Os livros de Thomas Pynchon são baseados em tramas complexas, passagens do tempo e situações inusitadas que nos fazem criar realidades paralelas, conectadas por uma narrativa onírica e, ao mesmo tempo, lúcida, como se tudo aquilo que julgássemos irreal fosse, de fato, explicitamente real.

O recluso escritor norte-americano é uma das influências da banda O Nó. Eles são de São Paulo, uma terra que geralmente desfruta da psicodelia de artistas que vêm de outros estados. Por isso, é elementar que a banda declare: “Não tem geografia própria porque não tem geografia propriamente”.

Formada por Alexandre Drobac (guitarra), Matheus Perelmutter (sintetizadores), Rodolfo Almeida (baixo) e Mateus Bentivegna (bateria e MPCs), O Nó anteriormente era um trio focado na psicodelia setentista. Eles assumem que o som de bandas como O Terço, King Crimson e as recentes Cidadão Instigado e Tame Impala são referências importantes, mas, na mesma medida em que firmam compromisso com o rock, também o firmam com a eletrônica.

Eles gravaram recentemente o primeiro EP, singelamente intitulado EP1 mas que possui a soberba sônica de uma produção híbrida, até mesmo catedrática de tão bem amalgamada: a gravação e produção é de Nicholas Rabinovitch e Alex Huszar.

O Nó demorou quase um ano para gravar as cinco faixas do EP, que demora pouco mais de 20 minutos.

Um dos grandes compromissos do trabalho, segundo a banda, é revogar a relevância cultural do homem enquanto ser – ainda mais de músicos enquanto banda. Eis o que diz Miguel Nassif sobre O Nó:

“O Nó, afinal, não é nada menos que a plena consumação e celebração do lixo digital com vernizes de nostalgia garageira. No bom sentido. É o gesto de se inserir em um debate intelectual pela prerrogativa de se abster dele. A adoração confusamente dividida entre o autoirônico e o autodepreciativo do exagero cultural. A tentativa de saturar um matiz saturado em busca uma nova cor”.

Ouça EP1 no player abaixo. Para fazer o download gratuito do EP, visite o BandCamp oficial do grupo.