
O Brasil não cansa de apresentar novas divas para a nossa MPB. Mais que um mercado rentável, as cantoras de hoje configuram a cara da nossa música nacional, com suas vozes suaves, belas letras e muita energia para esbanjar. Não é preciso citar tantos nomes, mas, dentre todas elas, talvez uma das cantoras que conseguiram definir melhor os rumos musicais a seguir foi Tita Lima.
Com dois albuns gravados, Tita conquistou prestígio internacional de críticos da BBC com o lançamento de 11:11, em 2006, e agradou geral com o mais recente trabalho, Possibilidades.
Tudo bem, o vocal feminino tem o tocante que agrada, mas com Tita Lima os acordes dos instrumentos de corda parecem acentuar suas doces palavras. E aí também tem vertentes do tropicalismo, do jazz, com alguns aspectos até do reggae. “Possibilidad” tem um belo acompanhamento de órgão em síncope com o contrabaixo, dando leveza para a entonação de Tita penetrar na mente do ouvinte.
“Mundo Pequeno” é o mais puro jazz em harmonia com o R&B e elementos do choro, junto à bateria pulsante. É uma produção neotropicalista primorosa que tem justificativa. Afinal, complementam o álbum ninguém menos que o trombonista Bocato, Tatá Aeroplano, do Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro, e Fernandinho Beat-Box.
Por mais que se perceba as influências norte-americanas do Soul na sonoridade, Tita transborda mais brasilidade do que muitas outras vocalistas. Mesmo em canções com letra em inglês, como em “Smile”.
“Na batida, do compasso, do martelo e do cotidiano que a gente vai levando“, versa a cantora em “Só o Começo”. Como se não houvesse fronteiras sonoras para dar personalidade às canções tipicamente brasileiras, que recebem o cadinho que Tita Lima sabe temperar muito bem, explorando todas as possibilidades.
