Cidade natal: São Paulo (SP)
Gênero: MPB/Samba/Bolero
Membros: a própria Rita (voz) e diversos colaboradores em variados instrumentos: Sérgio Reze, Alexandre Ribeiro, Guilherme Kastrup, Luiz Wack, Chris Wells, Pedro Cunha, Aldivas Ayres, Marcio Arantes, Ézio Filho e Daniel Oliva.
Agrada quem gosta de: Ná Ozetti, Ney Matogrosso, Marina Lima versão MPB.
Link: ritafigueiredo.com.br
Na capa de Brasilis, primeiro disco de Rita Figueiredo, vemos uma imagem de pedras cristalinas de lindas cores que adornam a imagem de uma mulher de cabelos curtos pintada de branco e azul-marinho: uma figura possivelmente extraída de um carnaval idiossincrático que nos leva às representações mais estetas de um Ney Matogrosso.
Essa descrição já entrega que a paulistana quis fugir do lugar-comum de usar verde-amarelo no encarte de um álbum que se chama Brasilis.
Não estamos falando de transfiguração: é simplesmente outro olhar possível sobre o que nos cerca. Tudo bem, Rita poderia ser mais uma cantora num rol multiplicador que, ao mesmo tempo em que revela pérolas de nossa música, por outro lado eleva demais o que seria dispensável.
Tem doçura vocal? Talvez, se você encarar o timbre de “Carolina de Jesus” com cara amarrada – o que pode soar como tremenda estupidez, já que na composição Rita faz uma bonita ode à rejeitada autora de Diário de Bitita e Quarto de Despejo, obras literárias que mostram um profundo testemunho das favelas brasileiras.
Impulsionado pelas cordas rítmicas do samba e com um louvável ar que remete às cantoras mineiras, Brasilis revela, ao contrário de discos de outras contemporâneas, uma artista com talento mais de compositora que de intérprete (nada mais natural, já que todas as músicas do álbum foram escritas por ela e parceiros, com exceção de sua diferente versão para “Valsa”, de Romulo Fróes).
E, olha que estranho, ao interpretar suas canções, Rita Figueiredo nos faz lembrar o trabalho de artistas consagrados por suas interpretações.
Deixe as comparações artísticas de lado e observe a faixa-título, por exemplo: a forma de construir os versos lembram algumas faixas do Estopim (1999), de Ná Ozetti (clara influência da cantora); e os versos ‘Anti-herói/Defensor dos alcoólatras’, de “Vagabundo”, são entoados de forma que o já mencionado Ney Matogrosso faria numa apresentação teatral.
Com produção de Webster Santos, Marcelo Jeneci e Milton Mori, Brasilis é a portentosa estreia de uma artista talentosa que tem tudo para subverter a lógica da MPB feminina dos dias atuais.
Streaming: ouça algumas faixas de Brasilis (versão ao vivo de “Vida de Porco” e versões de estúdio de “Vida Bandida” e “Vagabundo”). Para adquirir o disco completo, clique aqui:
