O Brasil vive um de seus melhores momentos musicais. A expansão dos interesses artísticos ultrapassaram as barreiras da famigerada música pop: não é o que está na Billboard que desperta interesse; é a procura de identificar-se com influências distintas, que tenham mais a ver com as idiossincrasias dos artistas.
Alguns dos melhores trabalhos de 2012 abraçaram sem medo as influências externas. Outros provaram que vão além dos ‘bons comentários na internet’, desafiando as próprias limitações. (Falo tanto dos músicos que já têm relativo prestígio, como outros não tão conhecidos assim.)
Num primeiro momento, o Na Mira apresenta 10 discos nacionais como menções honrosas. Estão aqui porque 30 é um número pequeno diante de muita coisa boa nacional que pintou por aqui.
Note que os 10 discos aqui mencionados estão em ordem alfabética de artistas. A exemplo dos anos anteriores, a seleção dos 30 melhores será colocada em retrospecto, do menos ótimo ao melhor, nesta mesma postagem. (Atualização: a lista está completa.)
Alguns nomes podem surpreender leitores antigos por não terem sido apresentados anteriormente. Para que o internauta tenha à sua disposição mais informações dos discos aqui presentes, cada um deles vem com uma indicação de texto – alguns do Na Mira, outros não.
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Enfim, confira as menções honrosas dos melhores álbuns nacionais de 2012:
Abayomy
Abayomy Afrobeat Orquestra
Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Abayomy faz da choperia do Sesc Pompeia um baile afrobeat
É dança na veia, negão! Com clara inspiração do gênero de Fela Kuti, a big band carioca joga no tempero música latina, soul e referências do candomblé em seu afro-beat. Todos os músicos são protagonistas, seja nos solos catárticos do sax alto de Mônica Ávila, nos teclados onipresentes de Donatinho ou na guitarra de André Abujamra, que crava bela assinatura na produção de um disco que não tem medo de levar ao exagero a reverência à dança.
Ouça: “Malunguinho”
Afroelectro
Afroelectro
Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Um choque de 220 volts pra dançar e pulsar
Download Gratuito
Mais uma prova de que a música afrobrasileira está – e muito! – em alta. Com percussionistas mais que renomados como Sérgio Machado e Maurício Badé, a pulsação é mero pré-requisito. As guitarras de Michael Ruzitschka buscam riffs e solos ágeis em faixas como “Padinho” e “Sika Blawa”, que conta com a célebre participação de Chico César. Tem ciranda, afro-beat, samba, rock, funk e até rap – como é possível ouvir em “Pra Sonhar”.
Ouça: “Sambada” (part. de Siba)
No Dust Stuck On You
Black Drawing Chalks
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Resenha do Move That Jukebox
Veja como adquirir no site oficial
Sejamos diretos: o mais legal do BDC é não formular tanta coisa. É deixar que os riffs te peguem no caminho pra pular ao som de pancadas como “Famous” e “Street Rider” – que faz um pequeno flerte com Red Hot Chili Peppers. As canções do quinteto goiano de alguma forma nos transportam para os melhores momentos de nossas adolescências, sem cair naquele velho papo de ser absurdamente jovial. É barulhento, não é difícil de cantar (apesar de ser em inglês) e crava facilmente.
Ouça: “Famous”
Carne
Bratislava
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Faixa a faixa do disco (Floga-se)
Download no Hominis Canidae
Uma das coisas mais legais na atual cena roqueira por aqui é deixar-se levar por distintas influências. No caso da Bratislava, eles pegam coisas do tango, música cigana e temas fantasiosos em composições fortes o bastante para trabalhar o imaginário do ouvinte, que ainda pode curtir as firmes guitarras de Edu Barreto e Alexandre Meira. Por ser um primeiro disco, Carne esbanja proteína musical, com os devidos créditos aos irmãos baianos Victor e Alexandre Meira.
Ouça: “Fôssemos Gatos”
Estação Sé
Caê Rolfsen
Gravadora: Independente
Gênero: MPB
Texto: Entrevista exclusiva com Caê Rolfsen
A complexidade de São Paulo tem gerado boas composições, e o disco de Caê Rolfsen é mais um retrato bem-sucedido disso. Com elementos do samba pós-era do rádio e música ibérica e arabesca, Estação Sé fala de multidão no sentido corriqueiro e, ao mesmo tempo, nostálgico – bem perceptível na bela “Terra em Trânsito”. Os romances (“Do avesso”) e possíveis flertes (“Estação Sé”) entrecruzam uma cidade que afeta a vida de seus moradores por sua correria. É a terra de oportunidades? Sim. Mas é também uma terra que atropela o senso de simplicidade. Essa é uma das grandes buscas desse belo disco.
Ouça: “Terra em Trânsito”
…Entre… (EP)
Kamau
Gravadora: Plano Áudio
Gênero: Rap
Texto: Resenha do EP …Entre…, de Kamau
Quatro anos depois de mostrar outros caminhos para o rap com Non Ducor Duco, Kamau resolveu quebrar o silêncio com um EP de batidas mais experimentais, mas que nada fogem de sua busca pelo simples. Ele prova ser um operário de sua própria causa (“Música de Trabalho”) e, com admirável produção de Renan Samam, cruza datas com perspicácia matemática em “21|12”, um remonte de sua trajetória artística, que vai do skate à música.
Ouça: “Música de Trabalho”
Molho Negro
Molho Negro
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Coluna Na Mira: Molho Negro
Download no Hominis Canidae
Quem disse que o Pará é só Gaby Amarantos e Gang do Eletro? Para recobrar essa possível injustiça do hype, o Molho Negro responde com o clipe de “Aparelhagem de Apartamento”, com um humor bem mais sincero e divertido que os conterrâneos. Os riffs de João Lemos favorecem as composições naturalmente engraçadas, como o clamor por um ‘sex appeal’ de “Onde Está o Meu Mojo?” e os velhos papos de chefe que comentam sobre as garotas da firma em “Se Ela Não é Lésbica Tem Namorado” – afinal, quem já não lançou uma dessas no happy hour?
Ouça: “Ela Prefere o DJ”
Manhã
Pentágono
Gravadora: Independente
Gênero: Rap/Ragga
Texto: Entrevista exclusiva com o Pentágono
Download no site oficial
O terceiro disco veio para calar a boca de quem achava que o Pentágono iria acabar devido ao projeto solo de Rael da Rima, que está cada vez mais em crescimento. Os bochichos são rebatidos logo na primeira faixa, “Tá Teno”: ‘Já disseram que acabou/Só nós não tá sabendo!’ O quinteto explorou mais guitarras e metais em batidas inspiradoras assinadas por Renan Samam, Di Beatmaker, Nego Flow e muitos outros. As participações vocais de Maomé (“Incandescer”), Projota (“Me Ensinou”) e Livia Cruz (“Não Dá Mais”) reforçam o teor coletivo de uma das bandas mais agitadas do rap nacional.
Ouça: “Nóiz é Negô”
A Mágica Deriva dos Elefantes
Supercordas
Gravadora: Midsummer Madness
Gênero: Psicodélico
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito no site oficial
‘Nos incensos de Mumbai/O velho amigo haicai solaaarrr’. A primeira faixa do disco brasileiro mais atrasado em tempos (Seres Verdes ao Redor é de 2006) é uma viagem levada pelas guitarras de Bonifrate. Se o disco anterior pode ser classificado como um bluegrass psicodélico, neste novo disco os cariocas estão ainda mais híbridos, mais lisérgicos e, ignorando as junções do impossível, bem mais rock’n roll! Junto aos loopings de teclados e outros aparatos elétricos, fervem guitarras e baterias – perceptível em “O Céu Sobre as Cabeças”. Que eles não demorem mais pra lançar discos, aviso dado.
Ouça: “Mumbai”
Táksi (EP)
Táksi
Gravadora: Independente
Gênero: Noisy/Industrial
Texto: João Brasil comenta faixa a faixa o EP Táksi
Download pelo site oficial
Muitos gêneros estão se solidificando no Brasil, e uma das boas surpresas é o crescimento do noisy, seja em sua forma industrial, eletrônica, drone, shoegaze, entre outros. Táksi é um projeto de João Brasil com Domênico Lancellotti criado naturalmente após uma exposição de artes performáticas na Europa, onde os músicos se encontraram. O EP homônimo é um registro improvisado e, talvez por isso mesmo, grandioso, porque explora possibilidades que vão do ambient e downtempo (“Space Finger”, com uma pitada de funk carioca) ao heavy metal e drum’n bass (“Might Sound Noisy”).
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E agora, a lista regressiva dos 30 melhores álbuns nacionais de 2012:
30. A Música da Alma
Amplexos
Gravadora: Independente
Gênero: Rock/Reggae/Afrobeat
Texto: Entrevista com Amplexos sobre o disco
Download no Hominis Canidae
É música que vem de almas alimentadas. É rock, é afro-beat, é reggae, é ragga, é música brasileira. Com produção de Buguinha Dub (Nação Zumbi, Lucas Santtana), o primeiro disco da Amplexos é um prato cheio para os adoradores da música negra de verdade. É um som de pulsação, firme. Do afro-beat de “Making Love” ao firmamento do baixo de Flávio Polito que forma o belo reggae de “O Homem”, o grupo de Volta Redonda (RJ) prova que não existe tempo ruim para música boa. Também vale destacar canções como “Festa” e “Mistério”.
Faixa: “O Homem”
29. Fazendo as Pazes Com o Swing
Orquestra Imperial
Gravadora: Ping-Pong
Gênero: MPB/Samba
Texto: Crítica do Notas Musicais
Download no Baixa Funda
A ilustre capa do segundo disco da Orquestra Imperial homenageia Nelson Jacobina, que faleceu em 31 de maio deste ano por conta de um câncer. Nelson esteve envolvido na produção do álbum e assina composições como “Fala Chorando” e “Alcaçuz” (as duas em parceria com Jorge Mautner, eterno parceiro). As releituras da Orquestra Imperial ganham um clima mais nostálgico por conta dos sopros. No melhor clima de festejo, canções como “Moléculas” (Nina Becker e Ruben Jacobina) e “Cair na Folia” (de Argemiro Patrocínio e Paulinho César, cantada por Duani) são bons motivos para entrar aos poucos em clima de carnaval – já que ele só tá aí no ano que vem.
Ouça: “Moléculas”
28. Silence (EP)
Filipe C.
Gravadora: Independente
Gênero: Lo-Fi
Texto: Entrevista com Filipe C.
Download pelo Rock’n Beats
Feito e idealizado todo em casa, Silence é um trabalho que, logo na primeira audição, revela o toque de primor de Filipe Consolini, músico que tocou praticamente tudo aqui. As composições são todas em inglês e, por mais que o título pareça vir de um trabalho minimalista, o conceito é um pouco diferente: “a ideia do silêncio é reflexo do silêncio de um relacionamento – não tem a nada ver com o minimalismo na música”, disse o músico em entrevista ao Na Mira. “Até porque o EP é cheio de camadas”. Ouça “Empty Spaces” e “Before We Got Sober” e você vai entender na hora.
Ouça: “Crack of Love”
27. Fábula
Cris Braun
Gravadora: Tratore
Gênero: Folk-rock
Texto: Entrevista para o Scream & Yell
Ex-integrante do aclamado Sex Beatles nos anos 1990, Cris Braun transitou entre o Rio de Janeiro e Maceió para entregar seu terceiro disco solo. Com composições de Wado (“Ossos” e “Cidade Grande”), Lucas Santtana (“Tanto Faz Para o Amor”) e Fernando Fiuza (“Oscilante” e “Viga”, a última em parceria com Cris), Fábula é um trabalho que passeia por temas contemporâneos para mostrar como a realidade é mais rica que a ficção. (Cris também é compositora, não vá pensar que é mais uma de nossas infinitas intérpretes.) Classificar Fábula pode ser uma tentativa vã: não se pode dizer que é MPB quando banjos e violões se entrecruzam (“Deve Ser Assim”); poderia ser rock a julgar pela instrumentação de “Artérias”. Cris diz que é música livre brasileira. Prefiro dizer que é música boa brasileira – sem amarras.
Ouça: “Cidade Grande”
26. Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor
Los Sebosos Postizos
Gravadora: Deck
Gênero: Samba-rock
Texto: Resenha do Na Mira do Groove
Tem mais de 10 anos que a Nação Zumbi realiza um baile todo dedicado às músicas da primeira fase (e a melhor) de Jorge Ben – tanto que até o próprio estava ansioso pelo lançamento fonográfico do projeto Los Sebosos Postizos. Várias composições já haviam caído na rede em diferentes versões, mas o grupo optou por uma seleção menos óbvia. Se por um lado não tem “Mas Que Nada” ou “Chove Chuva”, por outro o grupo compensa com belas canções como “Quero Esquecer Você” e “O Homem da Gravata Florida”. Os discos mais celebrados pelos Los Sebosos são dois dos mais grandiosos de Jorge: O Bidú: Silêncio no Brooklin, de 1970 (“Vou Andando”, “Jovem Samba”, “Frases”) e A Tábua de Esmeralda, de 1974 (“Cinco Minutos”, “O Homem da Gravata Florida”, “Os Alquimistas Estão Chegando” e “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”). Baile garantido.
Ouça: “O Homem da Gravata Florida”
25. Trabalhos Carnívoros
Gui Amabis
Gravadora: YB Music
Gênero: MPB
Texto: Matéria do Estadão sobre o disco
Download no Hominis Canidae
Apesar da estreia no ano passado com Memórias Luso-Africanas, Trabalhos Carnívoros é o primeiro disco com Gui Amabis cantando. Como no trabalho anterior, o novo disco é melancólico, entremeado pelas guitarras de Dustan Gallas e Regis Damasceno, que também coassina com Amabis a produção do disco. Tácita, a voz de Amabis lembra um pouco os trabalhos de Romulo Fróes, por dar a devida reflexão a temas complexos – como faz muito bem na faixa-título, “Merece Quem Aceita” e “Pena Mais Que Perfeita”, que ganhou um clipe muito bem produzido por Julio Andrade e Rafael Grampá.
Ouça: “Trabalhos Carnívoros”
24. Tropicália Lixo Lógico
Tom Zé
Gravadora: Independente
Gênero: Experimental
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Encontre no site oficial
Depois de distorcer samba, pagode e bossa nova, o novo alvo de Tom Zé é a tropicália, movimento que ajudou a difundir 45 anos atrás. O lixo aqui tem o sentido de reciclagem. Para essa empreitada, ele chamou músicos da nova geração: Rodrigo Amarante, Emicida, Mallu Magalhães e Pélico. Por mais que os participantes não tenham entendido todo o conceito da coisa, eles emprestaram muito bem suas vozes em faixas como “Tropicalia Jacta Est”, “Apocalipsom A (O Fim do Palco do Começo)” e a cacofônica “De-De-Dei Xá-Xá-Xá”. Talvez seja essa a grande oportunidade dos mais jovens conhecerem um pouco das doideiras de Tom Zé. Se não for agora…
Ouça: “Tropicalea Jacta Est”
23. A Curva da Cintura
Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra & Toumani Diabaté
Gravadora: Microservice
Gênero: World Music
Texto: O Brasil encontra o Mali no projeto A Curva da Cintura
Lançado bem no final de 2011, este projeto de world music é prova das infinitas possibilidades de intersecção musical Brasil-África. Esqueça afro-beat, kuduro ou axé. É música malinense com guitarras de rock. Em faixas como a lindíssima “Coração de Mãe” ou na agressiva “Um Senhor”, o trio entrelaça kora (uma harpa de 21 cordas, especialidade de Toumani Diabaté) com violões e guitarras nada óbvios. Além dos instrumentos mencionados, o trio faz uso de balafon, djembê, soku e até cavaquinho. E não é só a musicalidade que conta aqui: canções como “Cara” e “Grão de Chãos” entram facilmente pro rol de ótimas canções de Arnaldo Antunes.
Ouça: “Meu Cabelo”
22. Quinteto
Quinteto em Branco e Preto
Gravadora: Sambística/Radar Records
Gênero: Samba/MPB
Texto: Crítica do Notas Musicais
Não é exatamente a revolução dentro do samba, mas é admirável a habilidade do Quinteto em Branco e Preto fazer música que agrade tanto a nova geração, quanto a mais antiga. Quem gosta de Thiaguinho pode muito bem se agradar com “Beija Flor” ou “Resistir”. Fãs da fase mais clássica do samba não têm o que reclamar de “Uma Festa”, com participação de Dona Ivone Lara, ou “Samba Pop”, prova irrefutável da mistura bem-sucedida que pode ser feita com um de nossos gêneros mais seculares (com boa ajuda da Banda Mantiqueira): ‘É o groove correndo na veia‘. Boa também é a participação de Edi Rock em “Fui Bandido”, crônica que muito ilustra o corre-corre de quem não teve oportunidades na vida: ‘Amargando o peso da minha sentença/Ao contrário daquilo que essa gente pensa/Com o crime aprendi’.
Ouça: “Samba Pop”
21. This is Rolê
Macaco Bong
Gravadora: Trama
Gênero: Rock Instrumental
Texto: Ouça na íntegra o segundo disco de Macaco Bong
Download pelo site oficial
A saída do baixista Ney Hugo para a entrada de Gabriel Murilo, as experimentações com lounge, o envolvimento em projeto com músicos que vão de Emicida a Gilberto Gil… Tudo isso criava suspeitas para uma incursão mais experimental e imprevisível quatro anos depois de Artista Igual Pedreiro. A resposta está logo nos primeiros riffs de “Otro”: tome música pesada pra cachola! Mais uma vez o trio de Cuiabá não recorre ao virtuosismo: bumbos, slaps e riffs estão ali para contar alguma história – histórias bem estranhas a julgar pelos nomes de canções como “Copa dos Patrão”, a experimental “Dedo de Zombie” ou a própria faixa-título.
Ouça: “This is Rolê”
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20. Claridão
SILVA
Gravadora: Slap/Som Livre
Gênero: Indie
Texto: Entrevista para o Scream & Yell
Um EP com poucas músicas lançado no ano passado causou tanto estardalhaço, que logo o capixaba SILVA foi contratado por uma grande gravadora para lançar aquele que alguns já pré-denominavam ‘o’ disco de 2012. A posição dele aqui vai contra algumas correntes, mas é fato que Claridão merece destaque, sim. O disco é valorizado por timbragens indie, com alguma coisa ou outra de pós-rock e eletrônico. Todas as faixas do EP aparecem aqui. Por conta da ‘novidade fonográfica’ ganharam nova remixagem. Um ótimo debut para deixar-se levar. Acredito que o músico vai mostrar muita coisa daqui pra frente, e essa posição reflete o olhar positivo do Na Mira de um músico inventivo, capaz de lançar ótimas canções como “2012”, “Dos Pés” e “Imergir”, uma das mais belas de Claridão.
Ouça: “2012”
19. Nordeste Oculto
Cabruêra
Gravadora: Independente
Gênero: Música Nordestina
Texto: Cabruêra e a metafísica do Nordeste Oculto
Download pelo Hominis Canidae
Nordeste também é místico. Você que gosta da fase oriental de George Harrison pode muito bem cair no gosto da cítara de Alberto Marsicano, filósofo e condutor deste novo trabalho da banda paraibana. (Ravi Shankar, ‘guru’ de Harrison que faleceu hoje, é o mestre de Alberto.) O ‘vórtex magnético’ aqui presente guia canções que mostram um Nordeste muito além de qualquer clichê que se possa imaginar. Alguns exemplos: a ciranda transcende para uma pegada roqueira e psicodélica em “Filhos do Vento” e, em “Druidas do Agreste”, a banda faz uma espécie de forró noisy.
Ouça: “Jurema”
18. Sobre a Máquina
Sobre a Máquina
Gravadora: Sinewave
Gênero: Drone/Dark Ambient/Experimental
Texto: Resenha do Floga-se
Download gratuito pelo selo Sinewave
Foi lançado aos 45 minutos do segundo tempo – mas, ainda assim, o necessário para figurar em qualquer lista de melhores. O disco autointitulado do Sobre a Máquina é o terceiro de uma carreira pautada por experimentalismos que podem ser tidos como eficazes; eficaz porque é autêntico, criativo, fora dos padrões e, o melhor, arrebatador. A entrada do saxofonista Alexander Zhemchuzhnikov é um hibridismo a mais nas doideiras de Cadu Tenório e Emygdio Costa, que assinam a produção do álbum. Há temas longos, como “Dia” e “Árvore”, que ultrapassam os 15 minutos cada – e devem ser ouvidos. Mas, como boa porta de entrada, comece por “Oito” (que até tem clipe) e deixe se levar pelo obscurantismo de “Corredor”, com calafrios que remontam cárceres.
17. Feitiço Caboclo
Dona Onete
Gravadora: Ná Music
Gênero: Carimbó/Forró
Texto: Crítica do Fita Bruta
Download pelo La Cumbuca
Aos 73 anos, Dona Onete participou de diversas atividades culturais em Cachoeira do Ariri, no Pará, antes de gravar este que é o seu primeiro disco. As nuances musicais aqui encontradas são justificadas pelas participações de Manoel Cordeiro (mestre do brega), Mestre Vieira (guitarrada), além das colaborações de Pio Lobato e Marco André, conhecedores de música latina. Se por um lado o hype paraense se firma em Gaby Amarantos e Gang do Eletro, decerto que Dona Onete, nesse terreno, tem muito espaço com canções como “Moreno Morenado” e “Carimbó Chamegado”. Feitiço Caboclo não tem nada de produção exacerbada; é pura originalidade, o convite perfeito para se aprofundar (e dançar muito) ao som que o Pará tem de melhor.
Ouça: “Carimbó Chamegado”
16. Pra Ficar
Orquestra Contemporânea de Olinda
Gravadora: Independente
Gênero: Frevo/Ciranda
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito pelo site oficial
São letras fáceis, o ritmo é contagiante e a musicalidade, mais dançante impossível. Não tem como ficar parado ao som da Orquestra Contemporânea de Olinda. É um frevo pop. E as brincadeiras vocais do percussionista Gilú, que canta ‘Quando as coisas têm que ser/As coisas são/Como elas são/Como têm que ser’ em “De Leve”, só reforçam o teor criativo do coletivo mais rodado pelo Brasil nesses últimos anos (80 shows em um ano é pouco?). Vale destacar o forte naipe de metais da banda, tão potentes quanto ska. Se duvida, ouça “Suor da Cidade” e “Voz de Dentro”.
Ouça: “De Leve”
15. Aleluia
Cascadura
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Faixa a faixa no El Cabong
Download gratuito pelo site oficial
Várias crônicas de uma Bahia que não cabe numa composição de axé. A banda liderada por Fabio Cascadura faz rock – mas um rock onde a poesia e as histórias de Salvador fogem do espectro carnavalesco para mostrar um cotidiano realista, fora dos lugares-comuns associados à capital. Há a fábula de um santo (“O Rei do Olhar”), um retrato panorâmico da cidade (“Soteropolitana”, com violões de “Street Fighting Man”, dos Stones) e o senso de abandono que em certos momentos paira sobre a cidade (“Resumindo”). A banda não tem medo de abraçar a tradição candomblé no ritmo, como o faz muito bem em “Uma Lenda do Fogo” e nos belos arranjos da faixa-título.
Ouça: “Aleluia”
14. Sambanzo, Etiópia
Sambanzo
Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito pelo site oficial
Thiago França é um saxofonista ocupado. Mesmo tocando com Criolo, Metá Metá, Romulo Fróes e Rodrigo Campos, ele arranjou um tempo para se dedicar ao projeto Sambanzo, que é uma continuidade do seu disco solo Na Gafieira, de 2008. Numa palavra, Sambanzo, Etiópia é puro candomblé misturado com música latina, jazz, samba, afro-beat, highlife, cuban jazz, música caribenha… É um rol infinito que só pode ser explicado por faixas como “Xangô” (com riffs excepcionais na guitarra de Kiko Dinucci), “Capadócia” (jazz com grandes pitadas de agressividade) e “Risca-Faca”, que encerra o disco com um carimbó bom demais pra se dançar.
Ouça: “Xangô da Capadócia”
13. Abraçaço
Caetano Veloso
Gravadora: Universal
Gênero: MPB/Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Muita gente não entendeu quando ouviu Caetano Veloso evocar Minotauro, Anderson Silva, fitas cassete e restos de rabada em uma mesma canção. Pois é, “A Bossa Nova é Foda”, com um refrão grudento, joga ao ar diversos elementos contemporâneos aleatórios para ligá-lo ao movimento de Tom Jobim, provavelmente esquecido ou fragmentado pelo ‘homem cruel e destruidor’. No disco que encerra a trilogia com a Banda Cê, Caetano está mais melancólico. Isso é fácil perceber logo no título de “Estou Triste” e na bonita “Quando o Galo Cantou”. Experimentador como costuma ser, Caetano trabalha um rock agreste em “Império da Lei”, vai sem medo mexer com funk carioca em “Funk Melódico”, além de se arriscar numa linguagem jovem com versos como ‘tudo mega-bom, giga-bom, tera-bom’ em “Parabéns”, feita em parceria com Mauro Lima.
Ouça: “A Bossa Nova é Foda”
12. E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas
Jair Naves
Gravadora: Travolta Discos/Popfuzz Records
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download pelo Bandcamp oficial
“Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)” ensaia a agressividade do punk de Ludovic, uma das principais bandas do cenário alternativo liderada por Jair Naves. No entanto, aos poucos o ouvinte percebe que as composições do cantor estão bem mais eloquentes, jogando ainda mais limpo com a própria sinceridade. Quando parte para um lado mais melódico, que se inicia em “No Fim da Ladeira, Entre Vielas Tortuosas”, Jair deixa a vergonha de lado para desabafar, ‘pedir conselhos, ganho a simpatia de outros bêbados’. O compositor até se permitiu uma homenagem à sua mãe em “Maria Lúcia, Santa Cecília e Eu”, que ele quase não coloca no disco por ter medo de acharem brega demais. A velhice, tema pouco discutido com seriedade no rock, é tema de duas das mais belas músicas do disco: “Guilhotinesco” e “Covil de Cobras”.
Ouça: “Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)”
11. Caravana Sereia Bloom
Céu
Gravadora: Urban Jungle/Universal
Gênero: MPB
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Assim que foi lançado, muita gente comentou que a Céu estava querendo mudar demais sua carreira ao partir para um lado mais pop-rock. Houve algumas mudanças latentes: entre elas, uma autonomia maior da cantora em sua produção, que ficou a cargo dela e de Gui Amabis (e não mais Beto Villares e Gustavo Lenza). Mas o terceiro disco da cantora paulista tem duas formas de pegar o ouvinte: ou de primeira, como foi meu caso; ou dando chances a mais audições. “Falta de Ar” é facilmente uma de suas melhores canções, por ligar sentimentalismo a um tema como sustentabilidade com trocadilhos inteligentes. Para o disco, a cantora disse que se inspirou em suas viagens: seja do asfalto que separa o homem do mar em “Asfalto e Sal” ao festejo melancólico de “Baile da Ilusão”, uma das mais bonitas do disco.
Ouça: “Baile de Ilusão”
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10. Kitsch Pop Cult
Felipe Cordeiro
Gravadora: Independente
Gênero: Música Nortista
Texto: Felipe Cordeiro e a transfiguração de brega em cult
Trilhas de cinema clássico em meio a uma lambada; carimbó com salsa; forró e cuba libre com limão. Um dos grandes nomes da música brasileira, só com este disco, é Felipe Cordeiro. Uma cozinha do popular com o ‘cult’ é igual farinha com o créme-de-la-créme do melhor da culinária mundial. Como isso é trazido para a música? Mais ou menos isso: ‘Felicidade não passa de uma maneira bem sofisticada de ser distraído‘.
Kitsch Pop Cult pode ser entendido como reprocessamento estético de todos os elementos da música nortista, do Pará ao Amazonas. Onde há guitarrada (bem experimentada pelo pai Manoel Cordeiro), também pode haver um baixo solapado e um chameguinho, como faz em “Café Pequeno”. O pouco que era entendido por todo o Brasil de música nortista foi elevado a outros patamares depois desse disco arriscado, divertido e rico, muito rico em musicalidade.
Ouça: “Legal e Ilegal”
9. Arrocha
Curumin
Gravadora: Independente
Gênero: Experimental
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Considerado pelo Na Mira o melhor disco nacional dos anos 2000, Japan Pop Show é o trabalho que faz a assimilação mais bem-sucedida dos novos tempos que passamos. Diferentemente do trabalho anterior, Arrocha é direcionado aos problemas que envolvem a natureza.
Nele, o baterista optou por fazer um trabalho de produção mais caseira. Para falar sobre o tema, Curumin continua divertido como sempre (‘a lua atiça a cachorrada’, como canta em “Selvage”) e sabe falar bonito de natureza em uma de suas canções mais bonitas: “Passarinho” (‘não tem gaiola que possa me segurar’). E o reggae de “Doce”, então? (É de fazer chorar ao olhar pela janela do trem a situação da Marginal Pinheiros.) Coisa linda também é a releitura de “Vestido de Prata”, de Paulinho Boca de Cantor: um belo dum presente pro ouvinte!
Ouça: “Afoxoque”
8. O Deus Que Devasta Mas Também Cura
Lucas Santtana
Gravadora: Diginois
Gênero: MPB
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Nos trabalhos anteriores, Lucas Santtana de alguma forma remexeu com a estética brasileira – algo levado mais a fundo no anterior Sem Nostalgia (2009). Em seu quinto disco, o compositor baiano quis externar seus sentimentalismos, provavelmente após a separação de sua ex-mulher que parece deteriorar o cenário da faixa-título, já mostrada anteriormente em Memórias Luso-Africanas, de Gui Amabis.
É por conta dessa ‘devastação’ que Lucas recorre pela primeira vez a um familiar: o filho Moisés, que contribui e muito bem na sambista “Dia de Furar Onda no Mar”. Mas, calma, não vá achar que o disco é extremamente melancólico. Mais uma vez Lucas exerce seu dom de um dos melhores compositores de nossa geração na irrequieta “Jogos Madrugais” e descreve de forma inteligente a maior de nossas megalópoles em “Se Pá Ska S.P.”: ‘É só sair na rua e ter a sensação/De que estamos sós desde a barriga até o caixão’.
Ouça: “Se Pá Ska S.P.”
7. Tudo Tanto
Tulipa Ruiz
Gravadora: Independente
Gênero: MPB/Pop-Rock
Texto: Tulipa Ruiz – pode ser ou é? – a maior das cantoras atuais
Como uma das cantoras mais singelas da nova música se transformou numa possível estrela do pop-rock? Não é só porque Lulu Santos canta junto no belo dueto de “Dois Cafés”; no segundo disco, a cantora se arriscou e desgastou e muito sua voz em canções que pareciam inimagináveis para a autora de Efêmera (2010), como “Víbora” e “Like This”, as mais letárgicas do disco.
Apesar dos novos ares, Tulipa Ruiz não fez mudança radical em relação ao trabalho anterior. É fato que as composições estão melhores – e até mais grudentas, como “É” e a bela produção ventosa de “Quando Eu Achar”. Com Tudo Tanto, o que era aposta em 2010 firmou-se como axioma: Tulipa Ruiz é uma das maiores cantoras da atualidade e ponto final.
Ouça: “Expectativa”
6. Mental Surf
Psilosamples
Gravadora: Desmonta
Gênero: Eletrônica
Texto: Crítica da + Soma
Zé Rolê é o nome dele. O mineiro de Pouso Alegre criou uma música eletrônica própria unindo synths a sanfonas de forró (“Ovelha Negra”), sem medo de ali jogar um prog ou uma batida eletro que, por incrível que pareça, estão em velocidades equiparadas. Além de sintetizar elementos distintos entre si, o Psilosamples se destaca pelo humor incontido em diálogos e barulhos corriqueiros (nada mais natural para um produtor que fez música a partir de falas do Chaves).
Uma vez que o ritmo tradicional brasileiro trabalhado por Zé Rolê tem características dançantes, em Mental Surf o que se vê são intersecções que se chocam. Assim, um corte brusco que soaria amador na mão de outro, na música do Psilosamples surge como parte de um entrelaçamento musical (perceba isso em “O Príncipe da Roça”). Quer dizer então que programação de computador tem a ver com a música naturalista de Hermeto Pascoal? Em Mental Surf, capaz que sim.
Ouça: “Bom Dia Menina Pelada!”
5. Sintoniza Lá
BNegão & os Seletores de Frequência
Gravadora: Coqueiro Verde
Gênero: Funk/Soul Brasileiro
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Foram 9 anos para que Bernardo Santos lançasse o sucessor de Enxugando Gelo (2003) com os Seletores de Frequência. Com o imaginário alerta do público do Planet Hemp com a eterna volta, naquele ano alguns entenderam o disco como um ‘projeto paralelo’. Bom, o segundo disco, por si só, desmonta essa ideia – e prova que BNegão está mais sedento do que nunca por musicalidade.
Os metais fervem do começo ao fim em Sintoniza Lá. Da poderosa “Alteração (Éa)!”, passando pelo funk contagiante de “Proceder/Caminhar”, a dançante “Essa é Pra Tocar no Baile” até o encerramento com a faixa-título, os Seletores de Frequência tocam com propriedade inúmeras ramificações da música negra, do soul ao brazilian funk, sem esquecer o ‘hard-core dos Bad Brains‘ no petardo instrumental “Subconsciente”, bate-cabeça que lembra as mais enérgicas músicas do Planet Hemp.
Ouça: “Essa é Pra Tocar no Baile”
4. Aurora
Miranda Kassin
Gravadora: Independente
Gênero: MPB
Texto: Matéria da Folha sobre o disco
Conhecida por interpretar canções de Amy Winehouse e dar uma nova roupagem para clássicos não tão conhecidos assim com o louvável Hits do Underground (2010), Miranda Kassin há muito era repudiada por não ter um trabalho autoral. Como resposta, Aurora é um dedo do meio bem dado para quem achava que o talento da cantora estava eriçado em músicas alheias.
O melhor de Aurora é que Miranda não tem pretensão nenhuma de ser melhor que as outras e, o mais importante, como as outras. Músicas como “Para Pensa” e “Prisão” vão além da MPB; a primeira tem uma dinâmica country-folk de pegada, enquanto a segunda une o baixo sombrio a um clima retrô bem interposto. O que para algumas seria ‘vale prestar atenção naquela música’, no caso de Miranda ganha tônica maior: “Escarcéu” e “Driving Alone” provam que todo esse tempo sem composições abrilhantou uma técnica que estava guardada há anos. Sorte nossa, e azar de quem duvidou.
Ouça: “Prisão”
3. Avante
Siba
Gravadora: Independente
Gênero: Música Nordestina
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download pelo site oficial
Avante é um título sugestivo e definidor desse novo salto na carreira de Siba. Depois de tocar muito frevo e reprocessar diversos estilos nordestinos com as bandas Mestre Ambrósio e a Fuloresta, o cantor pernambucano assumiu a guitarra de vez e trabalhou sua rica poesia de outra forma, com ajuda de Fernando Catatau na produção.
Essa nova empreitada de Siba não só tornou sua sonoridade mais acessível a um público mais amplo, como é reflexo de um estalar poético que não poderia ser documentado de outra forma. Ele chama a brisa de ‘carinhosa’ e punidora, diz gostar do ‘amor sonolento’ em “Ariana” e revela, em “A Bagaceira”: ‘Eu não fico legal/Com água mineral/Pode acabar-se o mundo/Vou brincar no Carnaval’.
Avante, mais que um belo disco, é a busca bem-sucedida de um artista que já conhece muito de música e entende muito de poesia – seja ela complexa, como em “Qasida”, ou seja a poesia de forte apreço popular de “Canoa Furada”.
Ouça: “Canoa Furada”
2. MetaL MetaL
Metá Metá
Gravadora: Independente
Gênero: Afro-Punk
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito pelo site de Kiko Dinucci
Incrível perceber como a parceria entre Kiko Dinucci e Juçara Marçal explorou novos rumos musicais em pouco tempo: do cancioneiro afro de Padê (2008), passando pelo gênero quase amazônico de Metá Metá (2011, com adição de Thiago França) até a fúria expelida de MetaL MetaL, os músicos descobriram novas formas de cantar, tocar e experimentar em pouco mais de quatro anos.
Já catalogado como afro-punk, em MetaL MetaL a cantora Juçara Marçal já começa jogando um fuzz em “Exu”. Logo, a guitarra de Kiko Dinucci flerta com o rock em “Oya”, que deixa bem perceptível o baixo de Marcelo Cabral (que também participa do disco). “Man Feriman”, de domínio popular, é uma elegia roqueira tomada por metais e pela bateria incandescente de Sérgio Machado, contribuição valiosa desde o disco anterior.
Para provar que o Metá Metá vai a fundo em suas experimentações, em “Cobra Rasteira” (composição de Kiko Dinucci) os músicos trafegam numa via mais latinizada e dançante, pra não ficar apenas na agressividade.
Ouça: “Oya”
1. Bahia Fantástica
Rodrigo Campos
Gravadora: Independente
Gênero: Música Soul
Texto: Entrevista com Rodrigo Campos sobre o disco
Pense em um lugar e o visite. E se, nesse lugar pensado, você fosse surpreendido com imagens que distorcessem aquilo que havia idealizado, não de forma que seja melhor ou pior, mas de forma que vá lhe trazer um ensinamento, novas formas de ver as coisas, uma entropia? Mais ou menos isso que Rodrigo Campos deve ter passado ao conceber Bahia Fantástica, depois de visitar o estado retratado numa fase de questionamentos pessoais.
Ali tem a morte, mas uma morte cheia de vida: em “Princesa do Mar”, uma garotinha é afogada, mas ‘vira na maré mansa’; o medo de morrer é a pedra no sapato de um assaltante em “Sete Vela”; o personagem de “Elias” ‘vai nascer de novo’.
Em tempos onde o apocalipse toma conta do noticiário – e invade o imaginário testando fés e convicções com o ‘fim do mundo’ – a morte é sempre vista como um fim carente de análise. Tudo vale se não morrermos. Bahia Fantástica está aí para provar que, além de ser consequência natural da vida, a morte pode ser carregada de beleza (justificada pela esplêndida sonoridade do disco). A todo momento convivemos com ela e, sem saber, com ela flertamos. Não adianta encarar, uma hora acontece; o estado fúnebre é inevitável, difícil – e isso também tem sua beleza, que poucos conseguiram enxergar com maestria como Rodrigo Campos fez em Bahia Fantástica.
Ouça: “Aninha”
Numa lista, fica assim:
1. Rodrigo Campos: Bahia Fantástica
2. Metá Metá: MetaL MetaL
3. Siba: Avante
4. Miranda Kassin: Aurora
5. BNegão & os Seletores de Frequência: Sintoniza Lá
6. Psilosamples: Mental Surf
7. Tulipa Ruiz: Tudo Tanto
8. Lucas Santtana: O Deus Que Devasta Mas Também Cura
9. Curumin: Arrocha
10. Felipe Cordeiro: Kitsch Pop Cult
11. Céu: Caravana Sereia Bloom
12. Jair Naves: E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas
13. Caetano Veloso: Abraçaço
14. Sambanzo: Sambanzo, Etiópia
15. Cascadura: Aleluia
16. Orquestra Contemporânea de Olinda: Pra Ficar
17. Dona Onete: Feitiço Caboclo
18. Sobre a Máquina: Sobre a Máquina
19. Cabruêra: Nordeste Oculto
20. SILVA: Claridão
21. Macaco Bong: This is Rolê
22. Quinteto em Branco e Preto: Quinteto
23. Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra & Toumani Diabaté: A Curva da Cintura
24. Tom Zé: Tropicália Lixo Lógico
25. Gui Amabis: Trabalhos Carnívoros
26. Los Sebosos Postizos: Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor
27. Cris Braun: Fábula
28. Filipe C.: Silence
29. Orquestra Imperial: Fazendo as Pazes Com o Swing
30. Amplexos: A Música da Alma
E aí, concorda com a lista? Faça nos comentários também a sua.
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