Com laptop, bateria e objetos, o mineiro Barulhista permanece como uma das mentes mais criativas no cenário lo-fi. Ele é de Belo Horizonte mas, apesar de não se identificar com as bandas pop que surgem aos montes por lá, é mais um dos muito exemplos de artistas que fogem de qualquer tradição brasileira.
Discussões à parte, o Barulhista continua bem ativo neste 2014. Já lançou dois discos cheios.
O primeiro, Hymnos, foi lançado em 28 de março deste ano e reúne colagens de sons enviadas por mais de 30 músicos, de André Abujamra a Tiago Capute, incluindo trampos de Marcelo Yuka (ex-O Rappa), Matheus Barsotti (Tratak), César Lacerda, Sabrinna Rauta e mais.
Hymnos, apesar do formato fragmentário, passeia por distintas expressões sônicas, revelando um Barulhista habilidoso em estabelecer conexões entre variadas referências. Daí entende-se o termo ‘disco recíproco’, colocado pelo próprio artista.
Grushenka, o álbum mais recente (lançado em junho), tem uma veia mais melancólica e minimalista.
É um ambient reflexivo, bem calcado no drone. Uma mescla que paira ali entre Ambient 1: Music For Airports (1978), do Brian Eno, e Zeit (1972), do Tangerine Dream.
Os que conhecem os trabalhos de trilha sonora do Barulhista irão se identificar com as melodias simples, porém carregadas de densidade. Pode render boa produtividade ouvi-lo no trampo.
Ouça Hymnos e Grushenka nos players abaixo:
Hymnos:
Grushenka:
