
20. R.A.P. Music
Killer Mike
Gravadora: Williams Street
Gênero: Rap
Texto: Crítica do Miojo Indie
É uma capa ridícula, sim. Mas não se arrisque a dizer isso para o dono do disco. A julgar pelo peso pesado do álbum, provavelmente ele deve lhe disparar expressões não muito convidativas… Enfim, R.A.P. Music (cuja sigla traduzida significa Povo Africano Rebelde), o sexto disco de Killer Mike, é pesado demais para o hype (o começo com “Big Beast” é matador!) e alarmante demais para se situar no underground – que provavelmente não reagiria bem ao petardo da “Untitled” ou às críticas de “Reagan”. Se for ouvir no iPhone, modere os fones; se for ouvir no carro, bote na potência máxima.
Ouça: “Big Beast”

19. The Bravest Man in the Universe
Bobby Womack
Gravadora: XL
Gênero: Soul
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Outro retorno louvável. Richard Russell, um dos grandes nomes responsáveis por fazerem com que os jovens valorizassem Gil Scott-Heron em I’m New Here, juntou-se a Damon Albarn para o renascimento de Bobby Womack das cinzas. As batidas flertam com o hip hop (gênero que Womack odeia, por sinal!) e trip hop, mas o que se tem aí é puro soul: da autobiográfica faixa-título à improvável parceria com Lana Del Rey em “Dayglo Reflection”, Womack se superou para entregar um de seus melhores álbuns décadas e décadas após sua fase de ouro.
Ouça: “Please Forgive My Heart”

18. Banga
Patti Smith
Gravadora: Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Sempre que Patti Smith lança algum disco gostam de equipará-lo ao feitio de Horses (1975), que revolucionou o rock por seu aspecto literário e teatral. Banga seria o trabalho de reaproximação a esse poderoso debut, contanto que se faça justiça aos importantes diferenciais: por mais que Patti continue reverenciando antigos ídolos (“Mosaic”, “Tarkovsky”, “Constantine Dream”), ela não renega a nova geração, chegando a homenagear Amy Winehouse em “This is the Girl”. Com exceção de “April Fool”, o ouvinte não vai encontrar muita coisa acessível – e é justamente aí que Patti Smith exerce com maior liberdade e autoridade sua arte idiossincrática.
Ouça: “April Fool”

17. El Objeto Antes Llamado Disco
Café Tacvba
Gravadora: Universal
Gênero: Rock Latino Psicodélico
Texto: Crítica da Rolling Stone Argentina
Para quem não conhece, o Café Tacvba é uma banda do México que faz um rock místico, injetando psicodelia em elementos tradicionais do gênero com uma ancestralidade de seu país. E isso é condensado de uma forma mais madura no sétimo álbum da banda – nada mais natural com mais de 20 anos de estrada na bagagem. “Pájaros” inicia com uma batida caleidoscópica que logo revela vir de uma influência céltica, inserindo efeitos eletrônicos aqui e ali que parecem o ensaio de um novo gênero musical. Em El Objeto Antes Llamado Disco, ritmos como reggae, pop e até mesmo rancheira formam uma espiral que leva o ouvinte à intensidade, seja ela emotiva (“De Este Lado Del Camino”), dançante (“Olita Del Altamar”) ou reflexiva, como se vê na ficção científica e sangrenta de “Zopilotes”. Não se feche apenas na tal banda que dizem ser o maior nome da psicodelia da atualidade imitando vocais de John Lennon; Café Tacvba é mais híbrido, mais interessante e muito mais viajante que isso.
Ouça: “Olita Del Altamar”

16. Wrecking Ball
Bruce Springsteen
Gravadora: Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
A Rolling Stone norte-americana estava certa quando disse que esta é a melhor resposta para a recessão. Bruce Springsteen afinou novamente seu discurso para algo mais direto e espinhoso, como canta em “Easy Money” e na sintomática “Death to My Hometown”, tocada em parceria com Tom Morello. Apesar de sua clara politização, The Boss não deixa de causar emoção em faixas como “Land of Hope and Dreams” (com um solo de sax do falecido Clarence Clemons) e na confessional “This Depression”, levada para um clima mais ameno e acústico.
Ouça: “Death to My Hometown”

15. Bish Bosch
Scott Walker
Gravadora: 4AD
Gênero: Avant-garde
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
De toda esta lista, Bish Bosch é certamente o álbum de mais difícil acesso. Existe outra justificativa para que ele não seja usualmente citado: foi lançado aos 45 do segundo tempo. Processar músicas como “Corps De Blah” ou a longa “SDSS14+13B (Zercon, A Flagpole Sitter)” demanda paciência e pelo menos três aspectos do ouvinte: proximidade, afastamento e ciência de que sons como barulhos de cães, atmosfera funesta e baterias tribais não são nada catalogáveis. Quer queira quer não, você está diante de Scott Walker, e isso é nome de respeito mesmo para um David Bowie ou David Byrne. No entanto, para que se adentre nessa relva sonora quase impenetrável, recomendo a audição de “See You Don’t Bump His Head” e “Epizootics!”. Uma coisa é certa: uma vez lá dentro, difícil sair.
Ouça: “Epizootics!”

14. Home Again
Michael Kiwanuka
Gravadora: Polydor
Gênero: Soul/R&B
Texto: Resenha da BBC (em inglês)
O que o britânico Michael Kiwanuka faz não é bem um som atual; está mais para um som atemporal. Sua voz límpida exala sinceridade e encontraria espaço em ritmos tradicionais norte-americanos, como folk e country. Apesar de ser soul music, os dois gêneros parecem estar amarrados no som de Kiwanuka, mais ditado por seu caráter afetivo que musical: enquanto em “Tell Me a Tale” Kiwanuka clama por amor adornado por uma bateria em marcha, em “Rest” o cantor tenta acalentar alguma alma perdida conturbada, num R&B orquestrado lindo de doer. Com apenas 24 anos, Kiwanuka refuta a ideia de que é preciso se adaptar às novas tecnologias musicais para se destacar. É um talento nato que provavelmente seria ignorado por um American Idol, mas que ainda assim tem muito a ensinar – mesmo aos próprios incautos que se dizem ‘jurados musicais’.
Ouça: “Tell Me a Tale”

13. Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
Godspeed You! Black Emperor
Gravadora: Constellation
Gênero: Post-Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Do nada, uma das maiores bandas do post-rock anuncia e, poucos dias depois, lança um novo álbum. O burburinho em torno do sexto disco da banda canadense foi imenso – principalmente porque fazia dez anos que o GY!BE não lançava nada. E a espera valeu a pena! Assim como a capa acinzentada, “Mladic” é ambientada em tempos de guerra, fome, desespero e incertezas, transformadas em um épico de mais de vinte minutos que trabalham emoções, tensões e hibridismos que vão de gaita de fole às guitarras exasperadas. É um disco climático, que reflete como o caos de hoje é ainda mais medonho e aterrador que o de outrora.
Ouça: “Mladic”

12. Accelerando
Vijay Iyer Trio
Gravadora: ACT
Gênero: Jazz
Texto: Crítica do Pop Matters (em inglês)
Numa primeira audição de Accelerando, uma constatação é latente: pode dar qualquer tema para o trio formado por Vijay Iyer (piano), Stephan Crump (baixo) e Marcus Gillmore (bateria) que eles vão tirar – nem que a distorça ao ponto do quase não-reconhecimento, coisa que se vê em “Human Nature” (Michael Jackson), que atinge graus verborrágicos de dissonância que a transfiguram quase por completo. “Mmmhmmm”, do Flying Lotus, é dotado daquele piano tácito e impagável, que logo fica ainda mais acelerado por conta do baixo de Crump. Com esplêndido virtuosismo, o trio explora novas possibilidades sonoras na cruzada rítmica de “Little Pocket Size Demons” (Henry Threadgill) e encerra muito bem com um clássico de Duke Ellington: “The Village of the Virgins”. Indiscutivelmente o grande registro jazzístico de 2012.
Ouça: “Little Pocket Size Demons”

11. Sun
Cat Power
Gravadora: Matador
Gênero: Indie
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Uma injustiça que deve ser sanada às pressas: o fato de acharem que os melhores discos de cantoras geralmente estão associados a alguma destreza emocional, como a perda de um namorado. Seria uma limitação pós-Amy Winehouse? Enfim, Chan Marshall também foi alvo dessas especulações, mas o fato é que, de 2006 pra cá (momento que ela lançou o último trabalho autoral, The Greatest, sem mencionar os covers de Jukebox (2008)), Cat Power trouxe na bagagem muito mais que o término de um relacionamento. Gravado praticamente inteiro por Chan, Sun catalisou diversas técnicas de estúdio para aplicar ao seu próprio trabalho, o que é admirável em canções como “Ruin”, um pop-meets-eletrônico mais contido possível (evitando beirar o forçado), e no autotune de leve que permeia os vocais de “3, 6, 9”. Apesar da sonoridade, o que realmente conta é sua evolução na forma de compor, evidente em faixas como “Always On My Own” e “Nothin’ But Time”, pop melancólico que conta com participação de Iggy Pop nos backings.
Ouça: “Ruin”
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