
Fazer uma trilogia de discos é algo muito arriscado, principalmente quando essa trilogia é o primeiro trabalho de uma carreira. O rapper canadense The Weeknd fez isso e agradou com cada um dos EPs que lançou entre o ano passado e o início deste ano: House of Balloons, Thursday e Echoes of Silence.
Abel Tesfaye, o cara por trás do The Weeknd, trouxe novas possibilidades para o R&B, que estava seguindo boas direções com os também novinhos Frank Ocean, How To Dress Well e James Blake. Porém, ao invés de cair por tessituras mais melancólicas (como Blake), The Weeknd é bem justaposto em batidas mais secas, como se o dubstep encontrasse com gêneros futuristas. O futuro, mesmo, é a principal temática que ronda as canções do The Weeknd.
Por isso, disponibilizo abaixo todas os EPs do The Weeknd com breves comentários. Boa audição!
Obs: caso os players do SoundCloud não apareçam, basta atualizar (F5) a página.
House of Balloons
As principais publicações de música o nomearam um dos discos-destaque de 2011. Na seleção do Na Mira do Groove, o disco ficou na 35ª posição. A capa sombria e o mistério por trás de faixas como “Wicked Games” e “The Knowing” devem ter chocado muitos ouvintes. Afinal, havia algo de novo dentro daquelas melodias reflexivas, incrustadas em um vocal que poderia se sair muito bem em arranjos mais pop.
Thursday
Começa um pouco mais barulhento com o sampler de drum’n bass em “Lonely Star”, contornada por sonoridades ambientes um tanto quanto obscuras. Aqui, Tesfaye evidencia sua capacidade vocal e explora sons mais barulhentos: “Life of the Party” é carregada por um riff de guitarra que depois cai para um ritmo lisérgico quase regueiro; e “Rolling Stone” é temperada por um violão folk bem pop, onde ele fala que “não está nem aí para mais ninguém”.
Echoes of Silence
“Montreal” é o single que melhor define esteticamente o The Weeknd: com backing vocals messiânicos, é levada por uma bateria contínua e contornada por efeitos sombrios. É o exemplo perfeito de como funciona o R&B moderno construído pelo rapper canadense. “XO/The Host” também é um dos grandes destaques, com efeitos sônicos que poderiam permear qualquer produção do Skrillex. Mas os vocais de Tesfaye são o destaque mais uma vez, provando de uma vez por todas que o R&B tem muitos campos a explorar.
