Cidade-natal: Carapicuíba (São Paulo)

Gênero: Rap/R&B

Membros: Kaê Salgado (vocais), Léo Ferrari (beats, produção).

Agrada quem gosta de: Flávio Renegado, Jamie Foxx.

Links: soundcloud.com/kaesalgado, Página do Facebook.

A verdadeira mudança do rap deve ser percebida nas periferias, lugar que o gênero realmente pertence. Quando vemos que um artista de baixo orçamento começa a fazer e experimentar os novos rumos do rap nacional em casa – também inspirado pelo hype que vem lá de fora – aí sim podemos declarar com veemência: sim, o rap está de mudança.

Kaê Salgado não é bem a linha de frente dessa mudança, mas sim um exemplo dela. Nos anos 1990, era comum ver grupos pipocando lá e acolá com letras pesadas detratando o caos social de quem vive nas favelas. Hoje em dia, com uma abertura maior do gênero, o rap abraçou o amor, o minimalismo, as nuances do R&B, o sentimentalismo.

E é isso que Kaê faz em seu som. Com bases que lembram o trabalho de um Jamie Foxx, o músico e instrumentista de Carapicuíba tem um flow cantarolável, ótimo para ser ovacionado nas pistas – como em “Estrala”, onde ele quer ‘entrar na’ sua ‘mente’.

Apesar de engatinhar os primeiros passos na cena, Kaê Salgado já lançou um EP de seis faixas, Pra Quem Não Botava Fé, lançado em dezembro de 2011.

Se tivesse uma produção maior ou gravadora por trás, provavelmente jogariam um overdub ou autotune na voz de Kaê. Seu EP nas ruas mostra que é possível fazer em casa sim (inclusive, vale mencionar o sample eufórico de “Vida Nova”, dueto com Thainá Vaz). Nele, o cantor não exagera em efeitos para alteração vocal, algo que está cada vez mais raro nessas novas produções musicais – mesmo por aqui (com exceção do autotunado “Será Só Você”, que prefiro classificar como uma tentativa não tão feliz assim).

Streaming: ouça alguns singles e faixas do primeiro EP.