Gravadora: Tratore
Data de Lançamento: 24 de agosto de 2016
A banda goiana Carne Doce fez com que muitos blogs musicais (o nosso não) alterassem as listas de melhores do ano no finalzinho de 2014, quando lançou o álbum homônimo.
As composições de Salma Jô, cujo firme posicionamento sociopolítico e feminista cativaram por sua maturidade, mostraram que a banda tinha mais que uma postura bem demarcada. Imperava uma rara personalidade.
E é essa personalidade do Carne Doce, como banda mesmo, que é reforçada em seu segundo álbum, Princesa.
O discurso segue afiado – ou seja, o título é mais uma contradição, ou até uma nova acepção de um termo que muitos machistoides usam para descrever as belas garotas com quem ficou na balada, ou que conheceram, enfim.
Todas as 11 canções do álbum foram composta por Salma. A faixa-título delimita bem o que ela quer dizer com o título: ‘Princesa, meu jeito vulgar vai te conquistar’. A mensagem é para todos os gêneros.
“Sombra” é dos destaques precoces do disco: parece fazer com que a vocalista flutue, e cante lá do alto ‘toda virtude dela’.
Quanto às reclamações arcaicas de pessoas que se sentem incomodadas com a voz feminina (e isso serve tanto para a canção, quanto para a representatividade da mulher num espectro mais amplo), “Falo” é bem direta logo no início: ‘Já tá cansado da minha voz porque/O tempo todo um timbre feminino é/Pra maioria algo enjoativo’.
Os singles mais recentes divulgados pelo Carne Doce – “Artemísia” e “Amiga” – também fazem parte do disco.
Ouça Princesa no player abaixo:
