeiro. Não há muito o que definir do Sonantes: mas dá pra se dizer fácil que é uma mistura miscigenada excitante e bem envolvente. Tem algo de brega-sertanejo-psicodélico (“Mambobit”), dub acústico (“Miopia”) e muitas referências regionais (“Quilombo Te Espera” e “Frevo de Saudade”, que vai por vias futuristas).

Convidados ilustres também se encaixaram nas ideias expansivas do pequeno grupo. Entre eles, Siba (que canta em “Toque de Coito”), o guitarrista Fernando Catatau e BNegão.

O Sonantes ficou como um projeto paralelo, principalmente, porque não tinha objetivos comerciais. Hoje, todos os integrantes estão ocupados com seus trabalhos principais. Talvez por isso mesmo, Sonantes ficará marcado como um pequeno clássico precoce, pela falta de preocupação no momento de sua execução e pela beleza singular nele contida.

As experimentações são formidáveis, o que evidencia o poder criativo deste coletivo indispensável para a nossa música. Tomara que reconsiderem – e sigam adiante com o Sonantes também.

Melhores Faixas: “Miopia”, “Toque de Coito”, “Defenestrando”.