Uma das principais funções do estanho é cobrir outros metais, para evitar que fiquem corroídos pela água. Desde a Antiguidade, a cobiça por este metal era grande principalmente por ser um dos componentes do bronze. A América do Sul foi e ainda é farta deste elemento, concentrando suas reservas no Brasil, Peru e Bolívia. Só perde para o continente asiático, que detém mais da metade de estanho.
Como sua condensação e sua capacidade de ‘proteger’ outros metais influencia na música, é algo que os músicos Diego Dias e Michel Munhoz podem sugerir com A Lei do Estanho, lançamento número 65 da Mansarda Records, de Porto Alegre (RS).
Gravado em única sessão em 29 de setembro deste ano, no Estúdio Musitek, o álbum possui 11 faixas com sessões de improviso de sax tenor, clarinete, percussão e bateria, algo que a dupla Diego e Michel domina e desenvolve há bastante tempo em dupla.
Em A Lei do Estanho os recortes musicais são mais viscerais. Os sopros são executados em curtas respirações na maioria das vezes. Quando Dias puxa notas mais longas, o faz independente de qualquer noção rítmica – coisa que a percussão de Michel também evita, já que entra como forma de complementar a quebra de silêncio.
Se há técnica no disco, ela apenas favorece a estrutura das composições – que, a julgar pelos nomes, simulam profusões químicas com o… estanho (vide “Compor o Bronze” e “Pouca Ductibilidade”).
Ouça A Lei do Estanho no player abaixo. Para fazer o download, visite o site da Mansarda.
