20. More Tales From the Observatory

The Orb & Lee ‘Scratch’ Perry

Gravadora: Cooking Vinyl
Gênero:
Dub/Eletrônico
Texto:
Resenha do jornal The Independent (em inglês)

No ano passado os produtores do The Orb, um dos pilares para que o culto ao dub mantivesse firme pela Europa, chamaram Lee ‘Scratch’ Perry para uma sessão, que formou o disco The Observer in Star House. Dessa mesma sessão foram extraídas as ideias para More Tales From Observatory. Nele, Perry divaga novamente pelas possibilidades do ambient, indo do terreno ao espacial com sua megalomania profética. O duo Alex Paterson e Thomas Fehlmann não poupou efeitos esquizofrênicos em “No Ice Age” e “Africa”, para que o mestre do dub tenha espaço o suficiente para brisar à vontade.

Ouça: “Fussball”

19. Twelve Reasons to Die

Ghostface Killah & Adrian Younge

Gravadora: Soul Temple Records/RED Distribution
Gênero:
Rap
Texto:
Resenha do site MonkeyBuzz

Adquirir via BandCamp

O rapper Ghostface Killah raramente erra em suas empreitadas musicais – menos ainda com RZA como produtor executivo. Em parceria com Adrian Younge, Ghostface criou uma crônica de medo e terror, retratando histórias das ruas e causos de marginalidade de forma direta e virulenta. “Blood On the Cobblestones” cita cruamente: ‘Deixei-o enterrado vivo/Assim como um fóssil’. “Rise of Ghostface Killah” também tem a morte como tema, apesar do arranjo sugerir uma proximidade um tanto fúnebre. Um pouco diferente da proposta do anterior Apollo Kids (2010), Twelve Reasons to Die é prova de que um dos gigantes do rap não diminuiu nem um pouco com o estouro de potenciais como Kendrick Lamar e Pusha T. Em breve, será lançado um trabalho de Ghostface com o produtor DOOM. A boa trajetória dos dois nos deixa positivos para o que virá.

Ouça: “Blood On the Cobblestones” (ft. U-God & Inspectah Deck)

18. The Next Day

David Bowie

Gravadora: ISO
Gênero: Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Dez anos depois de Reality (2003), David Bowie mostrou que ainda detém a fórmula pop. Ele nem precisou ir muito longe: fez uma espécie de revisitação de toda a sua carreira. Em The Next Day você encontra o Bowie de Ziggy Stardust (“The Stars (Are Out Tonight)”), de Diamond Dogs (“(You Will) Set the World On Fire”), de ‘Heroes’ (“Love is Lost”), de Scary Monsters (“Dirty Boys”)… A base está em sua fase mais elogiada até o início de sua carreira, talvez porque Bowie sentisse a necessidade de entregar um material digno antes da aposentadoria definitiva. The Next Day cumpre esse papel com um aviso oculto: nunca é tarde para revisitar toda a discografia do Camaleão.

Ouça: “Valentine’s Day”

17. Duets with Tyshawn Sorey and Special Guest Hugh Ragin

Roscoe Mitchell & Tyshawn Sorey

Gravadora: Wide Hive
Gênero:
Free-Jazz/Avant-garde
Texto: Liberdade a rigor

Quando pensamos nos melhores discos de jazz, costumamos acreditar que a técnica nos instrumentos é a essência. No entanto, quando nos deparamos com algumas das melhores obras de música clássica, percebemos que a junção rigorosa dos elementos é o ditame. Experiente no terreno avant-garde, Roscoe Mitchell uniu um pouco dessas duas características em parceria com o baterista Tyshawn Sorey. O resultado aproxima-se tanto do ambient (“Out There”), como do free-jazz (“A Cactus and a Rose”), mostrando que o conceito do clássico pode ser estabelecido numa estrutura jazzística e, ainda assim, impressionar pela improbabilidade e pelo rigor – por mais anacrônicos que esses termos possam ser.

Ouça: “The Horn”

16. Your Turn

Marc Ribot’s Ceramic Dog

Gravadora: Nouthern Spy
Gênero:
Fusion/Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O currículo do guitarrista Marc Ribot vai de Caetano Veloso a Tom Waits: pendendo entre o progressivo e o fusion-jazz, ele injeta explosão sem abusar da velocidade nos dedilhados. Com o Ceramic Dog o suporte de Shahzad Ismaily (baixo) e Ches Smith (bateria) dá uma característica roqueira que lembra os momentos mais catárticos de Cream e Led Zeppelin (vide a faixa-título e “Ritual Slaughter”). Nessa séria brincadeira de fazer música eles ainda permitem explorar outros campos, formando um mantra digital em “Masters of the Internet” e subvertendo o country norte-americano em “Ain’t Gonna Let Them Turn Us Round” (que lembra Ry Cooder). Ah, só uma dica: não deixe de conferir a versão explosiva para “Take 5”, de Dave Brubeck. O desafio é não deixá-lo no repeat.

Ouça: “Take 5”

15. Surgical Steel

Carcass

Gravadora: Nuclear Blast/Laser Company
Gênero:
Death-Metal/Grindcore
Texto: Resenha da Rolling Stone Brasil

Dezessete anos após o último disco (Swansong, de 1996), o Carcass retorna demonstrando autoridade no death-metal. Jeff Walker e Bill Steer continuam no comando e, com a chegada do novo baterista Daniel Wilding (ex-Killing Mode e Aborted), parecem ter acelerado ainda mais a proposta instrumental. Os riffs de Steer continuam precisos como nunca e o passar dos anos parece ter deixado a voz de Walker ainda mais grave, deixando as mensagens de pedradas como “Noncompliance to ASTM F 899-12 Standard” e “Captive Bolt Pistol” ainda mais guturais. Os fãs do gênero louvaram merecidamente o retorno do Carcass. Os não-aficionados também deveriam permitir que a agressividade corrosiva da banda espante toda e qualquer selvageria interior.

Ouça: “Captive Bolt Pistol”

14. Lady From Shanghai

Pere Ubu

Gravadora: Fire
Gênero:
Alternativo/Experimental
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Da formação original do Pere Ubu, que entortou a new-age com Modern Dance (1977), apenas David Thomas permanece. Junto com o guitarrista e baixista Keith Moliné, Thomas deu um ar iconoclasta à ‘dance music’, cantando como se fosse um ancião decrépito tendo seu momento de lazer numa balada extravagante. “Free White” e “Mandy” encapsulam passado e futuro com loops estranhos. “Musicians Are Scum” remete aos primeiros discos do Pere Ubu, mas ainda soa atual por aloprar a excentricidade de muitos artistas que se acham a última bolacha do pacote.

Ouça: “Mandy”

13. Pearl Mystic

Hookworms

Gravadora: Gringo Records
Gênero:
Space-rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O disco de estreia do Hookworms tem tudo que um bom roqueiro precisa: boas guitarras, vocais enérgicos, psicodelia à lá vonté e uma barulheira das boas. É como se eles pegassem o que foi feito de melhor no rock alternativo para dar um novo significado ao que representa ser um expoente do gênero nos anos 2010. Não há espaço para monotonia em faixas como “Form & Function” e “In Our Time”: quando você pensa que eles vão aderir à lentidão do progressivo, logo te surpreende com o contraste de bonitas melodias de baixo e guitarras em catarse.

Ouça: “Away/Towards”

12. Midcity

Clipping

Gravadora: Independente
Gênero:
Noisy-rap
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O rap é um dos gêneros que melhor se reinventa com o passar dos anos. Não falta quem explore as múltiplas possibilidades de inserir rimas, mas até agora não conhecia nenhum exemplo de noisy-rap. Quer dizer: não, até a chegada do Clipping. Direto de Los Angeles, o trio Daveed Diggs, William Hutson e Jonathan Snipes retrata o caos com a melhor sonoridade que ele poderia oferecer: anarquia, barulho, bagunça. Eles criticam as gangues milionárias no gênero em “Bout.That” e fazem você se cansar dessa procura excessiva pelo dinheiro em “Outro”, nada mais que uma repetição de 10 minutos de ‘get money/ get money/ get money/ get money/ get money…’. Tanto pelas letras como pelo barulho, o Clipping revela ser tão obsessivo quanto o rap permite, com a diferença de que essa obsessão é o pontapé na cara para o ouvinte interpretar melhor as muitas merdas que escuta por aí.

Ouça: “Bout.That” (ft. Basek)

11. R Plus Seven

Oneohtrix Point Never

Gravadora: Warp
Gênero:
Eletrônica/IDM
Texto: Resenha do blog Pequenos Clássicos Perdidos

Adjetivos como futurístico e imensamente criativo em relação à obra de Daniel Lopatin já foram utilizados em álbuns como Returnal (2010) e Replica (2011). Portanto, assinar com a gravadora Warp, responsável por um catálogo de peso da eletrônica-experimental, é apenas exemplo de que as batidas em ruptura do Oneohtrix Point Never vieram para abrir novos caminhos no gênero. Jogando com melodias e barulhos entrelaçados, o Oneohtrix anarquiza as possibilidades sensoriais da eletrônica com indescritível agilidade. Essa tônica pode ser mais nervosa, como em “Zebra”, ou reflexiva, como “Still Life”.

Ouça: “Zebra”

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