Da psicodelia ao dream-pop, marcha lenta, loopings, guitarras improváveis e climas totalmente lo-fi perpassam no som do Headless Buddha.

A ideia para o nome do projeto não poderia ser mais caseira: o multiinstrumentista Mauro Sanches, que concebeu o disco todo em casa, o nomeou após uma estátua de Buda que tanto gostava ter caído no chão e espatifado a cabeça.

E veio todo o senso filosófico da coisa: “Este simples acontecimento gerou uma meta a ser cumprida: estimular reflexões profundas sobre fatos que parecem simples. A separação entre o corpo e a cabeça de Buda é vista, aqui, como a separação entre o físico e o espiritual”.

As referências vão de The Doors e Jacco Gardner a Washed Out e Tame Impala. Os vocais são, em sua maioria, em inglês, e revelam um humor oculto – fácil de ser percebido pelo nome, por exemplo, de faixa que se chama “Mauro Kart”. Mas não se engane: essa faixa pode arrancar uns bons hematomas num bom bate-cabeça delirante.

Quando o papo sônico é sério, o circo pega fogo também na viajandona “Collide”, um dos grandes destaques deste registro.

Soul River é o EP de estreia do Headless Buddha e foi lançado no finalzinho de janeiro. São 6 faixas, todas gravadas, produzidas e concebidas por Mauro Sanches.

A definição do próprio músico dá o ponto de partida antes de você apertar o play: “é casado com a psicodelia, mas namora o chillwave e foi visto com o rockabilly, mantendo uma sonoridade um pouco Lo-fi”.

Vale a pena arriscar; ouça no player abaixo. A bela capa é de autoria de Virgínia Moura.