Acaba de sair nos Estados Unidos uma versão remasterizada do clássico álbum de Iggy Pop & Stooges,Raw Power. Até o final do ano, o fotógrafo Mick Rock pretende lançar um documentário do making-off do trabalho mais sujo, polêmico e conceituado dos Stooges. O longa contará com depoimentos de músicos que acompanharam a cena ou se tornaram grandes fãs dos patetas, como o pioneiro Lou Reed, Joan Jett, Tom Morello e Henry Rollins.

Mick Rock explica o motivo de fazer uma obra sobre os Stooges:

“Com todo o respeito a Johnny Rotten e Sid Vicious [membros do Sex Pistols] e todos os garotos do punk, mas o que eles faziam era muito mais ‘suave’ em relação ao que os Stooges fizeram anos antes”

Lançado em 1973, Raw Power foi produzido por ninguém menos que David Bowie, que havia se tornado um grande admirador de Iggy e foi um dos responsáveis pelo retorno triunfal do iguana. É que antes deste álbum ser concluído, Iggy Pop estava em maus lençóis com imensas dívidas (principalmente com drogas) e praticamente jogado ao relento depois das sessões autodestrutivas com os Stooges.

Este álbum marca uma transição importante na carreira do iguana. Descobrindo outras possibilidades musicais com Bowie, ele tratou de fazer um som mais cru, como sugere o nome do álbum, e acabou trazendo mais agressividade ao grupo, fazendo de Raw Power um dos melhores trabalhos de sua carreira.

Antes de entrar no estúdio, houve uma grande mudança na banda. A primeira foi a alteração da nomenclatura “The Stooges” para “Iggy Pop and The Stooges”, que de certa forma mostrava uma exclusão aos demais integrantes nas decisões finais do trabalho. Ron Asheton, que era guitarrista (e dos bons!), ocupou o lugar vago de baixista após a morte de Dave Alexander.

No lugar de Asheton, James Williamson assumiu as guitarras. E deu uma roupagem totalmente diferente à sonoridade do grupo.

O álbum já começa com o hit “Search and Destroy” que, nas palavras de Iggy, “sabia que seria uma merda imortal”. Mesmo com um som mais barulhento, as temáticas niilistas permaneciam, ganhando um toque de agressividade, como se passasse da fase de conformismo para a fase de confronto. “Gimme Danger” deixa isso evidente: “You can’t be my master/I can do everything” (“Você não pode ser meu mestre/Posso fazer o que quiser”).

Sem falar na estridente “Your Pretty Face is Going To Hell”,  o blues que soa arrastadíssimo em faixas como “I Need Somebody” e “Penetration”, o riff pegajoso (e sujo) de Raw Power e a urgência de “Shake Appeal”.

Em uma nova avaliação, os editores da Rolling Stone deram nota máxima (5 estrelas) ao álbum remasterizado de Iggy & Stooges. Este foi um grande ano na carreira dos patetas (sem Ron Asheton, que morreu ano passado): eles entraram pro Hall da Fama do Rock’n Roll e, em setembro, irão tocar Raw Power em um gigantesco festival em Nova York.