10. The Electric Lady

Janelle Monáe

Gravadora: Bad Boy/Wondaland
Gênero: R&B/Pop
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Mais que um grande nome do R&B, o segundo disco prova que Janelle Monáe é um dos grandes pilares do pop de qualidade feito atualmente. Claro que as participações de Erykah Badu (“Q.U.E.E.N.”) e Prince (“Give’Em What They Love”) dão maior credibilidade no promissor currículo da cantora, só que ela não se prende a essas possibilidades. Foi com o também novato Miguel que ela criou uma das melhores baladas pós-2010 (“PrimeTime”), além de prestar seu tributo particular ao OutKast com “Dance Apocalyptic”.

Janelle ainda assume a personagem Cindy Mayweather, criada em The ArchAndroid (2010), dando-a ainda mais liberdade para movimentar-se pela música negra, seja no space-funky “Ghetto Woman” ou no melhor estilo Parliament em “Sally Ride”.

Ouça: “Q.U.E.E.N.” (ft. Erykah Badu)

9. The Terror

The Flaming Lips

Gravadora: Warner/Bella Union
Gênero: Rock Alternativo/Experimental
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Com o crescente número de bandas experimentais, o Flaming Lips acabou tornando-se mais pop do que o seu som sugere. Por conta disso, muitos deixam de prestar atenção nos percalços da banda: para deslizes como Doing the Dark Side of the Moon (2010) e The Flaming Lips and Heady Fwends (2012), a banda responde com belos discos como Embryonic (2009) e este grandioso The Terror.

A ideia é simples: Wayne Coyne e companhia mostram rapidamente o caminho da luz no início, com “Look… the Sun is Rising” e “Be Free, a Way”, e fecha como um casulo em “Try to Explain”. A partir daí a jornada é cheia de suspenses, principalmente em “You Are Alone”, que remete às mais trágicas explorações de Scott Walker. Chegando ao fim, o grupo permanece incauto, sugerindo tortura e masoquismo em “Turning Violent”. Mas quando chega “Always There… in Our Hearts”, o ouvinte encontra o fim do túnel antes de se deparar com os bônus “Sun Blows Up Today” e a releitura de “All You Need is Love”, dos Beatles.

Ouça: “Turning Violent”

8. More Light

Primal Scream

Gravadora: Ignition Records/1st International
Gênero: Rock/R&B/Pop
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Muito se fala de Screamadelica (1991), que chegou a liderar uma lista de discos mais chapados de todos os tempos pela NME. Mas o Primal Scream chegou a entregar outros discos que podem ser considerados clássicos, como XTRMNTR (2000), Evil Heat (2002) e este repaginado More Light.

Assumindo uma postura bem mais careta, More Light devolve em forte musicalidade a ausência de lisergia. Se os metais são a representação de tal ‘limpeza’, “2013” e “Hit Void” são provas refutáveis de que a nova fase pode ser tão aventureira quanto outrora. Rock, soul, R&B, shoegaze e psicodelia, já explorados sob diferentes formas em discos passados, estão recarregados em um vigor admirável (vide “Invisible City”, “It’s Alright, It’s OK”), que dão uma faceta mais pop à banda. Pop no melhor dos sentidos, obviamente.

Ouça: “2013”

7. Shaking the Habitual

The Knife

Gravadora: Rabid
Gênero: Eletrônica/Alternativa
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O duo sueco The Knife mostrou que o eletropop pode ser muito mais interessante que os vícios pregados já com o influente Silent Shout (2006). Com Shaking the Habitual, a proposta é diferente: a ideia é ser errático, tortuoso e desafiador. Quando não o é pela híbrida instrumentação de estranhezas como “A Cherry On Top” e “Old Dreams Waiting to Be Realized”, é no confronto com a sexualidade de “Full of Fire” e com a idade em “Raging Lung” que o grupo deposita sua força.

Sensorial é pouco para descrever a experiência de Shaking the Habitual. Por mais que a atmosfera seja envolvente nos termos que o pop permite, a ideia do Knife é trazer o ouvinte para os questionamentos. Nada de respostas: o que vale é sentir, para absorver e dar o veredicto parcial.

Ouça: “Full of Fire”

6. Run the Jewels

El-P & Killer Mike

Gravadora: Fools Gold
Gênero: Rap
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Killer Mike pode ser um dos mais combativos rappers em atividade, mas explorou bastante sua faceta bem-humorada em parceria com o produtor e também rimador El-P. Mike soa sério em “DDFH” e na avalanche de “Banana Clipper” (em parceria com Big Boi), mas não tem pudor de aloprar a si mesmo nas rimas de “Sea Legs” (’onde está o caixão daquele gordo filho-da-puta?’) e de aquecer os amplificadores na portentosa “Twin Hype Back”, com colaboração de Prince Paul.

Em pouco mais de 30 minutos Run the Jewels oferece diversidade, baita produção, entretenimento, momentos de riso e uma simbiose matadora de Killer Mike e El-P, que prometeram continuação em 2014 como duo. Come and get it!

Ouça: “Sea Legs”

5. Fuzz

Fuzz

Gravadora: In the Red
Gênero: Rock
Texto: Resenha do site Pitchfork (em inglês)

O grande disco de rock de 2013 não tem pretensão estética alguma. São as belas melodias e os solos flamejantes de guitarra, além de uma bateria ácida o suficiente para deixar a temperatura sempre lá em cima, que fazem do Fuzz um projeto que mexe com a cabeça de qualquer geração roqueira.

Formada pelo inquieto Ty Segall, que assume a bateria e os vocais, o guitarrista Charlie Moothart e o baixista Roland Cosio, o Fuzz faz hard-rock aproveitando as mais instigantes descobertas do gênero feita nos anos 1970 e 1990. “Sleigh Ride” é um bate-cabeça estrondoso; “Loose Sutures” parece surgir dos escombros da Sub Pop; ainda que mais desacelerada, “What’s in My Head” não deve fazer feio ao vivo pelo estouro garageiro. Não há nada o que pensar na audição de Fuzz: é pra ouvir, pular, se esbaldar, chapar e o que mais seu instinto animal lhe aprontar.

Ouça: “Sleigh Ride”

4. Coin Coin Chapter Two: Mississipi Moonchile

Matana Roberts

Gravadora: Constellation
Gênero: Jazz
Texto: A complexidade ancestral no som de Matana Roberts

Quando a jazzista Matana Roberts veio ao Brasil no final de novembro, apresentou uma proposta solo no Centro Cultural de São Paulo que agradou a poucos. Alguns até decidiram sair diante dos vocais repetitivos (e sempre enérgicos) e do retroprojetor com fotografias antigas de lavouras e escravos norte-americanos.

Ainda que o disco Coin Coin Chapter Two seja mais híbrido e dinâmico por conta da excelente cozinha de acid-jazz e até um vocal tenor, o que Matana Roberts faz é materializar uma espiritualidade que ela sente e tenta buscar por vias musicais. Em entrevista de capa para a Wire, ela disse que faz mais um ‘folk do século XXI’ que qualquer outra coisa, permitindo novas abordagens e inserindo novas características em um gênero que carece de novos e criativos ídolos.

Ouça: “Amma Jerusalem School”

3. The Night’s Gambit

Ka

Gravadora: Iron Works
Gênero: Rap
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Nessa constante transformação do rap o vemos entrecruzar com centenas de ritmos e possibilidades, mas ainda falta atentar a dois importantes detalhes: inteligência e sensibilidade. Não vejo nenhum exemplo melhor que o novo disco de Ka neste aspecto. The Night’s Gambit fala de sobrevivência e passagens bíblicas e convence pela assertividade das rimas e pela postura reflexiva diante do caos interminável.

Como a capa sugere, há movimentos de xadrez em The Night’s Gambit: os jogadores podem tentar decifrar “Peace Akhi”, mas mesmo os mais desatentos vão se ligar que a paz é melhor que qualquer vingança (o melhor: sem soar demagogo). A produção seca dá ênfase maior ao teor das mensagens, que jamais devem ser postas em segundo plano na desenfreada busca pela reinvenção no hip hop.

Ouça: “Peace Akhi”

2. Reflektor

Arcade Fire

Gravadora: Merge
Gênero: Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Quando James Murphy foi anunciado como produtor do novo disco do Arcade Fire, imaginei que ele trouxesse um aspecto mais indie-dançante ao rock orquestrado dos canadenses. Isso aconteceu, mas na melhor das medidas. As percussões e os synths se encaixaram muito bem na busca da banda pelo latino (coisa de Regine Chassagné, que foi atrás de suas origens no Haiti e voltou com novas ideias para o quarto disco).

O melhor de tudo é que a nova busca estética não transfigurou a sensibilidade da banda, exposta sob diferentes ênfases nos discos anteriores. Reflektor é o trabalho mais emocional e intenso do Arcade Fire desde Funeral (2004), mostrando não só que essa é a força contígua da banda, mas que é possível aprimorar e surpreender o público sem se afastar de suas características mais valiosas.

Ouça: “Reflektor”

1. Melt Yourself Down

Melt Yourself Down

Gravadora: The Leaf
Gênero: Afro-Jazz/Funk
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Brasileiros vão perceber na hora o motivo do disco de estreia do Melt Yourself Down encabeçar essa lista. Tem batucadas carnavalescas, fuzarca de metais que encorpam várias letras depravadas de funk carioca e um ritmo caribenho numa agressividade roqueira. Sem falar dos muitos efeitos eletrônicos.

A técnica do Melt Yourself Down é extrapolante, coisa de um supergrupo que não tem pretensão alguma de se rotular como world music. Mas não é a técnica que leva o disco avante, tampouco a proximidade com outros grupos sensacionais como The Budos Band e The Bongolian. Temos energia, catarse, suor e um rico caldo experimental em toda essa proposta que engloba a compulsória busca de novos grupos musicais em soarem relevantes.

Talvez a banda tenha chegado a isso sem querer, visto que é o prazer de tocar que faz do Melt Yourself Down um ato potente. O que nos leva à seguinte assertiva: grandes descobertas acontecem naturalmente. Ande livremente!

Ouça: “Fix My Life”

Confira também:

• Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2013
• As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2013
• As 50 Melhores Músicas Nacionais de 2013
• Os 30 Melhores Clipes Internacionais de 2013
• Os 30 Melhores Clipes Nacionais de 2013

E a lista ficou assim:

1. Melt Yourself Down: Melt Yourself Down
2. Arcade Fire: Reflektor
3. Ka: The Night’s Gambit
4. Matana Roberts: Coin Coin Chapter Two: Mississipi Moonchile
5. Fuzz: Fuzz
6. El-P & Killer Mike: Run the Jewels
7. The Knife: Shaking the Habitual
8. Primal Scream: More Light
9. The Flaming Lips: The Terror
10. Janelle Monáe: The Electric Lady
11. Oneohtrix Point Never: R Plus Seven
12. clipping: midcity
13. Hookworms: Pearl Mystic
14. Pere Ubu: Lady From Shanghai
15. Carcass: Surgical Steel
16. Marc Ribot’s Ceramic Dog: Your Turn
17. Roscoe Mitchell & Tyshawn Sorey: Duets with Tyshawn Sorey and Special Guest Hugh Ragin
18. David Bowie: The Next Day
19. Ghostface Killah & Adrian Young: Twelve Reasons to Die
20. The Orb & Lee ‘Scratch’ Perry: More Tales From the Observatory
21. Deerhunter: Monomania
22. John Zorn: Lemma
23. Omar Souleyman: Wenu Wenu
24. Earl Sweatshirt: Doris
25. Charles Bradley: Victim of Love
26. Nick Cave & The Bad Seeds: Push the Sky Away
27. Elvis Costello & The Roots: Wise Up Ghost
28. Chrome Hoof: Chrome Black Gold
29. Superchunk: I Hate Music
30. Jim James: Regions of Light and Sound of God

Menções Honrosas
!!!: THR!!!Er
My Bloody Valentine: m b v
Queens of the Stone Age: …Like Clockwork
Paul McCartney: New
Pissed Jeans: Honeys
Popstrangers: Antipode
Rhye: Woman
Savages: Silence Yourself
Tangerine Dream: One Night in Africa
Tedeschi Trucks Band: Made Up Mind

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