
20. Claridão
SILVA
Gravadora: Slap/Som Livre
Gênero: Indie
Texto: Entrevista para o Scream & Yell
Um EP com poucas músicas lançado no ano passado causou tanto estardalhaço, que logo o capixaba SILVA foi contratado por uma grande gravadora para lançar aquele que alguns já pré-denominavam ‘o’ disco de 2012. A posição dele aqui vai contra algumas correntes, mas é fato que Claridão merece destaque, sim. O disco é valorizado por timbragens indie, com alguma coisa ou outra de pós-rock e eletrônico. Todas as faixas do EP aparecem aqui. Por conta da ‘novidade fonográfica’ ganharam nova remixagem. Um ótimo debut para deixar-se levar. Acredito que o músico vai mostrar muita coisa daqui pra frente, e essa posição reflete o olhar positivo do Na Mira de um músico inventivo, capaz de lançar ótimas canções como “2012”, “Dos Pés” e “Imergir”, uma das mais belas de Claridão.
Ouça: “2012”

19. Nordeste Oculto
Cabruêra
Gravadora: Independente
Gênero: Música Nordestina
Texto: Cabruêra e a metafísica do Nordeste Oculto
Download pelo Hominis Canidae
Nordeste também é místico. Você que gosta da fase oriental de George Harrison pode muito bem cair no gosto da cítara de Alberto Marsicano, filósofo e condutor deste novo trabalho da banda paraibana. (Ravi Shankar, ‘guru’ de Harrison que faleceu hoje, é o mestre de Alberto.) O ‘vórtex magnético’ aqui presente guia canções que mostram um Nordeste muito além de qualquer clichê que se possa imaginar. Alguns exemplos: a ciranda transcende para uma pegada roqueira e psicodélica em “Filhos do Vento” e, em “Druidas do Agreste”, a banda faz uma espécie de forró noisy.
Ouça: “Jurema”

18. Sobre a Máquina
Sobre a Máquina
Gravadora: Sinewave
Gênero: Drone/Dark Ambient/Experimental
Texto: Resenha do Floga-se
Download gratuito pelo selo Sinewave
Foi lançado aos 45 minutos do segundo tempo – mas, ainda assim, o necessário para figurar em qualquer lista de melhores. O disco autointitulado do Sobre a Máquina é o terceiro de uma carreira pautada por experimentalismos que podem ser tidos como eficazes; eficaz porque é autêntico, criativo, fora dos padrões e, o melhor, arrebatador. A entrada do saxofonista Alexander Zhemchuzhnikov é um hibridismo a mais nas doideiras de Cadu Tenório e Emygdio Costa, que assinam a produção do álbum. Há temas longos, como “Dia” e “Árvore”, que ultrapassam os 15 minutos cada – e devem ser ouvidos. Mas, como boa porta de entrada, comece por “Oito” (que até tem clipe) e deixe se levar pelo obscurantismo de “Corredor”, com calafrios que remontam cárceres.

17. Feitiço Caboclo
Dona Onete
Gravadora: Ná Music
Gênero: Carimbó/Forró
Texto: Crítica do Fita Bruta
Download pelo La Cumbuca
Aos 73 anos, Dona Onete participou de diversas atividades culturais em Cachoeira do Ariri, no Pará, antes de gravar este que é o seu primeiro disco. As nuances musicais aqui encontradas são justificadas pelas participações de Manoel Cordeiro (mestre do brega), Mestre Vieira (guitarrada), além das colaborações de Pio Lobato e Marco André, conhecedores de música latina. Se por um lado o hype paraense se firma em Gaby Amarantos e Gang do Eletro, decerto que Dona Onete, nesse terreno, tem muito espaço com canções como “Moreno Morenado” e “Carimbó Chamegado”. Feitiço Caboclo não tem nada de produção exacerbada; é pura originalidade, o convite perfeito para se aprofundar (e dançar muito) ao som que o Pará tem de melhor.
Ouça: “Carimbó Chamegado”

16. Pra Ficar
Orquestra Contemporânea de Olinda
Gravadora: Independente
Gênero: Frevo/Ciranda
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito pelo site oficial
São letras fáceis, o ritmo é contagiante e a musicalidade, mais dançante impossível. Não tem como ficar parado ao som da Orquestra Contemporânea de Olinda. É um frevo pop. E as brincadeiras vocais do percussionista Gilú, que canta ‘Quando as coisas têm que ser/As coisas são/Como elas são/Como têm que ser’ em “De Leve”, só reforçam o teor criativo do coletivo mais rodado pelo Brasil nesses últimos anos (80 shows em um ano é pouco?). Vale destacar o forte naipe de metais da banda, tão potentes quanto ska. Se duvida, ouça “Suor da Cidade” e “Voz de Dentro”.
Ouça: “De Leve”

15. Aleluia
Cascadura
Gravadora: Independente
Gênero: Rock
Texto: Faixa a faixa no El Cabong
Download gratuito pelo site oficial
Várias crônicas de uma Bahia que não cabe numa composição de axé. A banda liderada por Fabio Cascadura faz rock – mas um rock onde a poesia e as histórias de Salvador fogem do espectro carnavalesco para mostrar um cotidiano realista, fora dos lugares-comuns associados à capital. Há a fábula de um santo (“O Rei do Olhar”), um retrato panorâmico da cidade (“Soteropolitana”, com violões de “Street Fighting Man”, dos Stones) e o senso de abandono que em certos momentos paira sobre a cidade (“Resumindo”). A banda não tem medo de abraçar a tradição candomblé no ritmo, como o faz muito bem em “Uma Lenda do Fogo” e nos belos arranjos da faixa-título.
Ouça: “Aleluia”

14. Sambanzo, Etiópia
Sambanzo
Gravadora: Independente
Gênero: Afrobrasileira
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download gratuito pelo site oficial
Thiago França é um saxofonista ocupado. Mesmo tocando com Criolo, Metá Metá, Romulo Fróes e Rodrigo Campos, ele arranjou um tempo para se dedicar ao projeto Sambanzo, que é uma continuidade do seu disco solo Na Gafieira, de 2008. Numa palavra, Sambanzo, Etiópia é puro candomblé misturado com música latina, jazz, samba, afro-beat, highlife, cuban jazz, música caribenha… É um rol infinito que só pode ser explicado por faixas como “Xangô” (com riffs excepcionais na guitarra de Kiko Dinucci), “Capadócia” (jazz com grandes pitadas de agressividade) e “Risca-Faca”, que encerra o disco com um carimbó bom demais pra se dançar.
Ouça: “Xangô da Capadócia”

13. Abraçaço
Caetano Veloso
Gravadora: Universal
Gênero: MPB/Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Muita gente não entendeu quando ouviu Caetano Veloso evocar Minotauro, Anderson Silva, fitas cassete e restos de rabada em uma mesma canção. Pois é, “A Bossa Nova é Foda”, com um refrão grudento, joga ao ar diversos elementos contemporâneos aleatórios para ligá-lo ao movimento de Tom Jobim, provavelmente esquecido ou fragmentado pelo ‘homem cruel e destruidor’. No disco que encerra a trilogia com a Banda Cê, Caetano está mais melancólico. Isso é fácil perceber logo no título de “Estou Triste” e na bonita “Quando o Galo Cantou”. Experimentador como costuma ser, Caetano trabalha um rock agreste em “Império da Lei”, vai sem medo mexer com funk carioca em “Funk Melódico”, além de se arriscar numa linguagem jovem com versos como ‘tudo mega-bom, giga-bom, tera-bom’ em “Parabéns”, feita em parceria com Mauro Lima.
Ouça: “A Bossa Nova é Foda”

12. E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas
Jair Naves
Gravadora: Travolta Discos/Popfuzz Records
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Download pelo Bandcamp oficial
“Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)” ensaia a agressividade do punk de Ludovic, uma das principais bandas do cenário alternativo liderada por Jair Naves. No entanto, aos poucos o ouvinte percebe que as composições do cantor estão bem mais eloquentes, jogando ainda mais limpo com a própria sinceridade. Quando parte para um lado mais melódico, que se inicia em “No Fim da Ladeira, Entre Vielas Tortuosas”, Jair deixa a vergonha de lado para desabafar, ‘pedir conselhos, ganho a simpatia de outros bêbados’. O compositor até se permitiu uma homenagem à sua mãe em “Maria Lúcia, Santa Cecília e Eu”, que ele quase não coloca no disco por ter medo de acharem brega demais. A velhice, tema pouco discutido com seriedade no rock, é tema de duas das mais belas músicas do disco: “Guilhotinesco” e “Covil de Cobras”.
Ouça: “Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)”

11. Caravana Sereia Bloom
Céu
Gravadora: Urban Jungle/Universal
Gênero: MPB
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Assim que foi lançado, muita gente comentou que a Céu estava querendo mudar demais sua carreira ao partir para um lado mais pop-rock. Houve algumas mudanças latentes: entre elas, uma autonomia maior da cantora em sua produção, que ficou a cargo dela e de Gui Amabis (e não mais Beto Villares e Gustavo Lenza). Mas o terceiro disco da cantora paulista tem duas formas de pegar o ouvinte: ou de primeira, como foi meu caso; ou dando chances a mais audições. “Falta de Ar” é facilmente uma de suas melhores canções, por ligar sentimentalismo a um tema como sustentabilidade com trocadilhos inteligentes. Para o disco, a cantora disse que se inspirou em suas viagens: seja do asfalto que separa o homem do mar em “Asfalto e Sal” ao festejo melancólico de “Baile da Ilusão”, uma das mais bonitas do disco.
Ouça: “Baile de Ilusão”
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