A seguir, a lista em retrospecto do 30º ao 1º lugar:
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30. Um Mundo Flutuante
Tiago Frúgoli
Gravadora: Independente
Gênero: Rap Alternativo
Texto: Minimal beats e nova forma de contextualizar o urbano
Download gratuito via BandCamp
Apenas duas faixas de Um Mundo Flutuante superam os três minutos: “Vira Lata” e “Sol”, não por coincidência as que trazem participações especiais (Ogi e Elo da Corrente). O paulistano Tiago Frúgoli rima desde 2005, experimentando com beats minimalistas e frases certeiras que não precisam de muita justificativa (aka: longas durações de tempo) para serem efetivas: ‘Vejo tudo diferente sem precisar me embriagar’, diz o cronista em “Memória Seletiva”. A batida de M. Takara garante uma melancolia toda suburbana em “Feliz na Zona Sul”, onde a mensagem positivista de Frúgoli não oculta a sobriedade de quem nunca ‘cansa de parar pra pensar’.
Ouça: “Vira Lata” (part. Ogi)

29. College Clash
Babe, Terror
Gravadora: Independente
Gênero: Eletrônica/WDM
Texto: Resenha na Tiny Mixtapes (em inglês)
Download via BandCamp
Doze anos após as experimentações do Chelpa Ferro, pouco se diz sobre sua influência plástico-motora na música. Babe, Terror, projeto do paulistano Cláudio Szynkier, bebe da fonte do Chelpa não em sua composição orgânica, mas em suas texturas difusas e aquebrantadas, jogando no caldo um tanto dos experimentos do Burial. É ouvir faixas como “Damascus School” (com participação dos Smooth Talkers) e “Perdizes Camp Seniors” e concordar com o termo WDM – wrong dance music. Apesar da longa trajetória e de uma forçadinha para o lado indie de um post no Popload, o Babe, Terror ainda é pouco cultuado nos circuitos alternativos após quatro discos e diversos EPs lançados.
Ouça: “Perdizes Camp Seniors”

28. Trio
Hamilton de Holanda
Gravadora: Brasilianos
Gênero: Choro
Texto: Matéria no jornal Folha de S. Paulo
Um dos maiores nomes do choro na atualidade, Hamilton de Holanda, o ‘Jimi Hendrix do bandolim’, já trabalhou sob diferentes formatos: em quarteto, solo, sinfônico e em duo (um deles é o ótimo O Que Será, também deste ano, com o pianista Stefano Bollani). Em trio é a primeira vez. O percussionista Thiago da Serrinha e o contrabaixista André Vasconcellos dão uma forte pecha para que o bandolim reencontre outros gêneros, como samba, chacona e jazz em faixas como “Negro Samba”, “Capricho de Espanha” e “Desejo de Mulher”. A virtuosidade nas dez cordas é iminente na técnica de Hamilton, mas a procura pela beleza soa ainda mais fortalecedora agora, mesmo depois de três décadas de prolífica carreira.
Ouça: “Capricho de Espanha”

27. Coisa Nostra
Babi Jaques e Os Sicilianos
Gravadora: Coisa Nostra
Gênero: Alternativo
Texto: Entrevista no iG Pernambuco
Adquirir pelo site da Coisa Nostra
O Teatro Mágico pode ter prestado um desserviço na tentativa de unir aspectos teatrais e composições musicais munidos de uma chatice horrenda. Mas isso não quer dizer que o modelo não possa ser bem aproveitado. Prova disso é o primeiro disco dos pernambucanos Babi Jaques e Os Sicilianos. Coisa Nostra é ambientado na fictícia ilha de Nostrife, numa época dominada pela máfia. A sonoridade é bem mais livre e libertadora do que se pensaria para os palcos: há explosões carnavalescas em “Evocação Sem Número”, uma volúpia salsa-rock em “Roberto” e uma bela convergência de guitarras em reverb na experimental “Senso Nu”. Nos palcos, a banda aposta numa performance em cenários e iluminações teatrais.
Ouça: “Palavras”

26. MUSIKATENTA
Peter Gossweiler & Diego Dias
Gravadora: Mansarda
Gênero: Experimental/Free-jazz
Texto: Microfonias, silêncio e free-jazz
Download via Mansarda Records
Diego Dias, um dos proprietários da experimental gravadora Mansarda Records, ocupou-se bastante em 2013: gravou dois discos em duo com bateristas, além de tocar com Naña Parú, Renato Rieger, formar o Honorável Harakiri, entre outros projetos. Mas a mais ousada das empreitadas musicais do saxofonista foi com Peter Gossweiler em MUSIKATENTA. Com pouca preocupação de preencher espaços, eles arrebatam silêncios com notas soltas de sax e sintetizadores, sem medo de afastar os ouvintes em petardos como “Estágios Pré-Verbais” e “Incomunicabilidade”. Referências a Albert Ayler, John Cage e Terry Riley podem aparecer vagamente numa nota ou outra, mas a verdadeira eficácia de MUSIKATENTA está em subverter as entradas instrumentais, usando o ‘tempo’ como possibilidade de anacronismo musical.
Ouça: “Porosas Densidades da Língua”

25. Café Preto
Café Preto
Gravadora: Loop Play
Gênero: Dub/Reggae
Texto: Baixou o Snoop Lion no Cannibal, do Devotos?
Adquirir via site oficial
Já imaginou o vocalista Cannibal cantando dub? Se pensarmos que o Devotos é a versão brasileira dos Bad Brains, bom, isso não é tão improvável. E o projeto Café Preto é a prova de que novas respirações musicais para um dos cantores de hardcore mais agressivos do Nordeste podem ser uma boa opção. As composições ainda são carregadas daquela contextualização tão detratada em discos como Hora da Batalha (2004). Todavia, Café Preto é exemplo de que pode se extrair sentimentalismo (“Dandara”) e esperança (“Dos Que Se Encontram e Se Encantam”, com participação de Orí) nos mais obscuros cantos das periferias.
Ouça: “Dandara”

24. no
Lingering Last Drops
Gravadora: Independente
Gênero: Avant-garde
Texto: Faixa a faixa do disco
Não espere linearidade ou um termo único na música do Lingering Last Drops. Terceiro álbum de uma banda que experimenta do drone-rock ao funk-africano, passando por ambient, loops, indie e dodecafonia, no é resultado penoso de uma banda que não se prende a nada. As referências vão de Scott Walker a These New Puritans em faixas como “Boxes” e “False Projection”, mas legal mesmo é tentar decifrar os muitos enigmas contidos em “Iqlusion\Flatliner Blues”, que vai do afro-beat ao noisy-rock.
Ouça: “Outerspace”

23. Eslavosamba
Cacá Machado
Gravadora: YB Música
Gênero: Samba/MPB
Texto: Crítica do Fita Bruta
Romulo Fróes, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci subverteram a noção de samba paulista nos últimos cinco anos. Há de se discutir se Cacá Machado é um influenciado, justamente porque Eslavosamba é obra de quem realmente está no controle das coisas. Afinal, estamos falando de um disco que tem colaborações de peso, como Zé Miguel Wisnik, Elza Soares (ambos em “Sim”), o maestro Arthur Nestrovski (“Casual”), o baixista Meno Del Picchia, entre muitos outros (incluindo os citados Romulo, Rodrigo e Kiko). Música de cabaré, samba tradicional e torto, MPB e rock entram na vastidão musical de uma estreia que é um baita pontapé em qualquer rótulo conservador.
Ouça: “Não Veio” (part. Kiko Dinucci e Romulo Fróes)

22. O Ciclo das Manias
Circuitaria Apoteótica
Gravadora: Mansarda
Gênero: Noisy-rock
Texto: Free-jazz com muitas programações e bateria em chamas
Download via Mansarda Records
Barulhento é pouco para descrever o trabalho de estreia dos gaúchos da Circuitaria Apoteótica. São apenas cinco faixas em pouco mais de 20 minutos, mas a intensidade dos pedais, efeitos e bateria revelam uma obsessão tão extremada, que parecemos estar diante de uma guerra interestelar. Se realmente existir uma sonoridade para o caos, a Circuitaria está bem próxima dela.
Ouça: “O Ciclo das Manias II”

21. Witch Tales
FireFriend
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Resenha do Floga-se
As guitarras são bem noventistas, mas os contrapontos de pedais, vocais femininos em corrosão, cello e kurzweil fazem do som do FireFriend algo mais que nostálgico. Talvez seja a melhor forma de apimentar o rock dos anos 2000, ainda que encontremos mais similaridade com as produções internacionais em faixas como “Witch Hunt” (bem Swervedriver) e “Peace Eye” (Sonic Youth). Já é o sétimo álbum da banda brasiliense, o que prova sua inventiva capacidade de resgatar e melhorar a década que muitos trintões de hoje ainda sentem falta.
Ouça: “Lost Drive-In”
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