O nome do artista parece de rapper. O disco remete a algo de surf music. A capa, parece extraída de um take de filme nacional lado B.
Os primeiros acordes da faixa-título, que abre Ilhas de Calor, derruba todas e quaisquer suposições. As guitarras são fritadas, ágeis, ácidas, tortas, esparsas, difusas.
Distante de catalogações, Negro Leo lançou em 16 de junho de 2014 um dos álbuns mais estranhos e experimentais do ano.
De cara, o que se pode dizer, é que as referências beiram Captain Beefheart, Tom Zé, Romulo Fróes e Sun Ra. As faixas raramente passam os 3 minutos e são cantadas, na maioria, em português.
Não bastasse a instrumentação nada convencional, Negro Leo tem como base letras complexas, mas bem rígidas. Em “O Céu dos Otários é Neutro”, Negro Leo não perdoa os ditos ‘imparciais’ de quaisquer situações.
“O Voluntário da Colônia de Marte” é alicerçado num wurlitzer contínuo, enquanto o vocalista não cansa de repetir ‘não voltou pra casa‘ ao falar de um viajante que parece não encontrar barreiras.
“Xereca Satânica” já é depravada mesmo. Os vocais flamejantes e a letra em inglês simulam um sexo com altas doses de selvageria. As palhetas violentas da guitarra no melhor estilo Massacre ajudam a construir as imagens de onde uma música como essa se encaixaria. Talvez num filme freaky-horror ou nas categorias mais extremas de sites pornô.
Além de Leo, que assume vocais, wurlitzer e clavinet, o disco conta com a forte presença da bateria de Thomas Harres, o baixo de Felipe Zenícola (da experiente Chinese Cookie Poets) e Eduardo Manso nas guitarras (do Bemônio).
O disco foi gravado por Renato Godoy e Felipe Ridolfi no Estúdio Marini, no Rio de Janeiro, e teve produção de todos os integrantes da banda, além de Godoy. O álbum é um dos grandes destaques do selo Quintavant.
Ouça Ilhas de Calor, de Negro Leo, na íntegra no player a seguir:
