10. Shields

Grizzly Bear

Gravadora: Warp
Gênero: Indie
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

2012 foi o ano em que vários artistas lançaram sucessores de discos que se destacaram em 2009 – vide Swing Lo Magellan, do Dirty Projectors; Centipede Hz, do Animal Collective; e Coexist, do The xx. O fato é que nenhum deles conseguiu superar os anteriores, com exceção do Grizzly Bear. Só pelas canções “Sleeping Ute” e “Yet Again”, percebe-se que a banda indie soube evoluir de maneira qualitativa em relação ao anterior (e também ótimo) Veckatimest.

Essa evolução também é refletida em “The Hunt” e “Half Gate”, faixas que não reinventam a roda e nem fogem do que a banda já propôs anteriormente, mas se mostram resultados mais seguros – como se a banda vivesse em um longo plano matemático onde cada álbum é uma descoberta ‘sem errado ou certo‘, como canta em “A Simple Answer”.

Ouça: “Yet Again”

9. channel ORANGE

Frank Ocean

Gravadora: Def Jam
Gênero: R&B
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Depois que Frank Ocean revelou ter se apaixonado por um rapaz na adolescência, muito se questionou se isso não seria uma ação para promover o disco. Afetividades à parte, o que realmente interessa é que channel ORANGE não precisa se sustentar em polêmicas para ser ouvido. É um ótimo álbum, do começo ao fim.

Foram necessárias algumas passagens para que o R&B retomasse seu devido posto na música pop. Cronologicamente, artistas como R. Kelly, The-Dream e, partindo para os dias atuais, The Weeknd, formam a tríade que chegou ao ápice no trabalho de Frank Ocean. Canções como “Sweet Life” e “Super Rich Kids” revelam um cantor que tem desejos de luxúria, mas precisa enfrentar conturbações emocionais, mostradas em “Bad Religion”. Ou mesmo conturbações psicotrópicas, como na chapante narrativa de “Pyramids”.

Ouça: “Sweet Life”

8. Blunderbuss

Jack White

Gravadora: Third Man/Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

O primeiro comentário após este disco é: Jack White não precisa mais do The White Stripes. Foram tempos passados, que se ofuscam aos poucos no decorrer de Blunderbuss, seu primeiro álbum com assinatura própria.

White não faz nada de diferente do que já fez com os outros projetos. Então, qual a novidade aqui? É que ele está claramente bem mais inspirado, como provam os riffs turbulentos de “Sixteen Saltines”, o folk-rock de “Love Interruption” ou o belo piano de “Hypocritical Kiss”, uma de suas músicas mais bonitas já gravadas.

Ouça: “Weep Themselves to Sleep”

7. good kid, m.A.A.d city

Kendrick Lamar

Gravadora: Polydor Group
Gênero: Hip Hop
Texto: Resenha da Revista O Grito

Hip hop autobiográfico nunca foi novidade – ainda mais quando a realidade passa a envolver clubes hedonistas, carros importados e festas extravagantes. Ao falar de seu crescimento tortuoso numa cidade perigosa, Kendrick Lamar corria o risco de se tornar reverencial ao rap dos anos 1990, perigando ser comparado a Notorius B.I.G. ou Tupac.

Kendrick soube fazer com distinção toda a somatória de coisas interessantes que aconteceram ao hip hop: batidas criativas (“Money Trees”), histórias interessantes (“Swimming Pools”), catarse (“Backseat Freestyle”) e grandes parcerias, que resultaram numa sequência matadora com Dr. Dre: “Compton” e “The Recipe”. Em resumo: é o disco de hip hop do ano.

Ouça: “Swimming Pools (Drank)”

6. The Money Store

Death Grips

Gravadora: Independente
Gênero: Noisy-rap
Texto: Resenha do Pitchfork (em inglês)

Considerado a Banda do Ano pelo Consequence of Sound, o Death Grips causou frisson em 2012: depois de lançar este petardo pesadíssimo, assinou com a Epic mas f**eu eles ao entregar um disco (NO LOVE DEEP WEB) cuja capa é um pênis.

Escolher o melhor álbum de 2012 desse grupo de punk-rap de Sacramento não foi tão fácil, mas The Money Store sai na frente por ter gerado faixas mais pegajosas. O que é aquele refrão estremecedor de “Get Got” ou os efeitos lunáticos de “The Fever (Aye Aye)”? A mais acessível deste álbum é “I’ve Seen Footage”, um pop-metal-punk-rap para ser ovacionado nas festas mais esquizofrênicas que rolarem por aí.

Ouça: “I’ve Seen Footage”

5. Locked Down

Dr. John

Gravadora: Nonesuch
Gênero: Rhytm’n Blues
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Um dos grandes pianistas de New Orleans, o ‘viajante da noite’ Dr. John revolucionou com sua esquizofrenia sonora nos anos 1960 com o experimental Gris-Gris (1968). Apesar de continuar ativo por todos esses anos, Locked Down é possivelmente a melhor abertura para a sua sonoridade; não só por ter sido produzido por Dan Auerbach (The Black Keys), mas por sintetizar a eficaz procura por sons (e loucuras) mais límpidos.

“Getaway” fala sobre um amor perdido com perfeita simbiose guitarra-piano, evocando solos inspirados em ambos os instrumentos. Devidamente retrô e com ritmo quebrado na bateria de Max Weissenfeldt, “Kingdom of Izzness” simboliza a arte única de Dr. John.

Uma das grandes pérolas é “Revolution”, um doo-wop em que a experiência do músico é de grande valia para nossos tempos (disse ‘uma das’ porque não dá pra deixar de falar de “You Lie” ou “Big Shot” sem bons adjetivos).

Ouça: “Revolution”

4. Old Ideas

Leonard Cohen

Gravadora: Columbia
Gênero: Folk
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Mais um sessentão que lançou um baita disco em 2012. Depois de sofrer uma perda de mais de US$ 4 milhões por conta de uma manager em 2005, Leonard Cohen voltou à ativa com sua poesia doída, onde a primeira pessoa é alvo de questionamentos espirituais (“Amen”) e perdições mundanas (“Show Me The Place”).

Mesmo que dotado de bom humor em alguns momentos (‘Adoro conversar com Leonard/(…) Ele é um bastardo preguiçoso/Vivendo em um terno’, versos de “Going Home”), Old Ideas é uma resignação do poeta perante as atropeladas da vida, que não cessaram mesmo com o avançar dos anos.

Achei que o passado iria me resguardar/Mas a escuridão também chegou por lá’, comprime-se o bardo canadense em “Darkness”, uma de suas melhores canções em décadas.

Ouça: “Darkness”

3. The Seer

Swans

Gravadora: Young God
Gênero: Post-Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

The Seer é o cruzamento perfeito entre post-rock e art-rock. The Seer é o álbum que marca o retorno do ano. The Seer é um chacoalhar necessário em tempos caóticos. The Seer é… um álbum de apaixonados feito para apaixonados por música.

Assim como a capa, o 12º álbum do Swans é uma selva obscura dotada de pancadas improváveis e apocalípticas. A sequência “Lunacy” e “Mother of the World” prenuncia o fim do mundo, tema inescapável com a aproximação do 21/12/2012.

O susto é a prova inicial de que o ouvinte passou por uma barreira estrondosa para chegar ao paraíso de canções como a longa faixa-título ou a linda “Song For a Warrior”, com a voz impagável de Karen O (Yeah Yeah Yeahs).

Apesar de quase 2h de duração, The Seer tem que ser confrontado para ser aproveitado – e qual o propósito maior da arte que não este?

Ouça: “Mother of the World”

2. Devotion

Jessie Ware

Gravadora: Universal
Gênero: Neo-soul
Texto: Resenha do Monkeybuzz

Num mundo de M.I.A., Nicki Minaj e Lady Gaga, Jessie Ware é um oásis. Suas curtas canções emocionais representam o futuro da música pop. (A julgar por Devotion, seria o prenúncio de um futuro positivo, momento perfeito em que a música pop se chocaria com música de qualidade.)

Com ritmos caleidoscópicos paralelos ao trabalho do SBTRKT (ela fazia backing vocals no projeto), “Running” nos transporta para os tempos de ouro de Sade, onde as batidas eletrônicas tribais são substitutos naturais da bateria contida e dos instrumentos de sopro de uma “Smooth Operator”, por exemplo. Ouça “No To Love” e compare; é a semelhança natural de duas cantoras britânicas que cantam soul com diferentes panos de fundo.

No entanto, Jessie Ware deixa de ser mera sombra de sua conterrânea quando se percebe o rígido controle vocal que torna sua marca única. Seja na balada pop de “Sweet Talk” ou no batimento acelerado de “110%”, Jessie se firma ao lado de Karen O (Yeah Yeah Yeahs) e Beth Gibbons (Portishead) como uma das melhores cantoras do cenário alternativo musical.

Ouça: “Sweet Talk”

1. The Idler Wheel…

Fiona Apple

Gravadora: Epic
Gênero: Alternativo
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Sem refrão, sem hits e sem hibridismo, Fiona Apple está mais crua que nunca em seu quarto álbum. Assim como os trabalhos anteriores, The Idler Wheel… é a contínua exposição de uma artista cuja degradação é o nosso espetáculo.

Ninguém faz som como Fiona Apple; e talvez nem vai fazer. Ela é dona de uma arte personalista, pautada mais por suas emoções que catálogos estéticos. As feridas de sua eterna dor são expostas em “Daredevil” e “Regret”: com a agressividade transportada para o piano, temos a perfeita junção entre Edith Piaf e Charley Patton.

Para o novo trabalho, a cantora acertou em cheio ao chamar o baterista Charley Drayton, que faz uso da batida do acid-jazz (“Daredevil”), rock psicodélico (“Jonathan”) e outros gêneros que soam dissonantes em relação ao piano cáustico e intrépido de Fiona Apple – assim como seus conturbados sentimentos.

Foi escolhido o melhor do ano também por outro motivo: por ser exemplo de que nós, seres humanos, por mais que dependamos de máquinas, conhecimento e redes sociais, somos escravos de nossas emoções que, com o passar dos milênios, continua incalculável.

Ouça: “Left Alone”

Em uma lista, ficaria assim:

1. Fiona Apple: The Idler Wheel…
2. Jessie Ware: Devotion
3. Swans: The Seer
4. Leonard Cohen: Old Ideas
5. Dr. John: Locked Down
6. Death Grips: The Money Store
7. Kendrick Lamar: good kid, m.A.A.d city
8. Jack White: Blunderbuss
9. Frank Ocean: channel ORANGE
10. Grizzly Bear: Shields
11. Cat Power: Sun
12. Vijay Iyer Trio: Accelerando
13. Godspeed You! Black Emperor: Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
14. Michael Kiwanuka: Home Again
15. Scott Walker: Bish Bosch
16. Bruce Springsteen: Wrecking Ball
17. Café Tacvba: El Objeto Antes Llamado Disco
18. Patti Smith: Banga
19. Bobby Womack: The Bravest Man in the Universe
20. Killer Mike: R.A.P. Music
21. Illya Kuryaki & the Valderramas: Chances
22. Dinosaur Jr.: I Bet On Sky
23. Jimmy Cliff: Rebirth
24. Alabama Shakes: Boys & Girls
25. Yeasayer: Fragrant World
26. Hot Chip: In Our Heads
27. Robert Glasper Experiment: Black Radio
28. John Cale: Shifty Adventures in Nookie Wood
29. Ravi Coltrane: Spirit Fiction
30. Nas: Life is Good

E aí, o que achou da lista dos 30 Melhores Discos Internacionais de 2012? Concordou? Não? Faça a sua também nos comentários.

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