Tentar resenhar um disco como Nevermind, além de ser pretensão demais, é uma perda de tempo. Quem que se diz amante de música nunca ouviu, uma vez só, aqueles riffs simples e pesados de “Smells Like Teen Spirit”? Ou a voz confessional de Kurt Cobain em “Come As You Are”? Ou aquele videoclipe quebra-tudo de “In Bloom”? Ou as baterias de Dave Grohl entrando em incêndio em “Stay Away”?
Um fato não pode ser negado: Nevermind é um dos discos de rock mais influentes de todos os tempos. Da nossa geração (que nasceu nos anos 80/90) então, nem se fala. Na época, diziam que o gênero tinha encontrado sua salvação após o período depressivo que tomou conta do rock no final da década passada.
A fórmula de um álbum do Nirvana era muito simples: bastava dar quatro tempos às canções – introdução, barulho, silêncio e barulho de novo. Essa estrutura musical veio do Pixies; a partir daí, Kurt Cobain só injetou um pouco a mais de microfonia à lá Sonic Youth, duas influências claras do grupo.
Sem falar que esse disco marcou uma ruptura histórica: tirou das paradas da Billboard o onipresente Michael Jackson, além de impactar uma geração inteira de uma vez. De repente, todos os jovens se tornaram roqueiros, saíram com camisas quadriculadas, se diziam punk e só queriam pular ao som de muito rock’n roll. Em termos mundiais, talvez não haja um disco tão influente como esse segundo disco do Nirvana desde a data de seu lançamento.
O legado? Além de ser a obra inaugural do grunge – que enquadrou em uma mesma cena nomes como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e alguns outros -, também serviu como referência principal para a consolidação do rock alternativo. Sem esse disco, provavelmente não existiria Cake, Silverchair, Korn, The White Stripes, Arctic Monkeys, Foo Fighters (é lógico) e muitos, muitos outros.
No dia 24 de setembro, essa obra-prima completa 20 anos de idade, ainda se mantendo como uma das principais fontes de inspiração para a jovialidade roqueira. Já está rolando até uma versão deluxe de Nevermind, com faixas e vídeos exclusivos. Tipo esse show do Nirvana tocando “Territorial Pissings” no Paramount Theatre, que você confere a seguir:
