Cidade natal: São José dos Campos (SP)
Gênero: Lo-fi/MPB
Membros: o próprio faz-tudo, Dom de Oliveira
Agrada quem gosta de: Zeca Baleiro, Zé Ramalho, Lula Cortês
Link: www.domdeoliveira.com
Muito se critica o movimento do Romantismo no século XIX por ter como representantes jovens de alta classe que observavam a vida e a sociedade com um pessimismo quase devoto. Álvares de Azevedo foi um de seus principais representantes, por ligar extremismos como o afeto espiritual e o desejo carnal em desilusões amorosas descritas nos poemas. Morreu jovem, aos 20 anos, após contrair um tumor.
Essa é a maior inspiração do músico, poeta, jornalista, fotógrafo e mais um monte de coisa Dom de Oliveira. A densidade da poesia é sentida logo nos primeiros acordes de uma “Amém” ou “Dois Reggaes” mas, se o Romantismo realmente ecoa em sua obra, talvez venha munido com sentimentos, digamos, menos pessimistas perante a realidade.
Ele fala de fragilidade senil em “Cultivo” (uma de suas melhores composições) e até parece recitar uma carta amorosa e ‘rude’ com belo acompanhamento do violão em “Muito Além da Amizade”. A maturidade já pairou na obra de Dom de Oliveira. O que ele faz é trespassá-la com o devido tratamento poético que as canções merecem.
Zeca Baleiro e Zé Ramalho em seus primeiros anos são as referências que mais saltam quando ouvimos faixas como “No Sertão Baiano” e “O Vale de Dona Raquel”. Porque, por mais que o músico seja do interior de São Paulo, percebemos que suas composições encontrariam terreno fácil junto a compositores do Nordeste.
No entanto, o músico prefere não se sustentar em artistas e conceitos já estabelecidos.
“Em um mundo tão vidrado no estético, na perfeição, no formalismo, o lo-fi vem para mostrar que a plataforma de gravação influencia na dramaticidade da obra e permite mais possibilidades artísticas musicais, pelo fato de ser completamente independente”, manifestou Oliveira. “É um movimento contracultural”.
Só no ano passado, o músico lançou dois discos onde exerce livremente seu dom de autor: Dom, com bom destaque dedicado a “Azedume de Poeira” (que traz também uma música chamada “A Rã” que não é aquela de João Donato); e Respiro, que contém a maioria das músicas citadas no texto.
Streaming: ouça na íntegra Respiro:
