E agora, a lista em ordem decrescente:
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30. Regions of Light and Sound of God
Jim James
Gravadora: ATO
Gênero: Soul/R&B
Texto: Crítica Na Mira do Groove
O My Morning Jacket tem a sua base de fãs, mas os trabalhos paralelos do líder Jim James mostraram ser bem mais interessantes. Depois de trabalhar com The Roots e o lendário Booker T. Jones, no novo disco solo Jim criou um espectro espiritual difícil de ser penetrado. Regions of Light and Sound of God é como se fosse uma releitura gospel com efeitos, synths e um belíssimo baixo à disposição – a maioria deles tocados pelo próprio cantor. Faixas como “A New Life” e “Actress” são pedaços de uma jukebox particular estranha e misteriosa, mas que não deixa de vangloriar nossos ouvidos pelo intimismo e pela soberba produção.
Ouça: “A New Life”

29. I Hate Music
Superchunk
Gravadora: Merge
Gênero: Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove
O retorno do Superchunk com Majesty Shredding (2010) mostrou que os anos não desgastaram nem um pouco a fórmula adolescente da banda de Mac McCaughan. Três anos depois, eles recarregaram a bateria e superaram o antecessor em vitalidade. Em pouco mais de 1 minuto, soam como se estivessem em 1977 em “Staying Home”. Algumas faixas nos lembram os bons anos do colegial, caso de “Trees of Barcelona” e “Me & You & Jackie Mittoo”. Longe de qualquer alcunha de salvadores do rock, o Superchunk prova que devemos mesmo é salvar as nossas boas memórias.
Ouça: “Me & You & Jackie Mittoo”

28. Chrome Black Gold
Chrome Hoof
Gravadora: Cuneiform
Gênero: Disco-Punk
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Começa com o disco-punk de “Enter the Drobe”. Passa pelo fusion de “When the Lightning Strikes”. Encontra o dub e o coloca no meandro pop em “Tortured Craft”. E chega no death-metal em “Varkada Blues”, com os vocais de Jeffrey Walker (Carcass). Perceba que todos os gêneros citados conseguem gerar catarse sob diferentes formas. O que o Chrome Hoof consegue fazer com extrema habilidade no quarto disco é condensar todas essas explosões numa dinamite forte o suficiente para impressionar qualquer um ao vivo.
Ouça: “When the Lightning Strikes”

27. Wise Up Ghost
Elvis Costello & The Roots
Gravadora: Blue Note
Gênero: R&B/Soul/Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Da primeira à última nota de Wise Up Ghost, a pergunta não é respondida: como o roqueiro enciclopédico Elvis Costello se encaixa na sonoridade negra do The Roots? O encaixe de melodia e voz não é nada questionável no disco; o que está em xeque é a distância de influências dessas duas entidades. O Roots tenta fazer com que Costello soe um cantor de soul. Quando dá certo, temos o sensacional resultado da faixa-título. Quando a junção parece equivocada, quem se compromete é o roqueiro, que não é dono de uma das melhores vozes musicais. Só pelo risco, Wise Up Ghost já vale a audição. Registros valiosos como “Walk Us Uptown” e “Refuse to Be Saved” comprovam que a parceria valeu a pena e deve ser repetida.
Ouça: “Refuse to Be Saved”

26. Push the Sky Away
Nick Cave & The Bad Seeds
Gravadora: Bad Seed Ltd.
Gênero: Alternativo
Texto:Crítica Na Mira do Groove
Nick Cave quer que você se situe agora no tempo e espaço. Para isso, o barítono entregou-se às belas melodias e composições que, apesar de sérias e complexas, são certeiras em dizer como não devemos permanecer despreocupados, seja com banalidades (como detrata em “Water’s Edge”) ou com nossa própria espiritualidade (faixa-título). Push the Sky Away pode carregar adjetivos como melancólico e reflexivo, mas uma coisa ele não chega nem perto de ser: chato. É a mais sincera das belezas, por mais que tomemos uma sova ou outra nalgumas letras afiadas de Cave.
Ouça: “We Real Cool”

25. Victim of Love
Charles Bradley
Gravadora: Daptone
Gênero: Soul/R&B
Texto: Crítica Na Mira do Groove
‘I am victiiiiiiiiiiimmmm’, canta Charles Bradley inspiradíssimo na faixa-título de seu segundo disco. Mas quem se torna vítima do soulman é o ouvinte. De tão emocional, Bradley consegue nos confortar como uma espécie de conselheiro soberano em canções que encontram paralelos com gigantes como Solomon Bourke e Otis Redding. Para respirar em alguns momentos, o cantor de 65 anos tem o apoio da Menahan Street Band, que o permite divagar em “Confusion” e chamar os rendidos para a pista em “Love Bug Blues” e “Hurricane”.
Ouça: “Love Bug Blues”

24. Doris
Earl Sweatshirt
Gravadora: Tan Cressida/Columbia
Gênero: Rap
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Uma das principais bandeiras do A$AP Rocky é o dope-rap, mas um certo moleque conseguiu fazer melhor sem nem ao menos se vangloriar ou citar o subgênero. Uma das crias do Odd Future, aos 19 anos Earl Sweatshirt sonorizou seus demônios interiores como se o estúdio fosse uma clínica de reabilitação (que ele passou, por sinal). Doris prova que a presença do baixo fortalece a densidade da mensagem (quer exemplo melhor que “Hive”?), fazendo do gênero uma espécie de exorcismo pessoal.
Ouça: “Hive” (ft. Vince Staples & Casey Veggies)

23. Wenu Wenu
Omar Souleyman
Gravadora: Sublime Frequencies
Gênero: Dabke/World Music
Texto: Resenha do Miojo Indie
Uma coisa Omar Souleyman faz muito bem: animar. Um dos grandes músicos da Síria, Omar já cantou em muita festa de casamento o ritmo conhecido como dabke. Muitos ocidentais devem ter conhecido a força do gênero por meio de Wenu Wenu, que já é o sexto disco do músico. Apesar da levada arabesca, a música de Omar é carregada de synths, batidas de acid-house e techno, valorizando os extensos solos de Rizan Sa’id em faixas como “Warni Warni” e “Yagbuni”. O bigode bem feito e os óculos escuros dão um ar de sheik-entertainer, o que só torna o conceito musical ainda mais divertido, dançante e, obviamente, curioso.
Ouça: “Warni Warni”

22. Lemma
John Zorn
Gravadora: Tzadik
Gênero: Avant-garde
Texto: Resenha do blog FreeJazz (em inglês)
Dono de uma das discografias mais extensas no avant-garde, John Zorn continua inquieto e experimentador. Em Lemma, ele juntou-se aos violinistas David Fulmer, Chris Otto e Pauline Kim, criando ranhuras estéticas que nos sugerem um termo como clássico-grind-punk. Os temas são construídos em pontes fragmentárias, conectadas em intervalos curtos. Com exceção de “Passagen”, os temas raramente ultrapassam os dois minutos, revelando recortes geniais de um instrumento que extrai mais que a melancolia. Quem sabe Arthur Russell não pegaria um teco ou outro de Lemma em seus experimentos…
Ouça: “Passagen”

21. Monomania
Deerhunter
Gravadora: 4AD
Gênero: Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Há uma grande diferença entre Halcyon Digest (2010) e Monomania. Bradford Cox parece ter estourado em petardos sonoros como “Leather Jacket II” e a faixa-título. De repente, o pós-punk que se fazia presente nas linhas subversivas de “Desire Lines” e “Helicopter” regrediram direto para a agrura punk. Entenda isso como um bom elogio porque, tratando-se de rock, Monomania é o disco mais cru e direto que o Deerhunter poderia fazer, soando tão bem como os Replacements em “Back to the Middle” e imponente como o Nirvana em “Pensacola”.
Ouça: “Back to the Middle”
[Menções Honrosas] | [#30 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]
