Cidade-natal: Aracaju (Sergipe)

Gênero: MPB, música latina

Membros: Patricia Polayne (vocais), Pedrinho Mendonça (percussão), Pedro Yuri (violão, graviola, efeitos), Fabinho Oliveira (baixo), Dudu Prudente (bateria) e Alen Alencar (guitarra).

Agrada quem gosta de: Marisa Monte, Marina De La Riva.

Links: www.myspace.com/patriciapolayne, soundcloud.com/patriciapolayne

A música nordestina é muito arquetípica. É falar de música nova daquela região que geralmente se constrói a ideia de que o artista se inspira em maracatu, manguebit, brega, forró, xaxado, coco, baião…

O mapa musical de Sergipe não é tão conhecido como o de outros estados nordestinos mas, a julgar pela cantora Patricia Polayne (pomposamente citada como ‘uma das mais importantes vozes da música sergipana de todos os tempos’ no release), é tão brasileiro e original quanto os vizinhos.

MPB é o termo que vem em mente quando se ouve a voz calma e os entornos musicais que vão da música latina ao indie em canções como “O Medo” e “O Dote da Donzela”.

A impressão que se tem é que a cantora atingiu uma sonoridade estudada e bem sólida. As influências da cantora expandem a área musical, incluindo aí cinema, teatro, poesia e, inclusive, uma visão diferente em relação ao circo – algo que se percebe logo no nome do disco O Circo Singular: As Canções de Exílio. Não tem aquela tristeza usualmente refletida na figura do palhaço, tampouco o ar de festividade contígua de malabarismos.

Na canção “O Circo Singular”, ela usa o ‘circo’ como figurativo de algo que poderia ser a própria cena musical brasileira, que quebra fronteiras ligando referências afro mais tradicionais com ciranda, capoeira e cantiga. O que poderia parecer uma fidelidade às tradições logo se revela uma estética que se encaixa no estilo pessoal de Patricia, que faz questão de causar: ‘Dá licença eu vou passar com meu trovão’.

As composições merecem destaque. Em “Sapato Novo”, Patricia faz uma construção poética onde a rima é invertida – canta na sequência ‘subtrair e subverter’, exemplo de um estilo já explorado por cantores como Gilberto Gil. A canção tem uma levada de samba e logo ganha arranjos mais densos com a guitarra. Ela fala de consumo como se quisesse relutar a se entregar à indústria de massa: ‘Querem me forçar fazer sorrir/Com que passa na televisão/Querem me arrancar sem me pedir/E eu não tenho mais dinheiro não’.

Apesar de não ser tão falada assim pelo Sul e Sudeste, Patricia Polayne já ganhou importantes prêmios musicais: o Prêmio Produção Pixinguinha (Ministério da Cultura) e congratulação do Festival Nacional de Música da ARPUB (Associação das Rádios Públicas do Brasil).

Streaming: ouça na íntegra o disco O Circo Singular: As Canções de Exílio: