Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

10. “Counting”

Autre Ne Veut

Gravadora: Mexican Summer / Software
Gênero: R&B/Experimental
Álbum: Anxiety

Autre Ne Veut é mais um dos expoentes criativos da nova R&B, e se tem uma coisa que podemos aprender com Anxiety, seu primeiro disco, é que existe a possibilidade de quebrar barreiras estéticas e emocionar ao mesmo tempo. Mais que um bom exemplo, “Counting” simboliza a autenticidade do projeto de Arthur Ashin. Coros vocais e metais monocromáticos circundam uma faixa que não tem medo de ser sensível. Os efeitos eletrônicos, se separados, poderiam fazer parte de um disco do Factory Floor. Mas o que “Counting” evidencia é uma apurada organização das ramificações de um sentimento. Um sentimento profundo, como percebemos com os vocais exasperados.

♫ Ouça

9. “Normal Person”

Arcade Fire

Gravadora: Merge
Gênero: Indie Rock
Álbum: Reflektor

Quase dois meses após o Arcade Fire lançar o quarto disco, as dúvidas ainda permanecem: será que os canadenses continuam grandiosos? Todos os argumentos são válidos – mesmo porque só o tempo vai dizer. Todavia, há boas canções aqui. Poderia escolher a faixa-título, “Here Comes the Night Time” ou a viajeira dub de “Flashbulb Eyes”. Ou “Afterlife”. Ou “Porno”. Mas é “Normal Person” a canção que melhor mantém a essência da representatividade do Arcade Fire. Ao mostrar que o pacato é profano e que o normal é ruim, os canadenses sentenciam a procura indie pelo mainstream. Sabemos que tudo que eles dizem é verdade, só não temos a sensibilidade de perceber e confrontar a ‘normalidade’ como a banda impõe musicalmente.

♫ Ouça

8. “You’re Not the One”

Sky Ferreira

Gravadora: Capitol
Gênero: Pop
Álbum: Night Time, My Time

Ela é bonita, modelo, conheceu Michael Jackson e tem descendência brasileira, mas não é porque Sky Ferreira reúne um pouco de tudo que gostamos que ela se tornou relevante. Ela é pop. E pode ser tão grande quanto Gwen Stefani ou Joan Jett. Só que são os fatores inócuo e estranho que fazem de sua música algo interessante. Assaz interessante, diria. Lançado depois de uma boa espera, Night Time, My Time delineia temas pertinentes ao pop com uma auréola particular (o termo idiossincrático pode nascer com o tempo). “You’re Not the One”, por exemplo, é um pop de gigante: sua letra é de imediata identificação com adolescentes, adultos, notívagos, bêbados, desajeitados… Ela pode remeter ao amigo que não te convida pros lugares, ao amor malsucedido, à bebida que não se ajeita ao seu estômago. Seja hipster, alternativo, pop ou blasé, não há barreiras para colocar “You’re Not the One” no repeat.

♫ Ouça

7. “Hive”

Earl Sweatshirt ft. Vince Staples & Casey Veggies

Gravadora: Columbia / Tan Cressida
Gênero: Rap
Álbum: Doris

Tyler, the Creator é um dos maiores expoentes contemporâneos de um hip hop com batidas minimalistas. Nesse jogo, ele entra com o extremo. Já Earl Sweatshirt, parceiro do Odd Future, contribui com as rimas preguiçosas, dopadas e reflexivas. Embora nos perguntemos de quais partes específicas eles pegaram tais referências emprestadas de MF DOOM, o certo é que ambos exploraram o oposto do excesso pop que tomou o gênero. Certamente “Hive” não se encaixa neste conceito, isso porque não se encaixa em conceito algum. A faixa é como se estivéssemos controlando em primeira pessoa um viciado na Cracolândia, aventurando-se em busca de respostas a perguntas que nem mesmo sabemos como foram elaboradas. É uma aventura diferente, arriscada, alguns diriam até que de mau agouro. Mas é a aventura.

♫ Ouça

6. “Monomania”

Deerhunter

Gravadora: 4AD
Gênero: Rock
Álbum: Monomania

Será que Bradford Cox ficou louco de vez? Essa é a pergunta inevitável ao ouvir “Monomania”, principalmente após a excelência melódica registrada no anterior Halcyon Digest (2010). A apresentação no Jimmy Fallon dá pistas do que seria uma boa resposta, mas o que “Monomania” realmente oferece é um híbrido de obsessão. Punk, noise, shoegaze, indie e hard rock formam o turbilhão nervoso à faixa mais letárgica que você vai ouvir em 2013. ‘MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA’ = isso é rock, porra!

♫ Ouça

5. “Hit Void”

Primal Scream

Gravadora: First International
Gênero: Rock/R&B
Álbum: More Light

“Hit Void” pode ser mais Loveless que Screamadelica, mas é o Primal Scream como gostamos de ver: barulhento, sádico e poderoso, muito poderoso. Unindo shoegaze ao R&B, a banda se transfigura em busca de uma nova potência – como não se via desde XTRMNTR (2000). E que solo é aquele no sax de Marshall Allen, hein! Ouça alto e repita quantas vezes quiser.

♫ Ouça

4. “PrimeTime”

Janelle Monáe ft. Miguel

Gravadora: Bad Boy
Gênero: R&B
Álbum: The Electric Lady

Janelle Monáe pode se sentir realizada em The Electric Lady. Além de conseguir tocar com os ídolos Prince (“Give’Em What They Love”) e Erykah Badu (“Q.U.E.E.N.”), ela entregou uma sequência à altura do debut The ArchAndroid (2010). No entanto, a maior realização foi esta belezura de balada com Miguel. “PrimeTime” é carregado do frescor otimista que deve fazer parte de todo relacionamento que almeja a longevidade. A canção tem a magia do primeiro amor, a aventura de permitir-se entregar para uma pessoa, o mistério de enfrentar uma vida a dois. Se tudo dará certo em um ou dois anos é difícil de prever, mas o que “PrimeTime” realmente nos atenta é para a delícia do agora e do frio na barriga perante o inevitável.

♫ Ouça

3. “Maxim’s II”

Julia Holter

Gravadora: Domino
Gênero: Alternativo/Experimental
Álbum: Loud City Song

Você pode iniciar a descrição de “Maxim’s II” com qualquer adjetivo, mas muito provavelmente irá concluir com a palavra sensacional. Tão boa quanto Kate Bush, tão etérea quanto fragmentos de uma peça de Bach e tão sublime quanto Joanna Newsom, “Maxim’s II” é como uma escadaria para o paraíso. Começa subterrânea, atinge a velocidade da pressa e chega ao ápice com uma musicalidade estupenda: pianos, trompete, sax e violinos formam a musicalidade sacra, como se Julia Holter atingisse, após um belo esforço, o requinte máximo de uma aura que encantaria Nietzsche e deixaria Walter Benjamin confuso.

♫ Ouça

2. “The Stars (Are Out Tonight)”

David Bowie

Gravadora: ISO/Columbia
Gênero: Rock
Álbum: The Next Day

Contrariando qualquer expectativa intelectualoide, David Bowie provou que não precisa de muitos argumentos para fazer rock de qualidade. Tente estabelecer qualquer contexto histórico que coloque The Next Day no panteão de relevância de ‘Heroes’ (1977) ou Hunky Dory (1971). Você não vai conseguir, justamente porque o novo disco do Camaleão é desprovido de qualquer pretensão estética. Assim, uma canção como “The Stars (Are Out Tonight)” não precisa de muito para ser grandiosa. É boa porque é boa, diriam os românticos. Melhor seria que os críticos também aceitassem. Por quê? Porque os românticos é que desfrutam das boas coisas da vida.

♫ Ouça

1. “Full of Fire”

The Knife

Gravadora: Rabid
Gênero: Eletrônica
Álbum: Shaking the Habitual

Não há equívoco maior do que achar que estamos avançando com o passar dos anos. Estamos mais propensos para os debates hoje que outrora, sim, mas porque a ciência e a tecnologia nos revelaram hoje conhecimentos inacessíveis há séculos atrás.

Às vezes tenho problemas que são difíceis de resolver’, inicia The Knife o discurso de um assunto não tão tratado com a devida seriedade. O duo sueco fala de sexualidade, um confronto existente desde o início dos tempos e que ainda procura respostas para inevitáveis perguntas: o que é a homossexualidade? Como controlar a libido? Por que a ereção em momentos constrangedores?

Se você procura respostas com “Full of Fire”, esqueça: elas não serão esclarecidas. De fato o que o Knife faz é enfatizar a questão: ‘Quando você está cheio de fogo/Qual é o seu objeto de desejo?’. Loops, synths e percussões aviltadas entram nos ouvidos para te chacoalhar e desenfrear. Quem sabe a música indique respostas, novos questionamentos e ajude a combater o preconceito e a homofobia? Quem sabe a música não trilhe bons caminhos a uma ‘democracia sexual’? Se houver indícios de que tal problema seja solucionado pela música, então “Full of Fire” é o maior dos exemplos.

♫ Ouça

Confira também:
• Os 30 Melhores Álbuns Nacionais de 2013
• Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013
• As 50 Melhores Músicas Nacionais de 2013
• Os 30 Melhores Clipes Internacionais de 2013
• Os 30 Melhores Clipes Nacionais de 2013

Eis a playlist das melhores músicas internacionais de 2013 dividida em duas partes:

Do #50 ao #21 (download):

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 1) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

Do #20 ao #1 (download):

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

1. The Knife: “Full of Fire” 2. David Bowie: “The Stars (Are Out Tonight)” 3. Julia Holter: “Maxim’s II” 4. Janelle Monáe ft. Miguel: “PrimeTime” 5. Primal Scream: “Hit Void” 6. Deerhunter: “Monomania” 7. Earl Sweatshirt ft. Vince Staples & Casey Veggies: “Hive” 8. Sky Ferreira: “You’re Not the One” 9. Arcade Fire: “Normal Person” 10. Autre Ne Veut: “Counting” 11. Kanye West: “New Slaves” 12. Elvis Costello ft. The Roots: “Refused to Be Saved” 13. Big Sean ft. Kendrick Lamar & Jay Electronica: “Control (HOF)” 14. M.I.A.: “Bring the Noize” 15. Nick Cave & The Bad Seeds: “Jubilee Street” 16. Kelela: “Enemy” 17. Melt Yourself Down: “Fix My Life” 18. Factory Floor: “Here Again” 19. Danny Brown ft. A$AP Rocky: “Kush Coma” 20. Savages: “Marshal Dear” 21. Dean Blunt ft. Inga Copeland: “The Redeemer” 22. Fuzz: “Sleigh Ride” 23. Daft Punk: “Contact” 24. Sebadoh: “Inquiries” 25. Ka: “Jungle” 26. Jim James: “A New Life” 27. Black Sabbath: “God is Dead?” 28. Prince ft. 3rdEyedGirl: “Fixurlifeup” 29. A$AP Rocky ft. Skrillex: “Wild For the Night” 30. Blitz The Ambassador: “Afrikan in New York” 31. All Pigs Must Die: “Faith Eater” 32. Oneohtrix Point Never: “Zebra” 33. Carcass: “Captive Bolt Pistol” 34. Chrome Hoof: “When the Lightning Strikes” 35. !!!: “One Girl/One Boy” 36. Queens of the Stone Age: “Keep Your Eyes Peeled” 37. Charles Bradley: “You Put the Flame On It” 38. Congo Natty: “UK Allstars” 39. Anna Calvi: “Carry Me Over” 40. These New Puritans: “Organ Eternal” 41. Beck: “Gimme” 42. David Bowie: “Love is Lost” (James Murphy Remix) 43. Cornell Campbell & Soothsayers: “With You My Heart Belongs” 44. Sigur Rós: “Brennisteinn” 45. Iceage: “Coalition” 46. Lauryn Hill: “Consumerism” 47. I Break Horses: “Faith” 48. Nine Inch Nails: “Copy Of A” 49. Caitlin Rose: “Only a Clown”

50. Karl Bartos: “Rhythmus” (Cato Remix)

[#50 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]