Infelizmente, 2016 nos aprontou mais uma: mal processamos direito a morte de Leonard Cohen (em 7 de novembro), nem a de Prince, David Bowie, Phife Dawg, enfim… Um dos anos mais tristes da música acaba de nos levar Sharon Jones, que aos 60 anos travou uma batalha com o câncer no pâncreas, descoberto em 2013.

Sharon Jones tinha uma presença de palco incrível: chegou a vir duas vezes ao Brasil. De início, ela ficou conhecida por carregar a mesma banda de apoio de Amy Winehouse, os Dap-Kings.

Ao contrário da jovem britânica, o soul de Sharon era mais encorpado, vívido e otimista.

De uma linhagem que vem diretamente de Aretha Franklin e Martha & The Vandellas, Sharon ia do soul ao funk com a potência de uma diva dominante. Seu álbum que mais me cativou foi I Learned the Hard Way (2011), quarto lançamento dela, com músicas excelentes como “Give It Back”, “The Reason”, “She Ain’t a Child No More”.

O álbum que quase lhe rendeu um Grammy foi o seguinte, Give the People What They Want (2014), com uma pegada extremamente dançante puxada por “Retreat!” e “Get Up and Get Out!”.

Apesar de não ser tão nova quanto outras cantoras soul de seu tempo, Sharon começou a cantar nos idos dos anos 1970, principalmente em grupos de gospel no estado da Geórgia (EUA), onde nasceu, e, depois, no Brooklyn (Nova York), para onde sua mãe se mudou, para escapar do marido violento.

Dap-Kings: a banda por trás de Sharon Jones e Amy Winehouse

Este ano, Sharon contribuiu para a trilha sonora da série Luke Cage, com a música “100 Days 100 Nights”, primeiramente gravada em um disco de mesmo nome lançado em 2007.

No ano passado, foi lançado um documentário contando a história de batalha contra o câncer. Miss Sharon Jones! também mostra como a antiga carcerária tornou-se cantora. Em um momento, ela reflete: “Olhava para mim mesma, e só enxergava feiúra”, contou.

Alguns anos antes do sucesso, um produtor chegou a lhe dizer que era “muito gorda, muito negra, muito baixinha e muito velha”.

Felizmente ela conseguiu contornar os estereótipos, para entrar de vez no disputado rol das grandes cantoras de soul music.

Descanse em paz, Sharon!

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