Quem ouve o WRY hoje tende a achar que pertence a uma cena lo-fi. Ainda que o do-it-yourself seja parte do que a banda sorocabana representa, sua presença remonta aos anos 1990, sugerindo uma interpretação brasileira da influência que veio do shoegaze de nomes como The Jesus and Mary Chain e, principalmente, My Bloody Valentine.
O primeiro disco da banda, porém, só foi lançado em 1998: Direct foi gravado depois de muitas execuções em bares e palcos improvisados com repertório da demo Morangoland (1995).
A banda aumentou seu prestígio no circuito alternativo com Heart-Experience (2002) e Flames in the Head (2006). O último álbum da banda é She Science (2009), lançado um ano antes do hiato, que perdurou até 2014.
O WRY retorna com grande estilo aos palcos: no último fim de semana de maio, Mario Bross (guitarra e vocal), Lou Marcello (guitarra), André Zanini (bateria) e Chokito (baixo) viajam à Espanha para se apresentar no Festival Primavera Sound.
Enquanto o aguardado dia não chega, o vocalista Mario Bross trocou uma ideia com o Na Mira. Confira:
Desde que o WRY voltou, há poucos anos atrás, o que mudou?
Desde que voltamos da Inglaterra, em 2009, a banda acabou e voltou. Ficamos de 2010 até 2014 como ex-banda. Resolvemos voltar em maio de 2014, quando percebemos que ainda temos muito o que fazer. No momento, os shows são baseados nas músicas que foram as mais legais nos 16 anos de carreira. Em junho, mostraremos a nova cara do WRY.
[pullquote]Já estamos com umas 30 músicas ou ideias novas. Espere algo livre, alternativo, com produção superior aos discos anteriores[/pullquote]
O WRY agora vai embarcar prum show no Primavera Sound, em Barcelona. Já vi vários relatos seus de shows gringos, de como essa experiência continua fazendo com que a banda evolua, mesmo depois de quase duas décadas de estrada. Mas, e no Brasil, como os shows têm sido desde o retorno? Há muita gente nova interessada no som da banda?
Ainda temos relevância, vejo eu. Temos um bar, onde rolam os melhores shows das melhores bandas do alternativo nacional e também de bandas conhecidas. Vejo o que acontece nesses shows e daí quando fomos tocar, depois da volta, senti que sim, temos relevância, temos novos fãs, curiosos e fãs antigos. De qualquer forma, os fãs precisam sempre de coisas novas. Nosso plano é baseado nisso, de trabalhar a banda melhor ainda, pra satisfazer a gente e quem gosta da gente.
Ainda este ano o WRY lança disco novo, certo? Pode nos dar mais detalhes?
Já estamos com umas 30 músicas ou ideias novas. Espere algo livre, alternativo, com produção superior aos discos anteriores. Será uma síntese de tudo que aprendemos até agora. Em junho, lançaremos um single e, no segundo semestre, disco novo.
Em entrevista ao Floga-se, você disse que havia material do WRY “perdido nas mãos de outras pessoas”, certo? O que houve com esse material? Há chances da banda lançar a discografia em vinil, devido ao up do formato?
Acabamos de lançar a cassete Deeper in a Dream, com 5 músicas de 2009. As outras músicas, eu não imagino onde estejam (risos). Devem estar em algum lugar de Nova York, nas mãos de Tom O’Connor, antigo empresário, o qual perdemos total contato. Uma pena…
Atualmente muitas bandas brasileiras enveredam por shoegaze e pós-punk, algo que vocês iniciaram lá nos anos 1990. Você vê o WRY como principal condutor disso? O que acha dessa cena, que cresce cada vez mais no Brasil?
O revival do shoegaze começou em 2007, mas há muita confusão quanto ao gênero. Se pensar no WRY nesses 16 anos, somos uma banda de rock alternativo, com influencias de shoegaze e britpop. O mais fiel que fomos ao shoegaze está no EP Whales and Sharks (ClubAC30), de 2007, e no álbum She Science (Monstro Discos), de 2009. O restante é rock alternativo, pop, básico, com diversas influências; e isso acontece inclusive nos primeiro trabalhos. Talvez a minha paixão por My Bloody Valentine confunda um pouco, mas sim, concordo que estamos nesse ambiente e somos referência, sem dúvidas.
O Brasil agora é residência fixa de vocês?
Oh yes, desde 2009. Eu, Lu (guitarrista) e o Jon (técnico de som/produtor) temos um bar chamado Asteroid, que mantém-se estável e nos dá essa chance de tocar por aí e viver essa maravilha que é o Brasil.
ERRATA:
• A banda foi reformulada para tocar na Europa. A formação correta já foi alterada no texto.
