Gravadora: Deckdisc
Data de Lançamento: 17 de março de 2015

Lê Almeida é um guitarrista soberbo. Seus paralelos com Spiritualized e com as bandas alternativas como Pin-Ups e Second Come têm fundamento, mas seus riffs, que surgem como lapsos, e sua voz outsider conquistaram o difícil emblema de originalidade nessa profusão lo-fi que habita a internet brasileira há anos. Paraleloplasmos é tão cáustico quanto sonhador, pois a falta de simbiose voz-guitarra já maturou tanto, que Lê Almeida colhe os frutos de ser ponta de lança do fazer musical que mais tem rendido boas novidades para o rock brazuca – sem paralelismos.

Ouça: “Lindomável”

Cadu Tenório & Juçara Marçal

Gravadora: Sinewave/Quintavant
Data de Lançamento: 6 de outubro de 2015

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O Canto dos Escravos (1982), de Clementina de Jesus, é verossímil releitura dos vissungos, entoados durante o duro trabalho nas minas entre os séculos XIX e XX. Com essa mesma premissa, Juçara Marçal e Cadu Tenório estudaram as partituras do linguista Aires da Mata Machado Filho, mas resolveram dar uma conotação diferente: para evocar a atmosfera proletária, Cadu contribuiu com sonoridades densas do industrial e do dark-ambient, dando a “Canto II” e “Canto III” a crueza que faz realçar as abstrações sobre a dificuldade de trabalhar naqueles locais, em condições horrendas. Musicalmente, a proposta funciona tanto por seu teor antropológico, como pelo teor criativo. Por isso mesmo, a dupla registrou as inéditas “Eká” e “Taio”, selando a conexão da música afrobrasileira com as incursões digitais.

Ouça: disco na íntegra

Gravadora: Worldhaus Music
Data de Lançamento: 16 de abril de 2015

Parece um disco de participante do The Voice Brasil. Pop, com certeza, mas um pop meticuloso. O segundo disco da gaúcha Clarissa Mombelli agrada facilmente por sua voz serena e composições sentimentais. Esses adjetivos tão corriqueiros à MPB se encaixam em Nessa Estrada e no Fim, mas nada dizem de suas peculiaridades. Clarissa tem um canto límpido, o que torna sua obra de fácil assimilação. Baseado numa sonoridade folk-orquestrada, digamos que ela representa o momento em que Adriana Calcanhotto deixou-se influenciar por Natalie Prass e Natalie Imbruglia. Fã declarada de Laura Marling, Clarissa faz com que todos os clichês sejam estilhaçados num mar de absurdo. É possível criar a partir de premissas já estabelecidas. Noutras palavras, o pop ainda pode nos surpreender.

Ouça: “Essa Chuva”

Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 3 de fevereiro de 2014

O segundo disco do paulistano leva mais tempo para ser absorvido que o antecessor, mas as repetições não são fruto de insistência. As composições inteligentemente construídas são novamente focadas em suas vicissitudes pessoais, tornando-o ainda mais misterioso que o ressentido, porém esperançoso Jair Naves do trabalho anterior. Trovões a Me Atingir tem uma sonoridade mais amena; aos poucos, revela-se a exuberância melódica que o acompanha, como se ouve no acordeom da bela “Prece Atendida” ou no soft-rock de “Deixe/Force”, que aos poucos ganha tom ritmicamente orquestrado.

Ouça: “Prece Atendida”

Gravadora: Lezma
Data de Lançamento: 30 de outubro de 2015

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O punk-rock do Siléste é túrgido. São 26 minutos de muito barulho valvular e composições sobre estar ou não nesse plano. As canções relativamente curtas, no entanto, carregam traços de Ride e The Jesus & Mary Chain – mas sem abandonar a característica despojada à lá Joey Ramone, especialmente nas canções mais melancólicas, como “Bem Estar”. O quarteto de São Leopoldo (RS) chegou a utilizar o termo ‘libertinagem póstuma’, talvez porque as contradições e subjetividades também chamuscam neste rock lento e, ao mesmo tempo, testosterônico.

Ouça: disco na íntegra

Gravadora: YB Music
Data de Lançamento: 25 de setembro de 2015

Rodrigo Campos não precisou ir ao Japão para levar o ouvinte pra lá. O terceiro disco do compositor do bairro de São Matheus, que já abordou a Bahia em disco, se entrega aos timbres agudos do vibrafone e das guitarras elétricas. Seu canto suave faz com que as crônicas de personagens como Toshiro e Funatso fiquem marcadas por atos vis que não se esperaria (‘Funatso, rei covarde‘). Assim como em Bahia Fantástica (2012), em Conversas com Toshiro Rodrigo propõe um desafio estético. Aqui ele soa mais aventureiro, mais paisagístico e até mais sereno.

Ouça: “Abraço de Ozu”

Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 7 de julho de 2015

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Afro-beat, rock, soul e, principalmente, dub. Esses ritmos já estão atrelados ao Amplexos desde o primeiro disco, A Música da Alma (2012), mas em Sendeiro ganharam força maior. Mais direto e, também, mais potente, a banda mostrou que domina a massa sonora – perceba isso nos teclados de Martché e no baixo de Polito, em “Cai Pra Dentro”, ou nos riffs funky certeiros de Leandro Vilela e Guga. Por ter apenas 7 canções, Sendeiro parece breve, mas a intensidade é tão demasiada, que a experiência resulta completa.

Ouça: “O Presente”

Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 11 de maio de 2015

Graxa é rock’n roll. O segundo álbum, Aquele Disco Massa, critica as instituições culturais brasileiras que exploram artistas independentes com o discurso banalizado pelo Fora do Eixo (em nenhum momento citado, ainda que a carapuça lhe caiba). “Isso só vai ser derrubado quando a visão de apoio for voltada para o desenvolver do local em pequenos espaços e em ambientes periféricos, e não apenas no que é central e grandioso”, disse Angelo Souza em entrevista ao Na Mira. “Pesquisa Institucional de Mercado” deixa bem claro como a panelinha é formada: ‘De cada 9 pessoas aqui do recinto/20 são músicos ou jornalistas/Gente que pergunta e já elabora resposta/Sempre deixando entender‘. As influências são mutáveis no disco: em “Eu Não Kiss”, a Jovem Guarda é sarcasticamente evocada numa pilhéria feita com os que só dão atenção aos ditos ‘clássicos’. “Eu Acredito Há Muito Tempo” é um funk-rock com excelente confluência na guitarra de Julio Andrade e no baixo de Hugo Coutinho. Pode crer, este disco é muito massa.

Ouça: “Eu Acredito Há Muito Tempo”

Gravadora: Far Out
Data de Lançamento: 10 de março de 2015

A desconstrução folclórica da música brasileira ainda tem muito a se desenvolver, e enquanto essa prerrogativa render bons frutos, os brasilienses do Satanique Samba Trio continuarão na ponta de frente. Em Mó Bad, as profusões são mais arrebatadoras, justamente por serem mais breves. No total, o disco tem pouco mais de 20 minutos, e isso só mostra que a diversão e o domínio da técnica de subverter atingiram novos patamares criativos. Em “#Badtriptronics #6”, o choro de viola une-se ao free-jazz, sem precisar recorrer à extravagância. “#Badtriptronics #36”, por outro lado, põe um entrecorte rítmico no partido alto, sugerindo inserçoes bagunçadas de outros instrumentos caros ao samba. Com drones e uma estrutura avant-garde, os cavacos cedem, em “#Badtriptronics #19”, a um estranho slow-motion. O próprio nome ‘Bad’ no disco do Satanique é parte da contradição: não tem como não se divertir com este álbum.

Ouça: “#Badtriptronics #19”

Gravadora: YB Music
Data de Lançamento: 13 de maio de 2015

No segundo álbum solo, após anos de experiência com os grupos Mestre Ambrósio e A Fuloresta, Siba encontrou o eixo perfeito da atmosfera de suas composições sócio-imagéticas, as explorações inovadoras com os arranjos de cordas e o desenvolvimento da linguagem popular, fortemente marcada pela música da mata pernambucana e os elementos do frevo. “Marcha Macia” conecta-se com a mobilização nas ruas de Recife ante a ocupação do Estelita, enquanto “Quem e Ninguém” e “A Jarra Arranha a Aranha” fincam o pé na tradição musical indelével de sua formação. De Baile Solto é, de fato, um baile que só poderia ser conduzido por Siba.

Ouça: “Marcha Macia”