
Da esquerda para direita: Magnus Broo (trumpete), Paal Nilssen-Love (bateria e percussão), Håker Flaten (baixo), Håvard Wiik (piano) e Fredrik Ljungkvist (sax e clarinete)
Antes do rock se popularizar como o principal ritmo para os jovens nos anos 60, o jazz era cultuado pelas performances viscerais dos músicos de bebop, que eram tão ágeis quanto seus dedos permitiam em seus instrumentos. Parte dessa aura foi recuperada com o free jazz e o avant-garde nos anos 70 e, mesmo que a cena possa ter ficado presa aos grandes mestres como Ornette Coleman e John Coltrane, ainda há representantes que inovam na sonoridade, misturando psicodelia, virtuosismo e até mesmo sentimentalismo.
Inquietos, os integrantes do Atomic já foram comparados à magistral banda de apoio de Miles Davis – que criou o fusion jazz com a obra-prima Bitches Brew – e representam essa novidade no terreno do jazz atual. Direto da Noruega, a banda liderada pelo baterista Paal Nilssen-Love tem uma energia punk e há cerca de 10 anos recebe elogios a cada álbum lançado pela intensa mistura de velocidade rítmica e melodias intensas no saxofone de Fredrik Ljungkvist, como pode-se ver na canção “Konrads Hopp Om Livet”.
Paal toca percussão tal qual Tony Williams o fazia na banda de apoio de Miles. Ele tem um compasso veloz que dá ainda mais urgência para os demais instrumentos, o que justifica as comparações com o rock. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o músico deu algumas pistas para entender o sucesso do Atomic em uma década de estrada: “Trazemos complexidade em nossas composições ao mesmo tempo que soamos mais explosivos. Fora isso, pouca coisa mudou nessa década. Nasceram nossos filhos, nossos cabelos estão caindo e estamos mais ocupados que o demônio”.
Além de ser baterista do Atomic, Paal já trabalhou como produtor e músico de apoio em mais de 140 álbuns com 30 grupos diferentes. E, como a nova regra da indústria musical no mundo tem sido o ‘do it yourself’, ou ‘faça você mesmo’, não há terreno mais profícuo para explorar as habilidades musicais que o jazz.
É interessante perceber como uma infinidade de notas que se contrapõem conseguem soar tão melódicas nas canções do Atomic. A bateria é o grande pulso da banda e reforça o caráter experimental, buscando referências eruditas que vão de trilhas sonoras de filmes clássicos (algo perceptível na canção “ABC 101B”) ao progressivo acelerado (“Boom Boom”).
Tamanha empatia da banda já chegou a conquistar até mesmo um dos pais do free jazz europeu, Peter Brötzman, que até hoje toca com o Chicago Tentet. O sax-tenorista disse se sentir maravilhado com os jovens de hoje que dão impulsão ao jazz, principalmente o Atomic. “Com seu entusiasmo, cada dia que passa eles me dão uma aula de ética e estética”.
