Haxixins: o que vale é recriar o ambiente sessentista, com equipamentos da época

Da Zona LOST de São Paulo para o mundo. Lendo assim, parece a eclosão de mais um grupo de rap para a cena musical. Mas esse seria o último rótulo que você daria a uma banda como Os Haxixins.

Garage punk e rock psicodélico são as grandes influências dos integrantes Alexandre “Alôpra” Romera (órgão), Sir Uly (vocal/bateria), Fabio Fiuza (guitarra/vocal) e Edu Osmédio (baixo), que começaram com a banda por volta de 2003 inspirados pelo livro “Clube dos Haxixins” – obra que fala sobre as loucuras de um grupo de fumantes do alucinógeno, entre eles Charles Baudelaire.

E, convenhamos, o som dos Haxixins tem tudo a ver com lisergia. Você acaba se sentindo nos anos 60, em meio àquela montoeira de ácidos onde o órgão e o barulho das guitarras são os grandes destaques.

Os músicos fazem questão de carregar seus equipamentos antigos por onde vão, seja no Bar do Aranha na Vila Formosa ou em alguns pubs europeus, onde o grupo tem mais reconhecimento. O que vale é recriar o ambiente sessentista, não importa qual seja o público. Isso já acabou se revelando um entrave; eles quase desistiram de gravar um álbum por sentirem-se rejeitados às gravadoras e aos patrocinadores. Felizmente conseguiram assinar em 2007 com o Berlin Estúdio graças aos esforços de Jonas Serodio, que providenciou gravadores de rolo, amplificadores valvulados e instrumentos dos anos 60.

No ano passado, os Haxixins lançaram seu quarto EP, Under The Stones. As faixas têm menos de três minutos e são urgentes, o que reflete a influência punk e garageira do grupo. Algo como misturar The Kinks e The Clash, Country Joe & The Fish e Ramones, Mutantes e Ratos de Porão.

As canções têm letras em inglês e português, com títulos psicotrópicos como “Eu Vou de Novo”, “A Beira da Loucura”, “Pó da Estrada” e “Debaixo das Pedras”. Mas não é a viajeira que se destaca; o som é divertido, anima qualquer festa de época e tem letras bem trabalhadas. Os órgãos são muito bem pontuados, assim como o baixo, proporcionando um verdadeiro clima de festa coletiva – algo que está carente em nossa música pós-anos 2000.

Ao contrário da região perdida de onde vieram, eles se encontraram na música da mesma forma que o hippie muito louco se identifica com o ácido lisérgico.