70. “The Beast”

Laura Marling

Álbum: The Creature I Don’t Know
Gênero: Folk

Não dá pra saber que monstro uma criatura tão singela e aparentemente doce como Laura Marling deve esconder. Quando ela anuncia que a ‘besta’ vai aparecer, os violões trovadores se impõem e entram efeitos lo-fi límpidos que, pasmem, dão uma obscuridade ainda maior à canção. O desafio está posto ao ouvinte: o que pode se esconder por trás de uma bela melodia narrativa que tem como cortina uma sonoridade fulgurante?

69. “Like Smoke”

Amy Winehouse ft. Nas

Álbum: Lioness: Hidden Treasures
Gênero: R&B/Soul

De todos os tesouros do álbum póstumo de Amy Winehouse, o grande achado é essa parceria inusitada entre a diva e o rapper Nas. De acordo com o produtor Salaam Remi, as reverências de ambos os artistas eram mútuas e, talvez, esta fosse a primeira de futuras parcerias entre os dois. Há um choque de décadas evidente nesta canção, por mais que a diferença de idade dos músicos não seja tão grande: enquanto Amy nos transporta para a era de ouro do rádio dos anos 40, Nas suaviza o discurso, mas mantém a classe de um MC que já conquistou a maturidade há muito tempo.

68. “One of Life’s Pleasures”

Paul White ft. Danny Brown

Álbum: Rapping With Paul White
Gênero: Hip Hop/Eletrônico/Experimental

Paul White não é bem um rapper, mas chamou um time imprevisível que se saiu muito bem com sua produção elétrica. Nesta faixa, Danny Brown forja vocais à lá jungle music em meio a uma parafernália robótica que simula defeitos sonoros, dando um sentido de desconstrução que faz você se perguntar: estou ouvindo rap com eletrônico, ou eletrônico com rap?

67. “Num É So Ver”

Emicida & Rael da Rima

Álbum: Doozicabraba e a Revolução Silenciosa
Gênero: Rap Nacional

O vocalista do Pentágono começa citando a região do Iporanga e Santo Amaro (zona sul), como se tivesse passando pelas avenidas de São Paulo até cruzar com Emicida no meio da zona norte. Como a voz de Rael da Rima é bem vivaz, nada mais apropriado do que colocar um sampler de samba na faixa. Emicida só entra a partir dos três minutos, metralhando quem quer que seja com suas composições diretas, dizendo que artista faz rir e presidente faz chorar.

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66. “Jesus Fever”

Kurt Vile

Álbum: Smoke Ring For My Halo
Gênero: Folk

O vocal barítono de Kurt Vile cria uma boa proximidade com a música de Bob Dylan – e isso já vem sendo dito há um bom tempo -, mas os temas do cantor têm um entrelaçamento com a indie music. Acanhado, o músico parece se esconder por trás das cordas de seu violão, fazendo com que sua voz se distancie do microfone e encontre paralelos com sons mais modernos, como um Julian Casablancas, com a maturidade de um Tom Petty, inspirado na melancolia de Jeff Buckley. Tais referências ficam bem perceptíveis em “Jesus Fever”.

65. “Kryptonite”

Hypnotic Brass Ensemble

Álbum: Bulletproof Brass! EP
Gênero: New Orleans Jazz

A big band de New Orleans gravou um EP neste ano misturando mais uma vez as referências do jazz dixieland dentro do tempo do funk. Esta canção poderia muito bem ser a trilha de um filme de suspense, pelo menos até o momento em que os MCs do grupo De La Soul entram em cena e provam, mais uma vez, que hip hop tem tudo a ver com jazz, seja ele moderno ou clássico.

64. “Vagalumes Cegos”

Cícero

Álbum: Canções de Apartamento
Gênero: MPB

Depois de dissolver a banda carioca Alice, o músico Cícero Lins se aventurou em faixas intimistas no seu primeiro disco solo, Canções de Apartamento. Numa pegada Rodrigo Amarante, em “Vagalumes Cegos” o compositor tenta burlar a solidão de uma pessoa que mora só ao se jogar na multidão e recriar imagens de ‘elefantes brancos’ que, por mais que signifiquem o nada, são simbologias importantes para combater o ócio que vem do individualismo.

63. “Still Sound”

Toro Y Moi

Álbum: Underneath the Pine
Gênero: Chillwave

Essa tal da chillwave veio para fincar mesmo, por mais que o próprio Chazwick Bandick não concorde muito com o termo. “Still Sound” poderia muito bem representar o trip hop moderno por mesclar a batida das ruas com experimentações lo-fi. As sutis variações instrumentais, que vão de slaps retraídos de baixo a um sintetizador repetitivo ao fundo de divagações oníricas de voz, tornam a música dançante e bem envolvente. Pode colocá-la no playlist de qualquer festa que o pessoal vai gostar.

62. “Modern Aquatic Nightsongs”

Atlas Sound

Álbum: Parallax
Gênero: Indie

Bradford Cox tem talento para lidar com essa coisa de indie. Depois de lançar o aclamado (e tácito) Halcyon Digest com a banda Deerhunter, ele retornou com o seu projeto Atlas Sound dando uma crueza sinistra e bucólica a arranjos eletrônicos que estabelecem uma ponte entre o trip hop e a música folk. Aqui, ele soa tempestuoso, ainda que não direcione sua mensagem a nenhuma amada específica. Ele dá conselhos para que você busque o afeto, como se isso fosse um complemento necessário – ainda que nem sempre tão bom – às nossas vidas. “Corra para o que mantém você pra baixo”, diz ele. “Abra-se/E consuma você e o seu amor”.

61. “Lord Knows”

Drake ft. Rick Ross

Álbum: Take Care
Gênero: Hip Hop

Ao contrário das intersecções do hip hop com gêneros como dubstep, que davam densidade ainda maior às composições gélidas sobre amor e desilusão, Drake preferiu recorrer ao gospel nesta música. Por mais que a presença de Rick Ross, festeiro de plantão, seja controversa, ele dá uma brecada necessária nas rimas ágeis do rapper canadense. Inclusive, Ross até chega a se ridicularizar ao afirmar que é o ‘único negro gordo que fica numa sauna com judeus’. Ah, vale lembrar: Drake é judeu.