Antes de Chico Science formar o Nação Zumbi, ficou vislumbrado com o bloco de percussionistas Lamento Negro, que integrava o centro comunitário Daruê Malungo nas periferias de Recife. De lá, chamou os percussionistas Gilmar Bolla 8 e Gira que, respectivamente, assumiram tambor e alfaia no grupo que iria revolucionar a cena cultural de todo o Nordeste anos depois com o álbum Da Lama ao Caos.
A Ponte deve ser lançado no primeiro semestre de 2012 com produção de Bactéria (Mundo Livre S/A) e participações de BiD e Kassin
De 1994 pra cá, muita coisa aconteceu: Chico faleceu em um acidente de carro enquanto voltava de Olinda para Recife em 1998, o Nação Zumbi experimentou novos rumos musicais com Jorge Du Peixe como vocalista e Gilmar Bolla 8, em 2007, uniu as novas incursões do hip hop com a velha experiência como percussionista ao criar o grupo Combo X.
O grupo tem um total de nove integrantes, mas o X (no som de dez) do nome representa um décimo músico, Alison ‘Bua’ que, infelizmente, faleceu há pouco tempo atrás por conta de um acidente doméstico envolvendo eletricidade. Antes disso, o coletivo chamava-se Combo Percussivo.
Entretanto, não pense que o grupo é só batucadas. Elas permeiam boa parte do trabalho com claras referências do coco e da ciranda, mas também tem muito rock e até hip hop. Resumindo, Combo X representa o ressurgimento do manguebit que, com o passar dos anos, acabou permanecendo mais como movimento de ruptura dos anos 1990 do que um gênero em si.
O coletivo irá lançar o primeiro disco ainda neste semestre, intitulado A Ponte, temperado por instrumentos de sopro, trombone, alfaias, guitarra, timbais, caixa, abe e gonguês. Sem falar, é claro, na forte pegada percussiva, complementada por duas baterias. O álbum conta com a produção de Bactéria (Mundo Livre S/A) e terá participações de BiD e Kassin.
Já tem duas faixas do grupo disponíveis na rede: “São Benedito”, que traz guitarras praieiras e fala do “calor arretado de Olinda e Recife”, citando Nação Zumbi e evocando a chama percussiva do Lamento Negro; e “Rua do Condor”, que pega referências do coco (com um início que lembra muito “Maracatu de Tiro Certeiro”) e relembra as ancestralidades regionais, falando da batalha de Zumbi dos Palmares e das experimentações de capoeira e maracatu com o centro Daruê Malungo, criando uma simbiose com o hip hop.
Ouça as canções “São Benedito” e “Rua do Condor” no player abaixo e, em seguida, confira o vídeo de apresentação do Combo X:
